Há uma beleza e melancolia em “On the Sea” que não poderiam ser diferentes por causa da fotografia predominante com cores frias. As relações se desenvolvem num ambiente quase inóspito e claustrofóbico onde a vida segue um ritmo predeterminado. As pessoas naquele lugar se conhecem desde sempre, sem espaço para o diferente. Mas bastou um forasteiro aparecer e as coisas começaram a mudar, particularmente para o Jack, um homem maduro que dedica a vida ao trabalho na empresa familiar e à rotina com a esposa e o filho. O encontro com Daniel trouxe uma oportunidade, mas os dois são opostos em quase tudo: a história de vida, o contexto familiar e a autoaceitação. Por esses motivos, a relação entre eles poderia não funcionar; ao contrário, funcionou para além da simples atração e eles encontram o amor um no outro. É muito bonito assistir à entrega apaixonada de Jack e Daniel nos pequenos momentos de felicidade em que estão se envolvendo e compartilhando detalhes da história de cada um até ali. É aquele encontro em que parece que tudo vai dar certo e eles começam a construir a cumplicidade de quem encontrou a pessoa certa — só faltava uma oportunidade para viverem juntos. O filme tem uma direção excelente que consegue conduzir a trama de forma quase poética, mesmo quando aumenta a tensão. O roteiro é muito bem elaborado, com diálogos e silêncios que mostram o impacto transformador do desejo correspondido e o que isso representa para aqueles dois homens. A história tem um subtexto em que os olhares e insinuações revelam mais do que é mostrado. Acho isso tão interessante porque convida o espectador a preencher esses espaços. O elenco é ótimo, mas o destaque é Barry Ward, que entrega a atuação na medida perfeita do homem que se reprimiu por toda a vida. As últimas cenas de Jack e Daniel
são a representação do significado da palavra agridoce, mas pelo menos foram emolduradas com belos diálogos de cumplicidade e imagens de amor como tem que ser. É tocante a maneira como a (ex-)esposa e o filho superam o preconceito de alguma forma e acolhem o Jack, dando a ele a chance de viver um final digno junto do homem que ama.
Na minha opinião, o filme tem as qualidades para estar entre os grandes dramas que são referência do cinema gay atual, como “Brokeback Mountain” e “God’s Own Country”.
porque gays sempre tem um final triste????????
a definição de "pick a struggle".
homofobia, briga com o filho, disputa pela empresa, câncer, divórcio.
achei bem comum!
E sinceramente essa fórmula pronta de gay morrendo no final, já deu né?
Não entendo essa tara sexual de roteiristas em
tornar o universo gay, o romance entre homens algo tão sofrido e impossível de se concretizar de forma saudável
Não me espanta que Reated Rivalry tenha conquistado tantos fãs, é possível
ter happy endings no mundo de hoje.
Já é um clássico queer pra mim.
Há uma beleza e melancolia em “On the Sea” que não poderiam ser diferentes por causa da fotografia predominante com cores frias. As relações se desenvolvem num ambiente quase inóspito e claustrofóbico onde a vida segue um ritmo predeterminado. As pessoas naquele lugar se conhecem desde sempre, sem espaço para o diferente. Mas bastou um forasteiro aparecer e as coisas começaram a mudar, particularmente para o Jack, um homem maduro que dedica a vida ao trabalho na empresa familiar e à rotina com a esposa e o filho.
O encontro com Daniel trouxe uma oportunidade, mas os dois são opostos em quase tudo: a história de vida, o contexto familiar e a autoaceitação. Por esses motivos, a relação entre eles poderia não funcionar; ao contrário, funcionou para além da simples atração e eles encontram o amor um no outro. É muito bonito assistir à entrega apaixonada de Jack e Daniel nos pequenos momentos de felicidade em que estão se envolvendo e compartilhando detalhes da história de cada um até ali. É aquele encontro em que parece que tudo vai dar certo e eles começam a construir a cumplicidade de quem encontrou a pessoa certa — só faltava uma oportunidade para viverem juntos.
O filme tem uma direção excelente que consegue conduzir a trama de forma quase poética, mesmo quando aumenta a tensão. O roteiro é muito bem elaborado, com diálogos e silêncios que mostram o impacto transformador do desejo correspondido e o que isso representa para aqueles dois homens. A história tem um subtexto em que os olhares e insinuações revelam mais do que é mostrado. Acho isso tão interessante porque convida o espectador a preencher esses espaços. O elenco é ótimo, mas o destaque é Barry Ward, que entrega a atuação na medida perfeita do homem que se reprimiu por toda a vida.
As últimas cenas de Jack e Daniel
são a representação do significado da palavra agridoce, mas pelo menos foram emolduradas com belos diálogos de cumplicidade e imagens de amor como tem que ser. É tocante a maneira como a (ex-)esposa e o filho superam o preconceito de alguma forma e acolhem o Jack, dando a ele a chance de viver um final digno junto do homem que ama.
Na minha opinião, o filme tem as qualidades para estar entre os grandes dramas que são referência do cinema gay atual, como “Brokeback Mountain” e “God’s Own Country”.