Dirigido por
Duração
John Smith é um misterioso pistoleiro que, após sua última façanha, conhece a cidade de Jericó, no Texas. Um lugar que mais parece uma cidade-fantasma desde que duas violentas gangues expulsaram todas as pessoas decentes. Smith percebe a oportunidade de jogar uma gangue contra a outra e ganhar uma bolada de dinheiro como matador de aluguel. Num jogo perigoso, John toma a lei em suas próprias mãos e arrisca sua vida para realizar o serviço.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
IMPRIMATUR - visto no cinema em 1996:
A tentativa de releitura é bem válida, é um filme seco que, para mim, quase deu certo.
Avaliação em nota: 5.9
Walter Hill mas não achou graça!
Bruce Willis brigando por um punhado de dólares!
Este filme, assim como Por Um Punhado de Dólares (1964), é uma recontagem da história de Yojimbo, o Guarda-Costas (1961), que por sua vez é baseado no romance "Red Harvest", de Dashiell Hammett, de 1927.
Walter Hill disse depois que ele e Bruce Willis "não eram próximos quando fizemos o filme", mas "eu gostei de trabalhar com ele. Era impessoal. Clássico, 'Eu sei o que você quer dizer. Você quer que eu seja do tipo Bogart, Mitchum' e eu disse: 'Exatamente. Deixe acontecer.' Ele então pegou isso e fez o que achei uma atuação muito boa. Sempre senti que havia um tipo de ressentimento central por Bruce achar que deveria ser mais valorizado por seus talentos. Ao mesmo tempo, acho que há uma limitação de que ele faz certas coisas melhor que outras, e nem sempre escolheu tão sabiamente."
Walter Hill considerou isso uma "adaptação livre" de Yojimbo, o Guarda-Costas (1961), e não um remake, chamando a ideia de refazer o filme de Akira Kurosawa de "um empreendimento tolo."
A arma preferida de John Smith é o Colt 1911 A1 semiautomático calibre .45 modelo governamental, do qual ele carrega uma órtese em um coldre de ombro duplo. Em uma cena, fica evidente que ele também carrega mais de vinte e cinco carregadores sobressalentes de 7 tiros para suas pistolas.
O Último Matador, dirigido por Walter Hill, é um daqueles filmes em que a ação fala mais alto que qualquer outra coisa. Inspirado no clássico japonês Yojimbo – O Guarda-Costas de Akira Kurosawa, ele transporta o conceito para um ambiente árido e violento do interior norte-americano dos anos 1930, em meio a gângsteres, traições e tiroteios incessantes.
Bruce Willis interpreta John Smith, um homem misterioso e letal que chega a uma cidade dominada por duas gangues rivais e decide jogar com ambos os lados. Aqui, Willis está em seu auge, no mesmo nível de ícones como Rambo e John Wick.
Quando ele entra em cena, é só contar os corpos — o famoso “exército de um homem só”. Suas pistolas competem com metralhadoras e têm impacto quase sobre-humano: cada disparo lança os inimigos para longe como se fosse um trovão de aço e pólvora. É o tipo de personagem frio, calculista e absolutamente implacável, que carrega no olhar mais ameaça do que qualquer fala.
Bruce Dern também marca presença e entrega uma boa atuação, mesmo já em idade avançada e aparecendo pouco. Seu personagem praticamente não toma partido nas brigas, preferindo se manter em cima do muro e observando tudo com uma sabedoria amarga. Essa postura combina perfeitamente com o tom desencantado do filme. Christopher Walken, por sua vez, é o coadjuvante de luxo de sempre — e, como em praticamente toda produção em que aparece, acrescenta algo essencial.
Seu personagem não é o líder nem o chefão, mas é o mais temido e o verdadeiro rival de John Smith: sanguinário, imprevisível e quase diabólico. Há um momento emblemático em que ele tenta manipular Smith dizendo “Você não é o tipo de cara que atiraria em alguém pelas costas, é?” Frase essa que já havia funcionado antes.
Walter Hill, o diretor, merece destaque pelo estilo seco e direto que imprime ao filme. Ele conduz as cenas de tiroteio com maestria, mantendo a tensão constante e um ritmo que, mesmo um pouco repetitivo, nunca deixa o espectador dispersar. Ainda assim, O Último Matador poderia ser um pouco mais curto, pois em certos trechos a narrativa parece esticar o que já foi dito e mostrado. Mesmo assim, é um filme que vale a pena pelos nomes envolvidos e pela intensidade de suas sequências.
É impossível falar de Bruce Willis hoje sem sentir uma ponta de tristeza. Um astro que marcou gerações com papéis icônicos, e que agora, devido à sua doença, praticamente não se lembra mais de quem é. Saber disso dá um peso emocional extra ao rever seus trabalhos — especialmente filmes como este, em que ele mostra toda a força, o carisma e o domínio de cena que o tornaram uma lenda do cinema de ação.
No fim das contas, O Último Matador é um bom filme — cheio de ação, tiros e personagens marcantes —, ainda que falte algo para torná-lo realmente grandioso. Mas, mesmo assim, ver Bruce Willis em sua melhor forma já é motivo suficiente para assistir.
Assistido em 22/10/2025