O filme segue três pessoas cujos caminhos se cruzam durante um tempo na terrível guerra: Olga, uma emigrante aristocrática russa e membro da Resistência Francesa; Jules, um colaborador francês e Helmut, um oficial de alta patente alemã SS.
Me surpreendeu absurdamente a abordagem escolhida para contar essas histórias, o dinamismo de colocar aqueles personagens como se estivessem dando um depoimento à algum policial determina um ar diferente a um tema já tão batido. É como se em cada olhar, cada relato, reside um verdadeiro mar de complexidades. E é aí que está o grande trunfo do filme. Por mais incontestáveis que sejam as diversas obras sobre a Segunda Guerra Mundial, a maioria sempre acaba se repetindo. Coisa que não acontece aqui. “Paraíso” se mostra um exercício interessante ao focar principalmente no cotidiano mais humilde de pessoas em tempos de guerra. E a forma que o diretor escolheu para analisar diversas camadas de um mesmo tema, foi ímpar. Um retrato intimista e minucioso sobre o sofrimento humano.
Um pouquinho confuso por certos cortes e tomadas de cenas, mas que se explica pela pretensão de dar um "punch" diferente dos demais filmes do gênero. "Paraíso" é belíssimo. Pela fotografia em preto-e-branco e pela fidelidade estética naquilo em que fez de tema, já que circula desde delegacias parisienses aos campos de extermínio nazistas, e por aquilo que Bandine comentou mais abaixo e que entendo por "humanização" de uma História, "Paraíso" lhe toca no íntimo pelo não-comum dos filmes sobre o drama da caçada humana perpetrada pelos nazistas.
Como o Bandine fez o comentário definitivo, queria comentar só como dos três arcos narrativos, foi o de Helmut o que mais me surpreendeu. Não pela questão de "jovens com formação acadêmica" que se enfiaram de cabeça nas loucuras do nazismo, e que aqui é tão bem debatido numa de suas ~entrevistas~ no miolo de "Paraíso", nem pela disciplina arraigada no trato com seus pares e prisioneiros no campo. Isso, até em veículos midiáticos mais amplos, já recebiam uma atenção especial. Mas além da prova destas hipocrisias de crença, me pegou pelo contrapé ver num personagem uma assunção do Übermensch pelo pensamento nazista. Distorcido e vilipendiado do significado original, do Nietzsche, vemos aqui no "Paraíso" como na prática esta categoria filosófica foi, por sua adaptação, literalmente transformada numa crença quase utópica na "imortalidade germânica" ou em merdas racistas do tipo.
Não confiem nesta média baixa do Filmow. Isso aqui vale uma chance e, pra professores, é quase uma mina de ouro para usos em sala e debates dos mais diversos tipos, do Fundamental ao meio acadêmico.
11/01/2021
gostei
25/07/20
Me surpreendeu absurdamente a abordagem escolhida para contar essas histórias, o dinamismo de colocar aqueles personagens como se estivessem dando um depoimento à algum policial determina um ar diferente a um tema já tão batido. É como se em cada olhar, cada relato, reside um verdadeiro mar de complexidades. E é aí que está o grande trunfo do filme. Por mais incontestáveis que sejam as diversas obras sobre a Segunda Guerra Mundial, a maioria sempre acaba se repetindo. Coisa que não acontece aqui. “Paraíso” se mostra um exercício interessante ao focar principalmente no cotidiano mais humilde de pessoas em tempos de guerra. E a forma que o diretor escolheu para analisar diversas camadas de um mesmo tema, foi ímpar. Um retrato intimista e minucioso sobre o sofrimento humano.
Excelente filme, e belíssima fotografia. Recomendo!!!
Um pouquinho confuso por certos cortes e tomadas de cenas, mas que se explica pela pretensão de dar um "punch" diferente dos demais filmes do gênero.
"Paraíso" é belíssimo. Pela fotografia em preto-e-branco e pela fidelidade estética naquilo em que fez de tema, já que circula desde delegacias parisienses aos campos de extermínio nazistas, e por aquilo que Bandine comentou mais abaixo e que entendo por "humanização" de uma História, "Paraíso" lhe toca no íntimo pelo não-comum dos filmes sobre o drama da caçada humana perpetrada pelos nazistas.
Como o Bandine fez o comentário definitivo, queria comentar só como dos três arcos narrativos, foi o de Helmut o que mais me surpreendeu. Não pela questão de "jovens com formação acadêmica" que se enfiaram de cabeça nas loucuras do nazismo, e que aqui é tão bem debatido numa de suas ~entrevistas~ no miolo de "Paraíso", nem pela disciplina arraigada no trato com seus pares e prisioneiros no campo. Isso, até em veículos midiáticos mais amplos, já recebiam uma atenção especial.
Mas além da prova destas hipocrisias de crença, me pegou pelo contrapé ver num personagem uma assunção do Übermensch pelo pensamento nazista. Distorcido e vilipendiado do significado original, do Nietzsche, vemos aqui no "Paraíso" como na prática esta categoria filosófica foi, por sua adaptação, literalmente transformada numa crença quase utópica na "imortalidade germânica" ou em merdas racistas do tipo.
Não confiem nesta média baixa do Filmow. Isso aqui vale uma chance e, pra professores, é quase uma mina de ouro para usos em sala e debates dos mais diversos tipos, do Fundamental ao meio acadêmico.