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Pravda foi rodado clandestinamente na Tchecoslováquia entre março e abril de 1969, logo após as manifestações da Primavera de Praga e a invasão russa. Imagens do cotidiano tcheco descritas "pelas vozes" de Vladimir e Rosa, que analisam os paradoxos da situação política do país. O filme também faz uma crítica à prática documental e revisita os propósitos do cineasta russo Dziga Vertov.
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Válido como documento histórico das contradições práticas do marxismo e das mutações teóricas do documentarismo ao longo do século XX. Em particular, apresenta com bastante clareza a influência da factografia soviética na redescoberta da importância da montagem em filmes documentários por alguns diretores de vanguarda dos anos 60.
Não irei avaliar este filme pela dimensão do ethos, a partir da credencial godardiana, a despeito de meu imenso apreço por suas obras da nouvelle vague, as quais a meu ver não tem nenhuma relação com esse período do fanatismo político distorcido de seu grupo Dziga Vertov. Pois, aderindo conscientemente ao ad hominem ao chamá-lo de pequeno-burguês parisiense que nunca viveria a realidade do maoísmo ou um programa stalinista de reeducação intelectual antiimperialista e ao seu passado que me apraz, não consigo me distanciar da dimensão discursiva que ele imprimiu a estas imagens, que tem seu mérito documental na clandestinidade da época. Mas neste panfleto datadíssimo, caricato que parece mais qualquer vídeo de propaganda institucional e política de qualquer ditadura (a varguista por exemplo), ou mesmo dos pastiches promovidos pelo entusiasmo juvenil de movimento estudantil, que possui uma verborragia insuportável a repetir o libelo do revisionismo a cada três segundos, não dá para sequer haver qualquer distanciamento para fruição das imagens ou das opções de montagem e também não há qualquer possibilidade de ver algum fundamento de homenagem à vanguarda sofisticada formal de Dziga Vertov. Uma aberração da estetização da política e do enunciado ideológico, como qualquer filmeco doutrinador de ditadura stalinista-nazi-varguista-maoísta só que produzido por pequeno-burgueses parisienses entediados e entusiasmados por ideologias tacanhas que acham que detém o monopólio da interpretação ortodoxa Marxiana e que romantizam o bom selvagem socialista do oriente (risos)
Nesse momento, Godard pregava o seguinte: "Um filme revolucionário deve ser feito de forma revolucionária". Ou seja, era preciso abandonar a produção dependente do mercado e buscar outros suportes de custo mais acessível que a tradicional película 35mm, como por exemplo o vídeo que foi usado na produção desse documentário. Em termos ideológicos, acho bastante válida a proposta do "Coletivo Dziga Vertov" ao qual Godard se associou nesse período; porém, em termos estéticos e narrativos, não vejo grandes inovações nesse documentário narrado, nada aqui se compara à revolução cinematográfica verdadeiramente empreendida por Godard, alguns anos antes, em "A Chinesa"(1967) ou "Weekend"(1968), por exemplo. Aliás, mesmo em termos documentais, "Pravda" é bem inferior ao filme que o inspirou: "Um Homem, uma Câmera" de Dziga Vertov.
O discurso político nunca irá se calar... A arte é política, cinema é arte, cinema é Roger, Godard, Gorin e Burron trabalhando em um só filme!
É interessante, é politizado, é válido, mas... Para quem ainda não estava acostumado à mudança drástica de estilo (leia-se: radicalização de suas idéias conceituais)do diretor Godard, este filme é um soco na cara, no cérebro, no ativismo conflitante... Não concordo muito com a defesa dos valores grevistas dos personagens, mas todo o discurso contra o revisionismo comprovado (e profético)dos inimigos políticos dos autores e advertindo-nos acerca dos abusos da cultura de massa são geniais! A ser (re)visto, portanto... (WPC>)