Bill "Stoker" Thompson é um boxeador que, apesar das relutâncias de sua esposa (Audrey Totter), está se preparando para a luta que ele acredita que será a reviravolta de sua carreira. O seu ambicioso agente, Tiny (George Tobias), aceitou uma proposta de um grupo de gângsters contra Stoker, grupo esse liderado por Little Boy (Alan Baxter), que investiu muita grana na vitória do oponente.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Drama de boxe comovente e brutal, com grande atuação de Ryan como um lutador medíocre que NÃO SABE que deve perder sua próxima luta (por causa de um esquema de apostas) e, portanto, luta para vencer.
O sino ecoa anunciando o início da luta. Dois homens no ringue. Vemos apenas suas pernas se movendo em uma dança violenta enquanto a multidão explode em gritos. De repente, um homem desaba na lona, vencido. Assim é a cena dos créditos de abertura em The Set-Up, uma obra-prima do cinema noir produzida pela RKO, que injustamente mergulhou no esquecimento.
Já nos primeiros momentos, em um hábil plano sequência, o filme propõe um microcosmo para criticar a sociedade competitiva do capitalismo selvagem. Jovens e velhos disputam entre si para ganhar alguns trocados e sobreviver. No universo preto e branco de The Set-Up, o dinheiro compra prazer, dor e algumas vontades, mas não pode vencer a luta contra o tempo — uma presença constante, reafirmada por relógios que surgem várias vezes, lembrando a passagem intransponível dos segundos. Stoker Thompson (Robert Ryan) insiste que ainda pode ser um campeão, recusando-se a aceitar o peso de sua idade. A cena no vestiário serve como uma digressão brilhante, preparando o espectador para o momento climático e aprofundando a psique do protagonista.
Muito antes de Fred Zinnemann usar a técnica de tempo real em seu clássico High Noon (1952), Robert Wise já a empregava neste drama de boxe. Durante a luta entre Stoker e Nelson, a técnica de Wise consegue a proeza de dilatar o tempo. Com ênfase no naturalismo, ele captura a sequência a partir de três perspectivas distintas: uma geral, focada no ringue; outra próxima, nos lutadores; e uma terceira para capturar a reação da plateia.
Talvez este não seja o filme mais bonito e confortável sobre o mundo do boxe, e ele nunca teve a intenção de ser. É uma joia bruta que merece ser redescoberta.
Feito de forma simples, o que mostra que o arroz e feijão funciona. O começo é um pouco entendiante, mas após o ínicio da luta as coisas melhoram.
(Apesar de em alguns golpes eu lembrar do Chaves batendo no Quico kkk)
Agora, eu me pergunto... porque em nenhum momento ele falou com os caras que queria que ele perdesse a luta e os questionou, se era com ele que eles tinham combinado ou com os outros, que nem sequer avisaram ele... aí é foda. O cara totalmente de chapéu na fita.
Presumia que este filme fosse excelente, mas não tanto (risos): a direção é soberba, o controle dos ambientes, a montagem, as interpretações, tudo é perfeito, enquanto 'mise-en-scène', neste filme, que adota mui inteligentemente o estratagema do tempo real. Robert Ryan está esplêndido enquanto protagonista (nossa, como eu torci por ele!) e Audrey Totter comove-nos deveras, mas é Hal Baylor (aqui creditado como Fieberling) quem requer a nossa atenção erótica e preocupante, em iguais medidas. A fotografia é minuciosa e os ângulos da luta justificam a fama que o filme alcançou, ao longo das décadas. Espetacular em cada detalhe, inclusive no que diz respeito à estereotipia dos espectadores na platéia. Excelente! (WPC>)
"Punhos de Campeão", de 1949, é um arrojado melodrama de esporte em estilo noir, valorizado pelo elenco excepcional e direção eficiente de Robert Wise. O excelente roteiro muito bem executado e original, consegue nivelar a densidade dramática e o teor psicológico dos personagens envolvidos na trama, segurando o expectador, desde o inicio.
É, talvez, o melhor filme sobre boxe de todos os tempos com o icônico Robert Ryan, entregando uma atuação impressionante, ladeado pelas incríveis performances de Audrey Totter e Alan Baxter. Um clássico para ser visto e revisto.