Dirigido por
Duração
A ceia de Natal está pronta. A família Colapietro irradia paz e tranquilidade. A casa paterna se enche de risos, gritinhos de crianças, muitas lembranças em comum, muitos segredinhos, histórias picantes e fofocas para trocar. Antecipando as delícias da mesa, todos esperam o momento de começar a mais esperada comemoração do ano. Então, a matriarca da família anuncia que ela e o marido estão muito velhos para continuarem vivendo sozinhos e decidiram ir morar com um de seus filhos ou filhas. É claro que ninguém quer ficar com os velhos, e a festa ameaça virar uma autêntica batalha entre irmãos, todos ansiosos para se livrarem da incômoda responsabilidade.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
As Novas Desventuras de Cliff Booth
Eu entendo o começo mais parado e todo o contexto e ação do desenvolvimento, não só dos personagens, como também das situações em que se encontram. Confesso que não gostei muito dele como comédia, mas, como drama, funciona muito bem — é algo bem real, não apenas na Itália, mas também para muitas famílias brasileiras. Ainda mais no meu caso, que venho de uma família descendente de italianos: vemos quase tudo o que aparece no filme refletido dentro da nossa própria vivência.
É incrível como todos dizem que amam, que se emocionam ao pensar em ficar sem os pais, e que são gratos por tudo o que receberam — mas, na prática, nenhum deles está disposto a sacrificar algo para tê-los por perto. O filme retrata com ironia e amargura justamente essa contradição: o amor declarado, mas egoísta, que se dissolve diante da conveniência. O que os pais fizeram quando decidiram ter filhos — abrir mão, se sacrificar, adaptar a vida — nenhum dos filhos parece capaz de retribuir. Eles discutem e tentam decidir quem ficaria com os velhos, pensam em várias possibilidades, mas nenhum deles quer assumir essa responsabilidade.
A situação atinge o ápice quando, assistindo a uma notícia na televisão sobre mortes causadas por estufas a gás, os filhos se entreolham e, de forma silenciosa, compartilham uma ideia cruel. A partir daí, a “solução” se torna implícita: compram uma estufa, já imaginando que os pais, em idade avançada, poderiam acabar cometendo algum “acidente”. O final, amargo e simbólico, mostra que a família, incapaz de cuidar com amor, prefere se livrar do problema — o que torna o desfecho tão trágico quanto coerente com o comportamento deles ao longo de toda a história.
Enfim, há coisas boas no filme — até uma certa nostalgia. Mesmo sem ter vivido exatamente o que é mostrado, ele desperta lembranças dos velhos tempos de família, dos Natais e Anos Novos, de uma época em que o final do ano era realmente especial. “Parente é Serpente” é, acima de tudo, uma sátira cruel e realista sobre o egoísmo familiar e o envelhecimento, que provoca desconforto e reflexão mais do que risadas.
Confesso, porém, que não me agradou nem a comédia nem a maioria dos personagens — exceto os dois velhinhos, que, com sua ternura e inocência, acabam sendo as únicas figuras realmente humanas e dignas de empatia em meio a tanto cinismo.
Assistido em 14/10/2025
A primeira vez que assisti esse filme eu devia ter uns 8 anos, assisti com a minha avó, que hoje já é falecida. Reassistir ele sempre me transporta pra esse dia, como eu amo reviver esse momento, as risadas que dávamos ao longo do filme e os olhos arregalados diante dos absurdos que só um filme italiano é capaz de entregar! Esse filme é maravilhoso em todas as suas dimensões!!
26.02.1995
aquele final me pegou muito, só por ele já vale a pena assistir!
O filme demora a pegar no tranco, até entendo porque é importante pra estabelecer o que vem depois, mas quase me perdeu ali. De resto, tudo ali é muito real: Filho que não quer saber dos pais idosos, mas não abre mão dos bens deles; irmão casado querendo jogar responsabilidade no irmão solteiro (incluindo até os próprios filhos, o que não é o caso aqui mas também acontece); nora ameaçando divórcio se o filho trouxer os pais pra morar na casa deles. Enfim, tudo ali é muito real.