Nas estepes de Kuban, o amor nasce enquanto o trigo é (entusiasmadamente) colhido. Galina, a energética presidenta de um dos kolkhozes (fazendas coletivas da URSS) compete com seu equivalente masculino pela melhor colheita. Ao mesmo tempo, Gordey, seu rival, um ex-soldado é (e tem sido por anos) apaixonado por ela.
Por sua vez, Dasha, uma trabalhadora agrícola, tem fortes sentimentos por um jovem técnico da lavoura concorrente.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Marília Mendonça: Sentimento Louco
"Como o sol da primavera, para acariciar e esquentar o mundo todo. Nossa felicidade caminha conosco, não precisamos procurá-la."
O musical mais caro rodado na extinta União Soviética chega com brilho e cor em DVD no Brasil em uma boa cópia restaurada pela Mosfilm (o filme é de 1949, foi lançado nos cinemas russos em 1950, e a restauração se deu em 1968). Em sua obra máxima, o cineasta Ivan Pyrev (1901–1968), diretor de “Os tratoristas” (1939), “Às seis da tarde, depois da guerra” (1944) e “O idiota” (1958), registra a rotina de um grupo de cossacos (que são os nativos das estepes da Eurásia, conhecidos pela coragem nas guerras e por deterem de um sistema autossuficiente de produção de alimentos). Eles vivem felizes pela região ensolarada, produzindo trigo e grãos, cantam e dançam, e se preparam para um festival cultural. Existem ali dois kolkhozes rivais (fazendas de produção de alimentos ligadas ao Estado soviético, organizadas como cooperativas camponesas), e um membro de um grupo se apaixona pela líder de outro, gerando uma série de imprevistos entre as comunidades.
O filme é uma propaganda dos kolkhozes, como arma publicitária do governo soviético da época, por isso tudo é leve, engraçado e vívido (ou seja, não é um filme crítico, e sim panfletário). E é um autêntico musical, nos moldes russos (vale pontuar que a URSS produziu diversos musicais, e alguns chegaram no Ocidente, como “Os ciganos vão para o céu”, de 1975), com atores cantando e dançando músicas regionais. O visual é de cores vivas na fotografia e nos figurinos, e uma ambientação clássica dos anos 40, quase toda rodada em locações, das estepes verdes ao rio Kuban, um dos mais importantes do país, com seus 870km de comprimento.
Vale para quem gosta do gênero e para quem queira conhecer produções da Rússia, cuja linguagem cinematográfica é bem diferente da americana, da qual estamos habituados. Gostei e indico. Em DVD pela CPC-Umes Filmes.
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB
Dos filmes soviéticos que já vi que foram realizados no período em que o Realismo Socialista vigorou como estilo artístico oficial na União Soviética, este me parece, até agora, o que melhor levou a atmosfera e a estética das pinturas, cartazes e murais para o cinema, tornando-o visualmente bastante peculiar.
Pinturas do Realismo Socialista em movimento, embaladas por músicas alegres festejando o trabalho coletivo e a vida comunitária nas fazendas coletivizadas.
Visualmente interessante, mas com um roteiro muito padrão, envolvendo rivalidades e tramas amorosas. Em certo momento pensei em reclamar da propaganda soviética, mas, se pararmos para pensar, os filmes estadounidenses da mesma época propagandeavam ainda mais sobre o "american way of life".
Nota: 6.8.
Conheci na TV Brasil, que exibiu algumas produções soviéticas nesses últimos meses. Um filme curiosíssimo, com alguns diálogos engraçados e bons e bonitos números musicais.