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Data de lançamento
3 Set. 2008Duração
Diz a lenda que prisioneiros judeus em Auschwitz fizeram um julgamento no qual Deus foi o réu e o seu crime foi o de não ter mantido seu pacto com eles.
Um físico, um fabricante de luvas, rabinos, um professor de direito e pelo menos um criminoso, além de outros, analisam a história bíblica e a real. e também as suas experiências pessoais tentando chegar a um consenso: Deus é inocente ou culpado?
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Quando escrevo/falo sobre um filme ou livro, espero atingir o objetivo de apresentar por que ele é interessante/relevante. Se não for minimamente interessante, não vale a pena escrever sobre ele. Apresentar o enredo me importa menos, a arte pode nos afetar de diversas maneiras, mesmo ao tratar de uma história que, aparentemente, não é promissora. É preciso, contudo, estar com a mente aberta para captar aquilo que é dito e sentido pelos personagens, abdicar um pouco do autointeresse para participar de uma situação nova e de motivações que, eventualmente, nada terão a ver com as nossas.
God on Trial (2008, Andy De Emmony) não padece de nenhum problema de apresentação, é um filme que desperta curiosidade imediata: prisioneiros judeus, entre os quais diversos intelectuais, encerrados num campo de concentração de Auschwitz, alguns dos quais estão a poucas horas de serem enviados para a câmara de gás, decidem promover o julgamento de Deus. Eles improvisam um tribunal dentro do alojamento em que estão confinados e iniciam os processos de acusação e de defesa, tendo como base a ideia de que Deus descumpriu a sua parte no acordo feito com os judeus.
A execução do filme é perfeita. Há dor, medo e ódio sinceros nos personagens, eles são autênticos em seus sentimentos. Acompanhamos as defesas e acusações não apenas com base nos argumentos, mas também a partir das emoções. Em alguns momentos, saímos mais convencidos de uma fala pela sensibilidade que dela se manifesta do que propriamente pela força do argumento. Isso é um efeito muito relevante que God on Trial provoca e que diz respeito também à nossa capacidade de, no dia a dia, sermos afetados pelas narrativas sociais que nos rondam de diversos modos.
O argumento também importa. Sozinhas, as emoções são limitadas. Têm baixo poder persuasivo. Por isso o exercício da liderança requer conhecer sobre o que se fala e acreditar no que se diz. Argumento e emoção aparecem com altíssimo nível de parte a parte do julgamento, fazendo desse filme uma obra-prima em manejo do discurso e das ideias.
A sentença, sem dúvida, resultou de qual das partes melhor soube comover e argumentar.
Tenho questionamentos semelhantes que foram levantados nesse filme em relação a Deus,tem certas coisas que não dá para entender.
Ótimo filme para os mais céticos assistirem. Deu até vontade de levar esses questionamentos a quem é um padre ou pastor e vê as respostas que eles me dariam.
05/08/2022
Num formato quase de um documentário,temos uma narrativa impressionante e que nos causa tristeza logo nos primeiros minutos de filme.É algo parecido com "A Vida é Bela" e também com "O Menino do Pijama Listrado".
O mais curioso é poder observar alguns rostos conhecidos como Dominic Cooper e Stellan Skarsgard.Por sinal,estão ótimos em seus personagens.
>Assistido em 04 de Maio de 2019
-Dou nota 8/10
Muito bom. O filme levanta debates muito interessantes e faz o espectador refletir sobre diversas questões éticas e filosóficas.
No início do julgamento, quando é preciso estabelecer exatamente qual ou quais seriam as acusações contra deus, um dos prisioneiros diz que ele deve ser julgado por homicídio ou por ser cúmplice de homicídio. Porém a acusação acaba mudando para quebra de contrato, já que os judeus teriam feito um pacto com deus e seriam seu povo escolhido. Essa é melhor sacada do filme.
No final, um dos prisioneiros enumera as diversas vezes em que, de acordo com a Torá, para proteger ou beneficiar seu povo, deus teria assassinado ou ordenado aos judeus o genocídio de outros povos, sem misericórdia. Outro prisioneiro tenta argumentar dizendo que se trata do deus deles, no que o primeiro responde: mas deus não fez também os egípcios ou estes teriam sido obra de outro deus?. Ou seja, se deus criou todos os humanos, os animais e outras formas de vida, por que escolher apenas um grupo para proteger? Para que criar outros povos apenas para torturá-los e fazê-los sofrer?
Ao questionar a justiça da própria premissa na qual se baseia a acusação do julgamento, ele aponta para a hipocrisia de seus companheiros. A indagação não é por que que deus estava permitindo que os nazistas cometessem aquelas atrocidades e sim por que ele não protegeu os judeus especificamente. É bom lembrar que o nazismo também perseguiu e assassinou ciganos, homossexuais, comunistas e deficientes. Ele conclui: “O povo de Amalek, o povo do Egito... Como foi para eles quando Adonai se virou contra eles? Foi assim. Nosso deus não é bom. Ele não é bom. Nunca foi bom, apenas esteve do nosso lado”.
Ah antes de começar o filme assista de mente aberta, se veja no lugar deles (conhecimento, tipo de vida) e no decorrer das cenas / diálogos se permita questionar do que acredita. É de uma lição somada.