Em uma embaixada em Londres um garoto, Philippe (Bobby Henrey), que é filho do embaixador (Gerald Heinz), adora Baines (Ralph Richardson), o mordomo. O menino fica confuso com as complexidades e omissões dos adultos. Ele tenta manter segredos, mas os acaba contando. Mente para proteger seus amigos, embora saiba que deveria contar a verdade. Quando Baines é suspeito de ter assassinado sua mulher e a suspeita se intensifica ao saberem que Baines estava envolvido com Julie (Michèle Morgan), a secretária da embaixada, Philippe tenta ajudar Baines falando mentiras aos detetives. Mas as declarações do menino complicam ainda mais a vida do mordomo.
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Mais um ótimo filme de Carol Reed. É apenas o terceiro filme que assisto dele e já gosto muito dele e quero ver mais de sua filmografia. A história é um pouco simples mas o roteiro é muito bom. A direção é ótima também. O começo do filme é um pouco chato, mas depois fica bem envolvente. Não é o melhor filme do diretor, mas é muito bom.
CONTÉM SPOILERS
O garoto Phillipe (Bobby Henrey, em ótima atuação, mas não seguiu carreira) é o filho do embaixador francês em Londres e idolatra o mordomo Baines (Ralph Richardson, também excelente) .
Phillipe certo dia segue Baines e o surpreende em um encontro com uma moça, trata-se de Julie (Michele Morgan), datilógrafa da embaixada, com quem mantém um caso amoroso, algo que para o menino, em sua ingenuidade, ainda é incompreensível.
Voltando à embaixada, ocorre um acidente, a esposa de Baines (Sonia Dresdel), uma amargurada mulher que se recusa a conceder o divórcio, cai de um parapeito ao lado da escada e morre. Para o pequeno Phil, que não vê todo o desenrolar da situação, mas apenas o início da discussão entre Baines e a mulher, e ela já caída, parece para ele que o mordomo a havia assassinado.
Phil, na sua inocência infantil, deseja ajudar o amigo, e resolve mentir, complicando cada vez mais a situação, já que a polícia acreditando a princípio tratar-se de um acidente, diante das narrativas desconexas da criança, passa a suspeitar do mordomo. Phil então é convencido a dizer a verdade, que só isso poderia ajudar seu amado amigo. Quando a polícia já estava quase convencida da culpa do marido, surge uma evidência que o inocenta, só que era falsa, e Phil, novamente tenta agora dizer realmente a verdade, o que complicaria novamente a situação de Baines, só que agora, ninguém mais quer ouvi-lo.
Toda a narrativa é pontuada pela perspectiva do garoto, que na verdade é o protagonista, ele codifica os eventos conforme sua mente infantil os absorve e essa forma como entende os acontecimentos é responsável pelo desenvolvimento instigante. O menino está diante de adultos que exigem que diga a verdade e quando o faz, simplesmente é ignorado.
Na verdade, o espectador sabe o tempo todo que não houve crime algum, é nisso que reside a genialidade da narrativa, que transforma a simplicidade dos acontecimentos em uma trama cheia de reviravoltas.
Destaque para a cena do aviãozinho de papel, sobrevoando a sala, sob o olhar angustiado do garoto, até cair aos pés do policial. Uma cena simples que carrega tanta tensão e suspense.
Um filme sobre perspectivas, o que vemos, o que pode ter acontecido, o que realmente aconteceu. Um jogo de como uma mesma situação pode ser vista em diferentes ângulos e gerar diferentes narrativas. Existem várias "verdades", e a mente confusa e ingênua de Phil se angustia ao tentar entendê-las e entender o mundo dos adultos.
Entre um clássico e outro,Reed realiza outro filme misterioso e segue o mesmo caminho de alguns de seus grandes filmes.A diferença fica por conta do ótimo protagonismo infantil,que por sinal,entra facilmente na lista de grandes filmes envolvendo criança.
>Assistido em 11 de Abril de 2023
Adorei o clima tenso que ´´O Ídolo Caído´´ entrega em algumas cenas (as que mostram o ponto de vista do garoto), assim como também adorei a discussão moral que o filme traz.
Um ótimo filme, apesar dos minutos finais erm.. irritantes.
"The Fallen Idol" possui uma história sólida, fotografia deslumbrante e chama a atenção o cuidado que Carol Reeds dá aos pequenos detalhes. Há algumas cenas no meio que diminuem um pouco a velocidade e poderiam ter sido bem mais interessantes. mas este é um filme que ganha alguns pontos extras pelo seu ótimo final. A trama do crime é irrelevante; o tema relevante tratado é mais moral. Os atores fazem uma boa performance, onde o garotinho "pentelho" (Phillipe/Bobby Henrey) quase nos mata de raiva ao final da película.(risos)