Valérie e Jean-François estudam na Escola Politécnica de Montreal, em 1989. Em um dia do mês de dezembro, um acontecimento brutal provoca mudanças irreversíveis em suas vidas. Um jovem de 25 anos entra na escola com um rifle em mãos e o objetivo de assassinar todas as mulheres que cruzarem seu caminho. Motivado pelo estrago que as feministas teriam feito à sua vida, opera um massacre que faz mais de uma dúzia de vítimas e se suicida em seguida.
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não tem UM orelhão no campus ... que aflição
Politécnica é um filme apenas "ok". Ele seria mais impactante se dedicasse mais tempo ao desenvolvimento dos personagens centrais (principalmente das mulheres da história).
Denis Villeneuve demonstra uma curiosa visão sobre a mulher. Seja em um futuro distópico ou noutros planetas, em posição de liderança ou fugindo de um conflito civil, as realidades imaginadas pelo diretor canadense demandam dolorosas decisões por parte das mulheres. Em um mundo que busca a dominação e reclama a obediência do feminino, suas personagens são, acima de tudo, sobreviventes. Em “Polytechnique”, a sobrevivência é acompanhada de feridas impossíveis de serem cicatrizadas.
Ao encenar o trágico acontecimento ocorrido na Escola Politécnica de Montreal em 1989, Villeneuve assume uma neutralidade que para muitas pessoas pode soar fria e distante, gerando questionamentos a respeito da necessidade de reviver o evento, mas tal postura possui lógica narrativa. Quando, da noite pro dia, tais fatos viram notícia, tomamos conhecimento de pessoas que nunca vimos antes, nos compadecemos das vítimas e de seus familiares, não compreendemos seus algozes, e suas histórias desaparecem tão rápido quanto surgem. Villeneuve não humaniza o carrasco ou detalha suas motivações, absolutamente nada justificaria tamanha carnificina. Ao mesmo tempo, não se aprofunda na vida das vítimas, afinal, são anônimas. Somos, simultaneamente, tão cúmplices de uma desgraça quanto incapazes de entender e fazer algo a respeito diante de sua violência arbitrária e desmedida. Isto, de maneira alguma, prejudica nossa conexão com as personagens; somos humanos pois mantemos nossa capacidade de compaixão com a dor do outro, assim como ocorre nos noticiários.
A fotografia em preto e branco, mais do que evitar a exposição do sangue em tela, salienta a natureza destruidora do episódio. Daquele dia em diante o mundo perderá sua cor, e toda e qualquer alegria será um pouco menor do que deveria ser, estas são as consequências na vida dos sobreviventes. Ainda que sigam em frente, suas vidas estarão sempre ligadas ao dia 6 de dezembro de 1989.
10.01.2025 - 00h21
Não tinha conhecimento do caso, tampouco assisti o filme sabendo o contexto. Portanto, foi uma surpresa. Achei o conteúdo bem impactante e perturbador, ainda mais sendo mulher.
Infelizmente este filme não é sobre curso técnico ....
O filme relata fatos reais do "Massacre de Montreal", que aconteceu em 1989 no Canadá. Um atirador matou quatorze mulheres, feriu mais pessoas e depois se suicidou. O seu foco foi em violentar e matar mais as mulheres.
O diretor Denis Villeneuve, sendo canadense, conduziu muito bem essa produção. Com a filmagem em preto e branco, o diretor quis preservar a intensidade e a veracidade dos eventos mostrados em tela, evitando qualquer embelezamento que as cores poderiam trazer. Também têm uma câmera tremida de forma magistral e um ângulo baixo mostrando o impacto desta violência de perto. As cenas fortes ainda impressionam, mesmo 15 anos depois da gente já está anestesiado de tanta violência e banalização, as sequências dos ataques são marcantes e tristes. E o filme tem pouca duração, menos de 80 minutos, mesmo assim o seu impacto é gigantesco.