Eu fui assistir esse filme pensando em encontrar fantasmas sobrenaturais envoltos em misticismo popular e me deparei com um terror psicológico fundado em situações realistas, uma surpresa boa.
O terror que persegue a personagem principal vem do ambiente em que vive e das pessoas ao seu redor. A ambientação do filme em si é facilmente reconhecida por muita gente que cresceu no interior de qualquer país latinoamericano, o que ajuda a fundar uma identificação com os medos da criança ao se deparar com situações opressivas sem lugar de escape. As barreiras que impedem a personagem principal de fugir de todo o tormento que passa são invisíveis, sua limitação é imposta por sua idade e condição como criança, tendo que recorrer à adultos que, por vontade ou falta dela, oferecem apenas uma falsa sensação de proteção que dura pouco tempo.
Com o espaço aberto contrastando com a falta de mobilidade, a trilha sonora macabra indicando perigo iminente quase que o tempo todo, a falta de eletricidade causando o jogo de sombras que alimenta as ansiedades de uma pessoa traumatizada, o filme se empenha em traduzir os medos causados pelo luto e abuso físico e emocional para a linguagem cinematográfica, criando uma experiência quase palpável sem se escorar em sustos rápidos ou superstições tradicionais.
Não amei o final, que parecia querer consertar uma ponta solta no enredo mas isso não atrapalhou a experiência total do filme. Um belo exemplar de terror colombiano que eu não fazia ideia que existia.
Miniresenha que eu não considero spoiler mas está marcado como spoiler porque alguém pode considerar como spoiler:
Eu fui assistir esse filme pensando em encontrar fantasmas sobrenaturais envoltos em misticismo popular e me deparei com um terror psicológico fundado em situações realistas, uma surpresa boa.
O terror que persegue a personagem principal vem do ambiente em que vive e das pessoas ao seu redor. A ambientação do filme em si é facilmente reconhecida por muita gente que cresceu no interior de qualquer país latinoamericano, o que ajuda a fundar uma identificação com os medos da criança ao se deparar com situações opressivas sem lugar de escape. As barreiras que impedem a personagem principal de fugir de todo o tormento que passa são invisíveis, sua limitação é imposta por sua idade e condição como criança, tendo que recorrer à adultos que, por vontade ou falta dela, oferecem apenas uma falsa sensação de proteção que dura pouco tempo.
Com o espaço aberto contrastando com a falta de mobilidade, a trilha sonora macabra indicando perigo iminente quase que o tempo todo, a falta de eletricidade causando o jogo de sombras que alimenta as ansiedades de uma pessoa traumatizada, o filme se empenha em traduzir os medos causados pelo luto e abuso físico e emocional para a linguagem cinematográfica, criando uma experiência quase palpável sem se escorar em sustos rápidos ou superstições tradicionais.
Não amei o final, que parecia querer consertar uma ponta solta no enredo mas isso não atrapalhou a experiência total do filme. Um belo exemplar de terror colombiano que eu não fazia ideia que existia.