Navin Johnson é um bobalhão de meia idade, que resolve sair da casa de sua família adotiva para enfrentar o mundo. Trabalhando como frentista, é freqüentemente humilhado por sua ingenuidade, até o dia em que inventa um suporte para óculos e acaba ficando milionário.
The Jerk, dirigido por Carl Reiner e estrelado por Steve Martin, é uma das comédias mais icônicas e ao mesmo tempo mais subestimadas do final dos anos 1970. É um tipo de humor que simplesmente não se faz mais — politicamente incorreto, inocente e provocativo na medida certa. O filme tem uma liberdade criativa e uma coragem que hoje soariam quase impossíveis de ver em Hollywood. Há algo refrescante na forma como ele brinca com temas sensíveis sem maldade, apenas com um espírito debochado e genuinamente engraçado.
A trajetória de Navin R. Johnson, o protagonista vivido por Steve Martin, é deliciosa de acompanhar. Um homem ingênuo, criado por uma família negra no interior dos Estados Unidos, que acredita ser um deles e parte para o mundo em busca de sua identidade e de sucesso. Navin é uma figura absurdamente cativante, tola, mas de um coração imenso — um retrato da inocência em meio ao caos da vida adulta. Sua ingenuidade é o combustível de todas as situações surreais do filme, e Martin o interpreta com uma mistura perfeita de absurdo e ternura.
Ao longo da história, diversos personagens marcantes cruzam seu caminho — e o mais curioso é que muitos desaparecem sem deixar rastros. O dono do posto de gasolina onde Navin trabalha, por exemplo, é um desses coadjuvantes memoráveis que somem sem explicação, assim como o seu sócio na empresa Opti-Grab,
o invento que muda sua vida (para o bem e para o mal). É curioso notar que, quando o produto começa a dar problema e surgem os processos, apenas Navin é citado na televisão — seu nome é o único a carregar a culpa, enquanto o co-criador e verdadeiro detentor da patente simplesmente desaparece da narrativa.
Outro caso é o da ex-namorada do circo, uma figura divertida e caótica que marca a fase inicial da jornada de Navin,
mas que logo some, reforçando o caráter episódico e imprevisível do roteiro.
The Jerk não é exatamente um filme de gargalhar do início ao fim, mas está cheio de piadas inteligentes, situações absurdas e momentos que, provavelmente, não seriam mais aceitos hoje — o que só reforça o quanto o humor se tornou engessado com o tempo. Aqui, há liberdade, ousadia e, principalmente, criatividade. É uma comédia que brinca com estereótipos sem ser cruel, que faz rir sem precisar explicar a piada, e que prova como Steve Martin era (e é) um dos maiores gênios do humor americano.
Em suma, The Jerk é um marco da comédia que resiste ao tempo. Um filme espirituoso, inocente e brilhantemente tolo — exatamente o tipo de humor que faz falta nos dias de hoje.
Assistido em 05/11/2025
03.07.1996
05.10.1988
Um filme clássico da sessão da tarde, tem um bom contexto, não achei engraçado mas achei um filme com uma boa história
Primeiro filme inteiramente de Steve Martin.A comédia é bastante inteligente,com muitas referências,típico dos anos 70.O elenco de apoio consegue se apresentar bem.
>Assistido em 01 de Outubro de 2024