As duas irmãs de criação Louise e Henriette crescem juntas e desenvolvem uma forte relação. Henriette jura cuidar para sempre da irmã, que é cega. Em uma viagem a Paris, as duas são separadas por um aristocrata, que está interessado em Henriette. O reencontro das duas mulheres se dá tendo como pano de fundo a Revolução Francesa.
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"Orphans Of The Storm", de D.W. Griffith, é um drama de época ambientado na Revolução Francesa. O filme tem como protagonistas as irmãs Lillian e Dorothy Gish, que aparecem delicadas e encantadoras, quase como duas bonecas, mas são submetidas a uma trajetória marcada por intenso sofrimento e provações. A história mostra a separação das duas jovens e os obstáculos cruéis que enfrentam, combinando emoção intensa com cenários grandiosos e uma atmosfera histórica.
O impacto visual está presente, assim como em outros filmes de Griffith, porém o enredo distorce eventos e personagens históricos. Figuras como Danton e Robespierre são retratados de forma desvirtuada, em circunstâncias que não correspondem às suas atuações na Revolução. Essa liberdade artística, embora eficaz para o cinema, distancia o filme da realidade histórica.
Nos primórdios da cinematografia, ainda na era muda, o primeiro grande mainstream cineasta emprega técnicas até então inovadoras e tom narrativo modelado para recriar uma Paris a ponto de eclodir a Revolução Francesa, esboçando, novelescamente ao seu jeito, o famigerado mote liberdade, igualdade e fraternidade, sendo este o tema mais bem trabalhado e explicitado neste épico e interessante melodrama. Pendendo para um lado desde o prólogo, ou seja, nunca desonesto, Griffith pontua tanto a luta quanto a compreensão interclasses refutando o ódio destrutivo, fazendo uso de personagens reais históricos como Maximilien de Robespierre e Georges Jacques Danton. A longa duração, que nunca é um problema, aqui, atrapalha o desenvolvimento, pois torna-se a trama cansativa, principalmente na metade inicial. E como estão perfeitas as irmãs Gish!
O filme menos 'polêmico' de Griffith e um dos mais curtos.Algumas cenas nesse filme se imortalizaram pela qualidade que foram realizadas.Griffith continuava inovando em suas direções.Trilha sonora é caprichosa,dando ritmo ao filme em vários momentos.No mais,as irmãs Gish eram de outro mundo.
-23 de Julho de 2022
Analisando a película 100 anos depois de lançada soa até meio desonesto fazer críticas, pois o momento é outro, os anseios são bem diversos. Vendo hoje, fiquei incomodado apenas com a longa duração (2,5 h) para um filme mudo, o que torna-se uma ação hercúlea em acompanhá-lo. Ver as irmãs Gish em cena é sempre prazeroso. As cenas finais da guilhotina são fantásticas, cheias de suspense, dando uma aula aos diretores contemporâneos do gênero. A trilha sonora também é belíssima.
Tal qual O Nascimento de Uma Nação, este aqui também é um exemplar de cinema reacionário, escolhendo Danton em detrimento de Robespierre como também fez Andrej Wajda. Tem, no entanto, os prós do pai do cinemão estadunidense: bom mise em scene, com características hoje clichês que na época eram novidade (como o "deus ex machina") e excelente atuação das irmãs Gish.