Apesar de eu ter adorado os letreiros meio godardianos, admito que não consegui acompanhar as passagens de tempo nem distinguir os personagens. O que, nalgum sentido, é pouco relevante, visto que o roteiro é justamente sobre as repetições relacionais, os vícios que (re)instalam-se com o decorrer dos anos - se não me engano, inclusive, a diegese vai além de 2020, não é? Amei a estrutura monologada da primeira metade do filme. Quando, de repente, duas pessoas ocupam o mesmo quadro, cheguei a tomar um susto, afinal amenizado pelo locutor de rádio (ingloriamente batizado de Jair!) e pela congregação sexual decorrente. Entretanto, o que seguiu-se não pareceu de todo credível: a seqüência de dança parecia largamente dissociada da canção executada naquele instante. Por falar nas canções, a abertura com Lupe de Lupe foi certeira: o modo como o título do filme aparece causa-nos o primeiro sobressalto, convidando-nos à identificação imediata. A última imagem é suprema. Curti muitíssimo: sou fã desse diretor, mesmo quando erra - e demonstra-se humano, fazendo filmes sobre humanos e para humanos! Muitíssimo obrigado pela parte que nos toca (verbo polissêmico)... - WPC>
Cotidiano, vidas que se encontram - e se desencontram -, sentimentos que não cicatrizam, amores que florescem e se deterioram. E nada como o tempo para recolocar as coisas nos seus devidos lugares, no momento certo.
Passou é sobre tudo aquilo que se esvai mas que também se reintegra à nossa vida. É um filme que compreende as complexidades e os dilemas de seus personagens, além de entender que a vida, na maioria das vezes, se encarrega de alinhar o que estava desajustado.
Apesar de eu ter adorado os letreiros meio godardianos, admito que não consegui acompanhar as passagens de tempo nem distinguir os personagens. O que, nalgum sentido, é pouco relevante, visto que o roteiro é justamente sobre as repetições relacionais, os vícios que (re)instalam-se com o decorrer dos anos - se não me engano, inclusive, a diegese vai além de 2020, não é? Amei a estrutura monologada da primeira metade do filme. Quando, de repente, duas pessoas ocupam o mesmo quadro, cheguei a tomar um susto, afinal amenizado pelo locutor de rádio (ingloriamente batizado de Jair!) e pela congregação sexual decorrente. Entretanto, o que seguiu-se não pareceu de todo credível: a seqüência de dança parecia largamente dissociada da canção executada naquele instante. Por falar nas canções, a abertura com Lupe de Lupe foi certeira: o modo como o título do filme aparece causa-nos o primeiro sobressalto, convidando-nos à identificação imediata. A última imagem é suprema. Curti muitíssimo: sou fã desse diretor, mesmo quando erra - e demonstra-se humano, fazendo filmes sobre humanos e para humanos! Muitíssimo obrigado pela parte que nos toca (verbo polissêmico)... - WPC>
Cotidiano, vidas que se encontram - e se desencontram -, sentimentos que não cicatrizam, amores que florescem e se deterioram. E nada como o tempo para recolocar as coisas nos seus devidos lugares, no momento certo.
Passou é sobre tudo aquilo que se esvai mas que também se reintegra à nossa vida. É um filme que compreende as complexidades e os dilemas de seus personagens, além de entender que a vida, na maioria das vezes, se encarrega de alinhar o que estava desajustado.