Na aldeia de Amanhã Lundju, sempre que nasce uma criança, uma árvore é plantada. Será essa árvore o seu espírito. Cresce a árvore com a criança. As árvores são a alma da aldeia. Vive-se entretanto uma época em que muitas mais árvores são abatidas do que plantadas. Tudo por culpa dos aldeões e dos madeireiros que, sem medir bem as consequências – e por culpa do Estado, que mais que eles não vê – cortam as árvores à toa, para fazer lenha ou mobília.
Du, curioso andarilho, regressa de uma das suas místicas andanças. Um fogo premonitor precede a sua chegada. Preocupado com aquilo que sente e com a insensatez dos outros, resolve Du pedir conselho à sua árvore gêmea. Por tradição, terá de ocupar o lugar do irmão morto, ser marido da sua mulher e pai da sua filha. Entretanto, pela calada, resolve a mãe de Du pedir por seu lado conselho também à alma gémea de Humi, o gémeo irmão de seu errante filho, há pouco inexplicavelmente falecido.
Começam então a acontecer coisas bizarras. Saly, a nova mulher de Du, ex-mulher do irmão, enlouquece e apaixona-se pelo Sol. Perante o mistério, Calacalado, o feiticeiro, mobiliza toda a aldeia, que, conduzida por Saly, parte para o deserto em busca de resposta, numa viagem iniciática. A partir daqui, segue-se «um conto bíblico revisitado por uma África que sonha com a Terra Prometida» (Jacques Mandelbaum, jornal Le Monde, 14/11/96).
O deserto, penosamente percorrido, torna-se o espelho do futuro : é ele a grande ameaça. Na sua travessia morrem os velhos e os fracos. Resolve Du por fim trazê-los de vota à aldeia, depois de Saly parir uma criança no meio da desolação. Em Amanhã Lundju, uma surpresa os aguarda: a resposta será dada.
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Assisti o filme com o titulo "Árvore de Sangue", gostei muito do filme. Fotografia interessante. O filme parece até uma fabula, e mostra a simplicidade da vida na África. 01.02.2022
Povo em diáspora, fogo na seara, lágrimas suadas...
A narrativa é um pouco complicada, pois possui as elipses características da fantasia. Mas, em certa medida, o filme é exatamente sobre isso: sobre como lidar com as ausências. À medida que a trama evolui, a perspectiva ecológica destaca-se, de maneira que o desfecho é impactante em sua denúncia e na esperança que transcende o sorriso das crianças. Talvez seja melhor compreendido numa revisão, mas, neste primeiro contato, possui seu fascínio insuspeito: cinemas africanos são belíssimos em sua ênfase identitária! (WPC>)