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Data de lançamento
31 Ago. 2012Duração
Wadjda tem dez anos de idade, e mora no subúrbio de Riade, a capital da Arábia Saudita. Ela é uma garota teimosa e cheia de vida, que gosta de brincar com os garotos. Um dia, após uma disputa com o amigo Abdullah, ela vê uma bela bicicleta verde à venda. Wadjda gostaria de comprar a bicicleta, para superar o colega em uma corrida, mas na sociedade conservadora onde vivem, garotas não podem dirigir carros ou bicicletas. Ela decide então fazer de tudo para conseguir o dinheiro sozinha.
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Mais um ótimo drama de amadurecimento, desta vez ambientado em um lugar extremamente conservador para meninas; também vale a pena mencionar que é o primeiro longa-metragem saudita dirigido por uma mulher e ela mostrou ter talento pra coisa.
O filme é fantástico dentro de sua premissa simples, por que vem inserido nas entrelinhas um peso de toneladas, que vai além do politico, cultural, mas religioso, de um canto do planeta onde ate algumas décadas atrás nascer do sexo feminino era ser inexistente..
Vou me ater ao filme, e esquecer um pouco o senso geopolítico, religioso, ou ser omisso por conveniência, como canais do youtube , mundo sem fim que nao vê nada demais onde vai, ate na coreia do norte, quando esteve na Arábia saudita, também levantaram sobre a mulher, com o teor militante que sempre levantam quando os convém, e aqui na obra quero estar longe de ser militante.
Mas assisti-la, foi um soco, e como se tivesse com algo engatado na garganta, como algo simples como ter uma bicicleta pode ser tão subversivo, e como aprisionar alguém dentro de você mesmo, a cena dela colocando o seu nome na arvore genealógica e depois ver o papel amassado, nao poder cantar pq os homens vão ouvir, em fim...é muito delicado comentar sobre religiões e cultura, o que esta certo ou errado, mas tem certos preceitos, algo muito maior, qye foge a isso, algo chamado humanidade, quando voce tira isso seja de homem ou mulher, você o apaga...
As atuações são aquela né, dentro do esperado, diante das circunstancias, Wadjda e uma alma que põe o nariz para fora da agua religiosa para respirar, a cena final da mãe e a menina na sacada foi de doer e emotiva...
Ser mulher numa sociedade hiper religiosa e misógina é um verdadeiro inferno. Tudo o que as meninas/mulheres fazem ou deixam de fazer é motivo de punição e escrutínio, e o mais intrigante é que os homens fundam essas sociedades retrógradas e horríveis mas quem age como a polícia da moralidade são as outras mulheres
em todas as cenas das meninas na escola interagindo quando a diretora ou uma das funcionárias pegavam uma das meninas fazendo qualquer outra coisa que não fosse recitar o Alcorão igual a um robô (ler uma revista, pintar as unhas, usar um tênis colorido). Até mesmo a mãe de Wadjda tem que viver se policiando e se desdobrando pra agradar o marido.
E pensar que esse filme é de 2012 e as meninas e mulheres não podiam andar de bicicleta e só no ano seguinte essa proibição imbecil foi removida (ainda que com muitas restrições, porque a cultura é sempre mais resistente e mais perniciosa do que a lei).
Nascer mulher não deve ser fácil. Imagina na Arábia Saudita. Visto em 20.04.21.
Forte e sensível. Coloca qualquer um pra chorar.