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Duração
Um hotel de Nova York é meticulosamente explorado pelo olhar cinematográfico. Durante uma noite, corredores, halls, elevadores, quartos e banheiros são filmados sob um silêncio pesado. O isolamento do espaço é rompido por ocasionais hóspedes que surgem ao acaso, como num vislumbre fantasmático. Até que o amanhecer venha.
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O quão familiarizados conseguimos nos sentir em espaços que nunca estivemos se olharmos pra ele o suficiente? Queria ter gostado mais, mas novamente, a imagem estara aqui e quando eu voltar a elas novamente, tudo pode estar diferente
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Silêncio né.
No mundo, durante a imensa maioria do tempo, nada acontece. Literalmente nada.
Ninguém se mexe. Na verdade, ninguém está lá para fazer nada.
A aproximação das janelas abre toda uma nova perspectiva para o que acontece (ou existe) fora dali.
Mas talvez nada aconteça, de todo modo.
Gostei de um comentário que vi em algum lugar, perguntando se o filme realmente não tinha áudio ou se o arquivo dele que estava com problema, e alguém respondeu "você pode colocar o áudio QUE VOCÊ QUISER por cima". Agora preciso decidir qual áudio eu vou usar.
A contemplação do espaço em Hotel Monterey transcende a mera representação visual. Como observadores inertes, somos levados a um estado de quietude, imersos em corredores vazios e quartos desabitados, onde a presença humana é fugaz e a solidão é palpável. A diretora nos prende nesse limbo, nos convidando a refletir sobre nossa própria condição existencial.
É interessante notar como a câmera, em sua imobilidade aparente, revela uma dinâmica sutil nos pequenos movimentos e detalhes do ambiente decadente. Cada corredor, cada quarto, é uma cápsula do tempo, onde o passado e o presente se entrelaçam em uma dança melancólica.
O filme também nos confronta com a dualidade da liberdade e do aprisionamento. Enquanto a câmera finalmente se move, oferecendo-nos um vislumbre do mundo exterior, somos lembrados das limitações impostas pela própria estrutura do hotel e pela passagem do tempo.
Em última análise, Hotel Monterey é mais do que um simples registro visual; é um convite à contemplação, à introspecção e à reflexão sobre nossa relação com o espaço, o tempo e a solidão. É uma obra que ressoa além das telas, ecoando as obsessões e inquietações de sua criadora e nos convidando a mergulhar em seu universo sensorial e emocional.
Me fez pensar muito no processo de escrita de um poema. Adentramos em um silêncio cada vez mais alongado. Circulamos palavras que nos fogem - passagens de luz efêmeras, abafadas. Trocamos de imagem, pois, desejamos também novas experiências, mas tanto no poema quanto no cinema de Chankal, a imagem não se esgota. Voltamos para ela de maneira repetitiva, pois na solidão existe uma grandeza, uma imaginação que se alimenta desse não saber pulsante entre os rostos e os objetos. Esse caráter existencial onde o espaço surge como algo concentrado, intimo, mortal. Por isso que saímos do lugar esperado; ver implica sentir com o corpo o tempo passar.