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Data de lançamento
28 Ago. 2025Duração
O filme acompanha Tunico, uma subcelebridade que vive de aparecer no fundo de reportagens sobre tragédias, e Beto, um jovem misterioso que sonha em ser visto. Depois de um acidente, os dois se aproximam e entram num jogo perigoso de fama, ambição e violência.
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É de um suspense instigante e que difere dos muitos outros existentes. Não que a originalidade vá carregar o filme por completo, mas é bacana a sensação de curiosidade que deixa ao fim da sessão.
"Eu nunca perdi um caixão."
Papagaios (Brasil, 2025)
Direção: Douglas Soares.
Com: Gero Camilo, Ruan Aguiar, Ernesto Picolo, Léo Jaime.
O filme acompanha Tunico, uma subcelebridade que vive de aparecer no fundo de reportagens sobre tragédias, e Beto, um jovem misterioso que sonha em ser visto.
Depois de um acidente, os dois se aproximam e entram num jogo perigoso de fama, ambição e violência nesse intrigante filme!
- remete bastante ao O Abutre, mas esse aqui tem um escopo e profundidade até maiores, a busca pela fama, o estilo de vida e sem falar que a ave daqui é bem mais colorida
- o filme capricha na fotografia, lindo de ver
- acredito que passa no começo dos anos 2000, quando a internet ainda engatinhava e uma época antes dos influenciadores, onde a fama vinha pelos jornais e TV
Antes de adentrar a sessão, recebi mensagens de amigos queridos, que desgostaram do filme. Eu estava ansioso por conferi-lo desde que li a sua sinopse inusitada em Gramado, e fiquei ainda mais quando o diretor, em sua apresentação local, aqui em Sergipe, disse que tratava-se de "um filme sobre desejo". Dito e feito, era - e, como tal, fui arrebatado. Gostei muito da dinâmica entre os dos atores, ainda que eu tenha me incomodado com algo na composição insuficiente no personagem de Ruan Aguiar, não obstante a sua interpretação ser muito boa. A entrega de Gero Camilo ao papel é repleta de camadas e a fotografia do filme é um primor. Gostei muito de aspectos insuficientemente esclarecidos na trama e da "reconstituição de época", visto que o filme se passa numa era de internet ainda incipiente, em que os telefones celulares serviam, de fato, para fazer ligações. Dentro da lógica aguardada de constatação dos desejos insatisfeitos (ou até mesmo insassumidos), o filme obviamente devastou-me, em âmbito psicológico pessoal, no sentido de que eu identifiquei-me obliquamente com as angústias dos personagens. Quando o roteiro precisa aderir as convenções de gênero policial, não funciona tanto, mas mesmo os seus defeitos são validados pela aceitação discursiva dos erros dos personagens, que parecem queridos pelo realizador, em termos de inaudita empatia. Léo Jaime está ótimo em cena também. Suas canções caíram como uma luva, enquanto extensões emocionais do enredo: "onde foi que eu errei ?"... Onde ?! (WPC>)
A narrativa é um pouco batida. Tudo pode ser visto como uma grande metáfora sobre influenciadores e sub-celebridades no mundo atual e como essa gente faz se tudo pra se aparecer, assunto que já foi abordado milhões de vezes. A história não se torna genérica devido a alguns elementos muito específicos, e aqui falo de dois exemplos: Claudete Troiano e Leo Jaime. Um típico filme brasileiro que insere personalidades muito específicas em algum momento, como uma participação especial para fazer quem assiste sorrir só pela sua existência. E esse detalhe é o que transforma algo genérico em uma coisa cativante. Esse detalhe é o cinema nacional, e o cinema nacional não é um detalhe.
O que tem mais cara de Brasil do que a televisão brasileira?
Enfim, pra além disso, o lance é isso aí mesmo, tem quem apareça estando no lugar certo na hora certa, tem quem apareça matando gente. Não podemos negar que Tunico teve seu momento Macabeia.
Para quem gostou, recomendo Paraíso Perdido. Tem os mesmos modismos, de certa maneira.