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China, 1989. Em meio a um clima de incertezas políticas, um casal de jovens universitários vive uma história de amor e ódio, complexa e cheia de erotismo. Yu Hong deixou para trás sua vila natal, sua família e seu namorado, a procura de um mundo novo em Pequim. Lá, ela conhece o colega Zou Wei, e quando os estudantes saem às ruas para exigir democracia e liberdade, eles se vêem totalmente envolvidos pelos acontecimentos marcantes de seu tempo. O filme mostra uma reconstituição do massacre da Praça da Paz Celestial, e foi exibido na competição do Festival de Cannes de 2006, mesmo não tendo sua exibição autorizada pelo governo chinês.
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Com o "pouco" que mostra dos protestos na Praça da Paz Celestial, esse filme já é um dos únicos a fazê-lo na China, o que não é pouca coisa, rendendo-lhe muita censura e certa perseguição aos envolvidos. É compreensível que a cena seja breve (mas intensa), entre as molduras dos relacionamentos amorosos. A presença ostensiva de cenas de sexo também o torna um exemplar proibido do cinema chinês da sexta geração. A protagonista me lembrou um pouco a personagem de "Aos nossos amores", do Pialat, por conta da melancolia constante, que mal se apazigua nos encontros sexuais.
Embora o comentário do filme sobre "desejo" seja sempre meio óbvio, o retrato da vida dos personagens através da história da China é soberbo, me faz quase esquecer o quão melodramático o filme é, e alguns detalhes que passam longe de serem fidedignos da época. Porque a política que se mistura com a vida, que se choca com o amor brutal, e todas as coisas que nunca parecem boas mesmo quando são, é ambivalente demais para se ignorar. E o filme consegue colocar isso muito bem ao longo das cenas, e graças, claro, a um elenco formidável. É um dos melhores do Lou Ye.
"Whether there is freedom and love or not, in death everyone is equal. I hope that death is not your end. You adored the light, so you will never fear the darkness."
["Meu querido, para que possa contar meus pensamentos precisamente, estou escrevendo para você. Queria te dizer isso desde que te conheci, minhas emoções renasceram mais uma vez. Mas, ao mesmo tempo, conheci a pobreza material. Uma pessoa consegue viver na penúria. Mas, se há duas, uma vida dessas só pode produzir ressentimento. Deveríamos nos separar. De sua amada, Hu Hong"][/"Neste momento, no trabalho e na vida, estou condenada à pobreza. E essa existência pobre mostra que meus desejos e minha natureza romântica me custaram caro. Mas, se minha vida piorar, jamais perderei a coragem de viver. Pessoas como nós estamos ligadas a este destino."]
Pela sinopse do filme, de que era baseado numa história real em meio às manifestações de alunos chineses na Praça da Paz Celestial em Pequim, já fiquei imaginando que veria uma reconstituição fiel dos fatos, explicando o motivo dos protestos e culminando talvez com a famosa cena em que o estudante desafia o tanque de guerra. Mas que nada, a história é de uma garota que sai de uma pequena cidade para ingressar na Universidade de Pequim, e lá conhece o amor da sua vida. Então ficamos entre as cenas de paixão entre os “pombinhos” e os constantes desentendimentos dos dois. Aliás, que garota estranha essa protagonista, sempre demonstrando um comportamento dos mais instáveis. A reconstituição de época com os bastidores das moradias estudantis está perfeita, mas a história mesmo (de quase duas horas e meia), não ajuda muito.
Yu Hong (Hao Lei) é uma bela garota de 17 anos que logo deixará a pequena cidade fronteiriça onde nasceu e foi criada para frequentar a faculdade na Universidade de Pequim. Pouco antes de Yu Hong sair para a escola, ela dá a sua virgindade para seu namorado de longa data, Xiao, e se compromete a permanecer fiel a ele. Na Universidade de Pequim, Yu Hong faz amizade com Li Ti (Hu Ling), outra garota que trata de um relacionamento de longa distância, e conhece Zhou Wei (Guo Xiaodong), uma estudante bonita que logo rouba seu coração. Yu Hong deixa seu relacionamento com Xiao para se comprometer com Zhou Wei, e ela é varrida por seus sentimentos por ele enquanto abraçam as novas liberdades sociais e econômicas que estão sendo sentidas no campus. A capacitação sentida pelos estudantes em Pequim chega a um ponto central durante uma série de manifestações na Praça Tiananmen; Os protestos têm consequências trágicas, e a excitação de novas possibilidades dá lugar a um sentimento de derrota. Yu Hong e Zhou Wei estão separados e a consciência pesada do estado é trazida para suportar os estudantes rebeldes...
Este é primeiro filme chinês a apresentar nudez masculina e feminina frontal, "Yiheyuan" (Summer Palace) recebeu sua estreia mundial como uma seleção oficial no Festival de Cannes 2006.
O ponto forte é sem dúvida o elenco atuante bem como o idealismo juvenil e suas consequências infelizes abordadas no longa. O elenco de apoio é uniformemente fino e se destaca na criação de um espectro emocional adequado às tonalidades descontroladamente variadas do ambiente realístico.