Em Ayorou, juntamente com Lam e Illo, Damouré dirige uma empresa de importação e exportação chamada « Pouco a Pouco ». Ao decidir erguer um edifício, ele parte para Paris afim de verificar « como se vive numa casa de vários andares ». Na cidade, ele descobre as curiosas maneiras de viver e pensar da tribo dos parisienses, as quais descreve numas « Cartas Persas » enviadas regularmente a seus companheiros até que estes, crendo-o louco, enviam Lam à sua busca. Em Paris, Damouré e Lam compram um conversível Bugatti e conhecem Safi, Ariane e o « mendigo » Philippe. O grupo decide voltar à África, para construir a nova casa. Mas as duas mulheres e Philippe não chegam a se habituar à nova vida, e partem. Com isto, só resta aos três amigos retirar-se para uma cabana às margens do rio e meditar sobre a « sociedade moderna ».
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Adentrei a sessão sem saber que se tratava de uma continuação e, como tal, não entendi devidamente algumas situações. Mas gostei bastante da tônica geral, amei as situações de "inversão" antropológica e ri perante a perspectiva crítica e anticolonial, apresentada de maneira satírica. A segunda metade do filme perde um tanto do ritmo, mas o desfecho chama a atenção pela contundência. Interessante esta faceta ficcional do Rouch! (WPC>)
Um dos grandes nomes da cinemateca francesa, Jean Rouch deixou um legado em torno de 120 filmes, grande parte deles documentários, o que lhe conferiu o título de mestre do cinema verdade. Um dos seus temas preferido é a África. Em “Pouco a Pouco” ele leva um nigerino a França, para pesquisar aos poucos a vida da tribo dos parisienses. Numa espécie de etnologia transversa, Damouré aplica aos franceses toda espécie de experimento de cobaia que uma vez os colonizadores aplicaram aos africanos: avalia suas vestimentas e habitações, verifica sua alimentação, medi-lhes o crânio e verifica seus dentes, para então retirar conclusões preconceituosas sobre todo um povo. Exatamente como foi feito em Níger e em outros países da África. Destarte, Rouch faz uma autocrítica da etnologia como jamais se viu.