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Miguel é um Senador da República que visita seu amigo de infância Jorge, que se tornou um poderoso traficante de drogas do Rio de Janeiro, para lhe propôr um projeto social nas favelas. Apesar de suas origens diferentes eles se tornaram amigos nos anos 50, pois o pai de Miguel tinha paixão pela cultura negra e o pai de Jorge era compositor de sambas. Nos anos 70 eles se encontram novamente, na prisão de Ilha Grande. Ali as diferenças raciais eram mais evidentes: enquanto a maior parte dos prisioneiros brancos estava lá por motivos políticos, a maioria dos prisioneiros negros era de criminosos comuns.
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Um retrato visceral do Brasil moderno, trabalho incrível de Lucia Murat!!
- vindo na cola de cidade de deus, inclusive com muita coisa semelhante
- esse tem um escopo ainda maior, mas o resultado final não tão grandioso
- precisaria de um tempo bem maior pra trabalhar todos os temas que aborda
- mas ainda é uma grande histórias, sobre diferenças, a união que pode surgir na adversidade e como até isso é quebrado pela sociedade
Um ótimo filme, mostrando dois contrapontos ricos, com dois belos atores como protagonistas, o filme tem uma carga grande na importância da história do Brasil, dando retrato a várias pessoas daquela época, vale pelo registro que ele faz e o bom parâmetro que traz ao público, além disso traz um time de coadjuvantes de extrema competência e talento.
Confesso que demorei pra engrenar... Tem momentos bem chatos e o elenco de apoio também contribui pra isso, principalmente os bandidos da favela. Caco Ciocler continua com a cara de tacho dele. No entanto a montagem do filme consegue segurar a gente até a reta final, aí sim o filme fica muito bom!
E olha, a sensação que me deu foi de desprezo pela humanidade, não tem jeito, todos somos um bando de hipócritas e todos esses ideias não passam de um tentativa de fazer com que parecamos se importar. Vivemos numa selava!
Assisti Quase Dois Irmãos (2005) de Lúcia Murat no Cinemax. Quis muito ver esse filme nos cinemas, mas não consegui. É excelente! Fala da trajetória de dois grandes amigos que começa na infância e segue até os dias de hoje. Mostra a complexidade dos seres humanos, das questões políticas e financeiras no Brasil. De pobreza, ditadura, projetos políticos e vidas divergentes. O pai do negro era um grande sambista do morro. O pai do outro vivia nos bares tocando samba e a família vivia em dificuldade. O branco se torna um líder revolucionário e por um acaso os dois vão parar na prisão juntos. A edição de Mair Tavares é toda entrecortada. Caco Ciocler narra que há duas vidas, a que vivemos e a que sonhamos, portanto não sabemos o quanto a infância é romanceada na lembrança dele. Nos dias de hoje o branco se torna um rico deputado e o negro um líder do tráfico na favela, que comanda em Bangu pelo celular. E seus filhos acabam se envolvendo na favela. É uma trama bastante complexa.
Na cadeia, após alguns anos, como presos políticos, começam a chegar os bandidos, desinformados, pela decadência do ensino no Brasil, com outro discurso. Os grupos se dividem e entre os bandidos a liderança é pela força, por espancamentos e morte. Matar para dominar. Mas o discurso dos presos políticos também começa a mudar. Para garantir a sobrevivência, eles se dividem de forma elitista, os presos comuns dos políticos. E há fortes debates sobre essas determinações. Caco Ciocler está maravilhoso como o branco e Flávio Bauraqui arrasa como o negro. Nos dias de hoje eles são interpretados por Werner Shünemann e Antônio Pompeo. O elenco é extenso por passar em vários anos: Marieta Severo, Fernando Alves Pinto, Maria Flor, Renato de Souza, Babu Santana, Luís Melodia, Cristina Aché, Fernando Eiras, entre muitos outros. Quase Dois Irmãos ganhou Melhor Edição Melhor Trilha Sonora no Festival de Havana, Melhor filme do público e Prêmio especial do Júri no Festival de Marseille, Melhor filme do Público no Festival Brasileiro de Paris, Melhor roteiro – Lucia Murat e Paulo Lins pela Associação Paulista dos críticos de Arte e Melhor Diretor, Lúcia Murat e Melhor Ator, Flávio Bauraqui, no Festival do Rio.