É sintomático que Recife Frio esteja como um dos filmes relacionados, não apenas pela narrativa também distopica, mas inclusive pela estilística da direção, no uso do zoom, no tratamento da imagem, no tipo de narração. O curta tem uma premissa interessante, é curioso, bonito, tem uma boa protagonista, mas precisa comer muito feijão com arroz pra chegar perto de um Kleber Mendonça Filho. O roteiro é meio furado e na metade da metragem o espectador se cansa. Mas curti a ideia, valeu a intenção e foda-se Bolsonaro!
Primeiro, uma confissão relativamente constrangedora (porém sincera): há muito tempo que o rosto de Calebe Lopes aparece-me como sugestão de amizade via Facebook. E, como não poderia deixar de ser, sempre fui encantado por sua beleza, sem saber realmente quem ele era.. Até deparar-me com um comentário sobre um de seus curtas-metragens no Festival Ecrã. Parei tudo o que estava fazendo... E adorei o que vi! Muito bem narrado por uma Chris Mariani, co-diretora, o retrato distópico lembrava-me uma versão escaldante do "1984" orwelliano. E, tal qual esta obra fundamental, declina um pouco quando passa da descrição à narração. Os cinco minutos iniciais são primorosos, mas, quando a personagem fica sozinha, molhando-se o tempo inteiro, incomodei-me com uma incongruência contextual: se era muito quente e o governo era ditatorial, era óbvio que o acesso à água encanada não seria tão facilitado. Idem quanto à energia elétrica. Para piorar, um golpe de extrema obviedade (no mau sentido da palavra): a jovenzinha, com o ventilador ligado, lendo (ou tentando/fingindo ler) VIDAS SECAS. Ficou exagerado, reiterativo em excesso. Fez com que o caráter de "patricinha de esquerda" fosse imputado à personagem, ainda mais confirmado quando ela abre uma janela e inúmeros arranha-céus surgem como "paisagem". O Nordeste mostrado de maneira tão opressiva pelos diretores é, afinal, um recorte privilegiado dos estudantes que permitem-se o luxo de protestar, que ousar sair impavidamente às ruas porque beneficiam-se de uma base assistencialista adequada, em termos de indução reflexivo-política. O que não é um problema na conjuntura geral: toda e qualquer força de protesto soma, ajuda a expurgar aquilo que fere, que destrói, que mata... E a inversão do "fique em casa", coincidentemente, instaura a urgência responsável de nosso rechaço à corrupção imoral da trupe bolsonarista. Sendo assim, o impacto foi extrema sobre mim: que filme, meus queridos. Que filme! Dá-lhe Bahia no cinema! Dá-lhe Nordeste! Dá-lhe jovem cinema brasileiro de protesto e poesia! Calor... <3 (WPC>)
uma das coisinhas mais preciosas do ano pra mim! Chris e Calebe anjos!!. fiquei tentando catar as referências show de vcs.. o filme é literalmente um match gostosinho dos dois e eu amo como ele tem gostinho de tangerina! beijos...se hidratem
É sintomático que Recife Frio esteja como um dos filmes relacionados, não apenas pela narrativa também distopica, mas inclusive pela estilística da direção, no uso do zoom, no tratamento da imagem, no tipo de narração. O curta tem uma premissa interessante, é curioso, bonito, tem uma boa protagonista, mas precisa comer muito feijão com arroz pra chegar perto de um Kleber Mendonça Filho. O roteiro é meio furado e na metade da metragem o espectador se cansa. Mas curti a ideia, valeu a intenção e foda-se Bolsonaro!
Primeiro, uma confissão relativamente constrangedora (porém sincera): há muito tempo que o rosto de Calebe Lopes aparece-me como sugestão de amizade via Facebook. E, como não poderia deixar de ser, sempre fui encantado por sua beleza, sem saber realmente quem ele era.. Até deparar-me com um comentário sobre um de seus curtas-metragens no Festival Ecrã. Parei tudo o que estava fazendo... E adorei o que vi! Muito bem narrado por uma Chris Mariani, co-diretora, o retrato distópico lembrava-me uma versão escaldante do "1984" orwelliano. E, tal qual esta obra fundamental, declina um pouco quando passa da descrição à narração. Os cinco minutos iniciais são primorosos, mas, quando a personagem fica sozinha, molhando-se o tempo inteiro, incomodei-me com uma incongruência contextual: se era muito quente e o governo era ditatorial, era óbvio que o acesso à água encanada não seria tão facilitado. Idem quanto à energia elétrica. Para piorar, um golpe de extrema obviedade (no mau sentido da palavra): a jovenzinha, com o ventilador ligado, lendo (ou tentando/fingindo ler) VIDAS SECAS. Ficou exagerado, reiterativo em excesso. Fez com que o caráter de "patricinha de esquerda" fosse imputado à personagem, ainda mais confirmado quando ela abre uma janela e inúmeros arranha-céus surgem como "paisagem". O Nordeste mostrado de maneira tão opressiva pelos diretores é, afinal, um recorte privilegiado dos estudantes que permitem-se o luxo de protestar, que ousar sair impavidamente às ruas porque beneficiam-se de uma base assistencialista adequada, em termos de indução reflexivo-política. O que não é um problema na conjuntura geral: toda e qualquer força de protesto soma, ajuda a expurgar aquilo que fere, que destrói, que mata... E a inversão do "fique em casa", coincidentemente, instaura a urgência responsável de nosso rechaço à corrupção imoral da trupe bolsonarista. Sendo assim, o impacto foi extrema sobre mim: que filme, meus queridos. Que filme! Dá-lhe Bahia no cinema! Dá-lhe Nordeste! Dá-lhe jovem cinema brasileiro de protesto e poesia! Calor... <3 (WPC>)
uma das coisinhas mais preciosas do ano pra mim! Chris e Calebe anjos!!. fiquei tentando catar as referências show de vcs.. o filme é literalmente um match gostosinho dos dois e eu amo como ele tem gostinho de tangerina! beijos...se hidratem
ai ui!! que calor!!!
Meio repetitivo, mas ao menos é divertido. O final é um barato.
PS: um calor daqueles, a pessoa sozinha em casa e nem tira a roupa?kk