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A obra se concentra no misterioso comportamento de John Oldman (David Lee Smith), um professor acadêmico que a cada dez anos muda de contexto, deixando tudo para trás. Cansado de guardar esse misterioso segredo, antes de partir, convida seus colegas de academia para uma reunião em sua casa onde irá revelar pela primeira vez o que está por trás desse comportamento obscuro.
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⚠️ Alerta de Spoilers: Se você ainda não assistiu esse filme, corre daqui.
Senta que lá vem a história...
"O Homem da Terra" é a prova viva de que a verdadeira ficção científica não precisa de naves espaciais, tiro, CGI ou efeitos visuais. Richard Schenkman pegou o roteiro brilhante de Jerome Bixby — lenda do gênero que assina episódios de "Jornada nas Estrelas", a ideia original de "Viagem Fantástica" e o roteiro de "O Fantasma do Planeta Vermelho" (que inspirou Alien) —, que o autor concluiu em seu leito de morte. Com um orçamento de miséria de US$ 200 mil, a produção entregou uma aula de narrativa. O filme parece uma peça teatral barata dos anos 90 feita para a TV, se passando inteiramente dentro de uma sala de estar, mas o texto é uma bomba-relógio.
Na trama, o professor John Oldman (David Lee Smith) reúne seus amigos acadêmicos para se despedir e solta a bomba de que é um homem de Cro-Magnon com 14 mil anos de idade que nunca envelhece. O choque é total. Ceticismo, fascínio e conversa pra boi dormir tomam conta da sala deles e da nossa. É um jogo intelectual incrível em que ele rebate perguntas de biólogos, historiadores e psicólogos com uma lógica impecável, descrevendo desde a convivência com Buda até o presente de um quadro original direto das mãos de Van Gogh.
Mas a polêmica atinge o ápice quando o roteiro cutuca a ferida religiosa da velha igreja, ao falar que ele foi Jesus Cristo. Aí a sua vó, sua tia e sua sogra, se forem católicas apostólicas romanas ou evangélicas fervorosas, podem cometer um filmocídio se você abrir o bico perto delas sobre esse filme. Tem que ter coragem pra falar aquilo! Deve ser por isso que ele precisa mudar de cidade a cada dez anos, e não apenas para as pessoas não desconfiarem de sua aparência.
Deslumbre, drama, tensão (até um revólver sacaram na sala), o palco vira um campo minado até que, do nada, o "Jesus" solta que inventou tudo aquilo, que sua história não passava de uma brincadeira para que pudesse ir embora. Porém, para surpresa minha — quando eu finalmente achava que poderia indicar esse filme pro pessoal da igreja —, no final ele faz uma revelação que me jogaria direto pro mármore do inferno! O final é trágico e triste, escancarando o peso e a solidão de alguém que vive para sempre.
Sem gastar um centavo com explosões, tiros e máquinas do tempo, "O Homem da Terra" aluga um apartamento na cabeça de quem assiste usando apenas a força do diálogo. Um clássico cult, provocativo, rústico e inesquecível.
Testa a fé e assista.
Profundo, filosófico, reflexivo e traz uma mensagem grandiosa para os que estão abertos a entendê-la.
Nota 8,5/10
Filme muito interessante. Filosófico e faz refletir bastante.
28/03/2026
Um dos roteiros mais legais que eu já vi!