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Data de lançamento
14 Out. 1999Duração
Na primavera de 1999, um homem de meia-idade, bem vestido, Kim Yong-ho (Sol Kyung-gu), encontra-se deitado à beira de um lago por baixo de uma ponte ferroviária. A não muitos metros do homem encontra-se um grupo de amigos, que fundou uma espécie de clube naquele mesmo local há cerca de 20 anos atrás. Aparentemente por acaso, Kim Yong-Ho junta-se ao grupo e é imediatamente reconhecido por um dos elementos como tendo sido um dos primeiros membros desse grupo, na altura aspirante a fotógrafo. Incompreensivelmente, Yong-Ho, não se consegue integrar no grupo, é uma pessoa completamente destruída psicologicamente. Num ápice, sobe a ponte ferroviária e atira-se para a frente de um comboio, dizendo: "Vou voltar atrás!".
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O passado não como redenção, mas como contornos
"Peppermint Candy" revela seu desfecho logo nos primeiros minutos. Embora os motivos ainda não sejam conhecidos, as cenas iniciais despertam sensação de constrangimento e estranheza que permanece durante quase todo o filme. Lee Chang-dong adota um estilo direto e realista de retratar a vida, porém seus personagens são introspectivos e silenciosos, sinalizando seus dilemas mais íntimos apenas por meio de atitudes.
No caso do personagem Yeong-ho (Sul Kyung-Gu), nada parece fazer sentido e, a cada nova informação que se tem sobre ele, qualquer empatia inicial se dissolve em meio à revolta e à raiva que seus atos são capazes de despertar. Sempre imprevisível e violento contra todos ao redor, ele sugere ser alguém que há muito perdeu a sanidade.
O filme constrói sua história lentamente, numa viagem de volta no tempo, como se estivéssemos em um trem rumo ao passado. A cada parada, uma peça se junta ao mosaico daquela vida transtornada. Somente após a última estação desse trem metafórico fica possível juntar todas as frações e compreender integralmente a loucura e o ódio que Yeong-ho preserva dentro de si. "Peppermint Candy" é um drama trágico, de sabor amargo, mas que também carrega uma inexplicável sensibilidade humana, algo que Lee Chang-dong consegue transmitir com maestria.
Confesso que passo longe de demonstrar qualquer apreço por estas histórias narradas ao inverso tão típicas do fim dos anos 90. Acho este um recurso tolo, que aqui então só serviu para me confundir e tirar o meu foco de atenção nas personagens. Em certo ponto perdi o fio da meada e não recuperei mais.
Um dos melhores do diretor! Vale muito a pena.
Achei mais ou menos.