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Duração
Um avião jogando uma caixa sobre uma ilha isolada. O objeto cai próximo a dois guardas. O mistério começa a se desfazer: é dia de eleições e dentro do pacote estão uma urna e instruções para os dois guardas. A tarefa de ambos será esperar um agente responsável por encontrar e coletar os votos dos cidadãos da ilha. Um dos guardas (Cyrus Abdi) e uma agente do governo (Nassim Abdi) vão atrás de todos os habitantes que forem maiores de idade e possuam carteira de identidade. Durante a jornada, a dupla depara-se com as mais diversas situações, desde pitorescas e engraçadas, até críticas e complicadas.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
no fim do dia, ela termina mais sóbria - talvez se sentindo um pouco iludida pelas promessas de poder do voto, enquanto, ele se torna um pouquinho crente. e acho que é bem por aí mesmo
Essa é mais uma história iraniana daquele estilo “Neo-Realismo”, e bota realismo nisso. Um avião sobrevoa uma ilha isolada e joga uma caixa próxima a dois guardas. Na caixa contém uma urna e logo chega num barco uma agente do governo, que junto com um dos guardas ficam encarregados de recolher votos dos habitantes locais. Interessante notar que aqui, ao invés do povo se deslocar pra votar num determinado lugar, acontece justamente o contrário, a votação é que vai até o povo. Mas é um filme muito monótono, é chato demais acompanhar essa rotina da agente procurando pessoas para votar. Mesmo que na história tenham algumas situações curiosas dessa realidade tão diferente das nossas, o filme é cansativo ao extremo. Se fizessem um documentário curto de uns 45 minutos, teria sido muito mais interessante.
Filme válido como estudo social.
"A menina tem doze anos. Por que não pode votar?"
"Porque precisa ter dezesseis anos."
"Ela pode casar com 12 anos, mas não pode votar?"
URNA DISTANCIADA
Filme iraniano excessivamente 'contemplativo'. Pesa a favor dessa escolha as locações (os confins desérticos do Irã, numa região que subentendemos sempre estar próxima do litoral) e a fotografia que é competente, embora de modo algum brilhante e bem abaixo de outros filmes iranianos também muito 'contemplativos' mas melhores nesse aspecto, como "Gabbeh" e "Através das Oliveiras".
Tem lá seus méritos no fato de mostrar o distanciamento do processo eleitoral para as camadas menos urbanizadas do país (o que tem ampla ressonância no contexto brasileiro atual, que é de eleição fraudada, com campanha fria e esvaziada de mobilização popular). Se vê claramente que a personagem que faz a mulher da justiça eleitoral (constantemente discriminada pelo gênero) é bem intencionada, mas o quanto na prática o processo é alheio ao povão. Há até um sujeito que diz querer 'votar em deus'.
Enfim, vale pra refletir sobre o momento atual do Brasil (apesar de ser um filme iraniano) e da contestação cada vez mais mundial às democracias representativas, no entanto padece de uma narrativa arrastada demais, com montagem pra deixar o filme numa pasmaceira que desfavorece as tentativas (sempre mal sucedidas) de causar humor.
Alguns filmes iranianos me surpreenderam pela carga emotiva envolvida e gostei. Outros me surpreenderam pelo primitivismo envolvido e não gostei.
O filme me fez lembrar cenas do polígono das secas do nosso nordeste, do solo e do povo. Assim como no Irã o regime Teocrático controla o povo em nome de Maomé, no Nordeste o regime Oligárquico controla o povo em nome de Padre Cícero. Ambos os povos se mantêm miseráveis.