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Um jovem rico, muito mimado, ao ver seu pai indo à falência, organiza um plano para reverter a situação. Ele consegue um cúmplice para armar um flagrante do tio rico com uma mulher. O objetivo era tirar fotos e tentar ganhar dinheiro através de uma chantagem.
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Gostei dos planos de composição bonita na praia, em especial à noite, e do fato de ter se tornado uma cápsula temporal de um Rio de Janeiro cuja paisagem do litoral exibia uma refrescante escassez de empreendimentos imobiliários. Também curti o panorama da política mundial de então na cena final... Para além disso, não sei como me sinto em relação ao uso quase ininterrupto de música na primeira metade do filme e da abstenção total na segunda parte. Não fui capaz de extrair muito deste clássico, não há muito aqui para alguém como eu além de tédio. "Os Cafajestes" é uma das obras sempre citadas quando o assunto é cinema novo, e Ruy Guerra é meu mestre, sem dúvidas uma lenda... mas seu cinema, na maior parte do tempo, não vibra muito na minha frequência.
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Péssimo. Completamente sem nexo.
Não é ruim, mas algumas cenas me incomodaram bastante. Não sei muito o que pensar desse filme. Só que a Norma Bengell era uma baita atriz.
"Os Cafajestes", de 1962, foi o primeiro filme dirigido por Ruy Guerra no Brasil. A atriz Norma Bengell protagonizou o primeiro nu frontal do cinema brasileiro neste célebre clássico da década de 60. Jece Valadão e Daniel Filho arrasam no quesito atuação.
Ousado e controverso, este filme não se prende ao compromisso de diagnosticar cultural e socialmente o país, embora construa uma crítica contundente à alienação da classe média. Há, também, um certo moralismo que se concretiza na própria estrutura do filme e no fundo, uma crença na consciência que está além dos próprios personagens, e da qual é porta-voz o próprio cineasta-autor, Ruy Guerra.
A primeira vez que assisti este antológico filme foi no Centro Cultural São Paulo, na década de 90. Produzido em P&B, "Os Cafajestes" é um dos filmes mais complexos e revolucionários da história do cinema de vanguarda nacional.
Embora esteja associado ao Cinema Novo, “Os Cafajestes”, filme de estreia de Ruy Guerra, antecipa algumas características que seriam exploradas pelo cinema experimental do final da década de 1960. Nesse sentido, a influência da Nova Onda do cinema francês – identificada em ambos os movimentos brasileiros, é palpável em diversos momentos do longa: nas perambulações aparentemente sem rumo dos protagonistas, na atmosfera de inconformismo e inadequação social, na liberdade associada aos movimentos da câmera etc. Lançado em 1962, “Os Cafajestes” enfrentou forte resistência da moral conservadora brasileira, afinal, foi um dos primeiros filmes nacionais a enfocar a violência sexual como uma das temáticas nucleares, trazendo, inclusive, a primeira nudez frontal às telas – protagonizada por Norma Bengell. O filme, que não tem a pretensão de estabelecer um diagnóstico social e cultural sobre o Brasil, desempenha, contudo, uma contundente crítica à alienação da classe média nacional, que, dois anos depois, estrelaria a infame parcela civil do Golpe de 1964. Nesse sentido, a resistência pública ao longa ilustra indiretamente esta alienação de classe que o filme ataca impiedosamente.
Entre a perversão e o moralismo, “Os Cafajestes” desenvolve uma história de humilhação de mulheres por dois cafajestes inescrupulosos que se armam da sexualidade feminina como moeda de troca para uma chantagem indecente. Como plano de fundo, as inconsistências de um país profundamente marcado por desigualdades de classe, raça e gênero. No filme, Jece Valadão e Daniel Filho interpretam, respectivamente, Jandir, um malandro pobretão e ambicioso que não tem nada a perder, e Vavá, um playboy fraco e covarde que está prestes a perder a mesada diante da falência iminente do pai. Os dois levam Leda (Norma Bengell), amante do tio rico de Vavá, a uma praia deserta e convencem-na a ficar nua; depois disso, roubam a sua roupa e fotografam-na exposta e frágil à beira-mar (num longo plano-sequência rodopiante que causa indignação e mal-estar). O objetivo: chantagear o tio rico em troca das fotografias da amante. A partir daí, os três estarão ligados a circunstâncias que evidenciarão suas incompatibilidades, pretensões e fraquezas.
⭐ 4.3 / 5.0