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Assisti O Corvo (2024) de Rupert Sanders no TelecineActon. Só vi esse filme porque está na lista dos melhores filmes de muita gente, inclusive de pessoas que como eu são muito fã do gênero. E que belo cartaz! O filme é inspirado nos HQ de James O´Barr.
O casal é deslumbrante, Bill Skarsgard e FKA Twigs e estão ótimos. É uma clássica história de amor romântico, então a gente imagina que eles não vão ficar juntos, em uma roupagem de HQ. A história é transposta de quadrinhos. Os dois são pessoas complexas, então vão para uma instituição. É lá que se conhecem. Apesar de serem rebeldes, eles são boas pessoas que passaram maus bocados na mão de pessoas más. O filme é muito bem realizado, esteticamente lindo, ótimos efeitos especiais, muita mágica e magia e ótima trilha sonora.
Claro que eles são perseguidos e ele tenta salvá-la. É uma bonita história de amor com roupagem rebelde. O elenco também é ótimo: Danny Huston, Laura Birn, Sami Bouajilla e Josette Simon.
Assisti Frankestein (2025) de Guillermo Del Toro na Netflix. Tem muito tempo que estou vendo esse filme, muito tempo mesmo. Gostei muito do livro de Mary Shelley, mas não estava com vontade de ver mais uma adaptação, mesmo adorando o diretor.
A direção de arte é maravilhosa, embora tenha me incomodado um pouco os truques. E achei desnecessárias, pra não dizer cansativas, as mais de 2 horas de duração. A parte que Victor fica construindo o monstro é enorme e arrastada. Oscar Isaac está bem como Victor Frankestein, embora muito caricato. O tom do filme é muito caricato.
Eu demorei demais pra passar do começo. Como é chato. Frankestein está apavorando as pessoas de um navio em uma geleira. Atiram muito nele e conseguem salvar o seu criador que passa a contar a sua história. No meio do filme é a criatura que começa a contar a sua. E sim, os dois passam horas contando as suas versões dentro de barco, que chatice. E a tripulação aguardando de pé do lado de fora, que forçado. O final inclusive é de uma pieguice insuportável.
O diretor tentou fazer um filme épico. Acho que o que mais incomoda é ele tentar justificar porque Victor Frankestein fez aquele monstro. Ele era um bom menino, mas tinha um pai violento, que o torturava. Tanta criança tem pais abomináveis e não ficam abomináveis. Sim, é uma possibilidade, como não ser também. Essas verdades prontas me incomodaram profundamente. Estranhamente o diretor fala muito de bíblia e religião no filme, o que me incomodou muito também. Estamos vivendo uma época em que falar muito em religião ou política, dependendo como são defendidas só trapalha a arte. Uma graça o garoto que faz Victor criança, Christian Convery. Ele tem uma rivalidade pavorosa com o irmão. O pai é o Charles Dance. Mia Goth faz a mãe e a noiva do irmão. Isso achei interessante. Os dois irmãos ficam fascinados pela amada que é a cara da mãe. O tio dela que patrocina o Victor e é Christoph Waltz.
Eu amo a Mia Goth, ela tem uma participação pequena mas muito marcante. O monstro é feito por Jacob Elordi.
David Bradley faz um velho cego. O monstro fica muito tempo, até demais, na casa desse senhor e sua família. Por um período ficam só os dois, é quando o monstro passa a ler, ter informações. Ok, poderiam estar nas partes dos corpos dos outros homens que o construíram, mas achei tudo muito falso ele aprender a ler, fica fluente, enfim. E os animais dessa parte, além de insuportáveis as violências, eram muito, mas muito falsos.
Muita gente disse que esse foi o melhor filme do ano de 2025. Sim, a direção de arte é belíssima, fotografia, figurinos, mas o filme é arrastado e forçado. Tanto que não levou prêmio algum no Globo de Ouro.
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Assisti no cinema O Agente Secreto (2025) de Kleber Mendonça Filho. Finalmente consegui ver! Achei que nem ia conseguir ver antes do Oscar. Quis ver antes do Globo de Ouro, mas por sorte tive muito trabalho e foi impraticável. O Agente Secreto ganhou Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira e Melhor Ator de Drama para Wagner Moura que está inacreditável. É um dos grandes atores de sua geração, mas impressionou mais ainda! Sem dúvida uma de suas melhores atuações. Não deu para assisti na Semana do Cinema por R$ 10,00. Eu adoro esses eventos, é muito cinéfilo animado, uma festa mesmo. E espero que aumente muito mais o público do filme que já está em 2 milhões de espectadores.
O Agente Secreto é impecável! Agora entendi porque quem vê costuma ficar fã. Eu fiquei com vontade de ver e rever inúmeras vezes. São muitos momentos icônicos. É um drama triste e doloroso, intercalado de um humor ácido muito peculiar. A começar pela cena inicial que dá todo o tom do filme. Wagner Moura chega de Fusca amarelo em um posto de gasolina. Há um homem morto fedendo coberto de papelão. O frentista diz que está lá há dias, que chamou a polícia e nada. A polícia vem, mas não é pelo morto, é para ver se acham algo errado no carro pra tirar algum dinheiro do motorista. Kleber Mendonça tem falado muito em entrevistas sobre esse período. O filme é ambientado no Brasil de 1977. Que não há vilões e sim o momento que proporciona monstros. Não compactuo com essa visão, mas é interessantíssimo ver um filme com esse olhar. Muito reflexivo.
Wagner Moura é Marcelo, na verdade Armando, e está fugindo. É um subversivo? Não!!! Ele é um pesquisador altamente qualificado, que trabalha em uma universidade do nordeste, com uma equipe mista, brasileiros e estrangeiros, em um projeto científico fundamental para o país.
Um mega empresário do sul pelo ótimo Luciano Chirolli fica interessado nos projetos. Ele patenteia alguns escondido, desmonta a equipe. Armando fica revoltado, eles se rivalizam e Armando passa a ser jurado de morte. O filme começa com ele no fusca amarelo, seguindo em fuga pra Recife e se esconde em uma casa de refugiados liderado pela maravilhosa Tânia Mara, que atriz e que personagem.
Armando é de Recife, sua família é de lá. Sua esposa morreu e ele tem um filho que fica com o avô é Carlos Francisco e sua companheira. A incrível Alice Carvalho faz a esposa. Ele diz ao filho que ela morreu de pneumonia, mas pode não ser. Gosto muito das lacunas do filme até porque era um período muito, mas muito perigoso então não se revelava a verdade por segurança.
O Agente Secreto concorre a uma categoria nova do Oscar, Cast e o elenco do filme é inacreditável. Outro concorrente é Pecadores, que tem a mesma genialidade de elenco, só que com atores americanos, pode ser que esse leve. Mas é um trunfo incrível a mistura de atores em O Agente Secreto. Só nos moradores da casa já se percebe essa mistura. Tem a genial Hermilla Guedes que acaba tendo um romance com Marcelo, João Vitor Silva e Isabel Zuáá. que amo. Ela e o marido são personagens de Angola. Zuáá, é a primeira atriz negra portuguesa a concorrer ao Oscar.
A reconstituição de época é milimétrica. É fusca, opala, brasília, carros muito coloridos que sumiram das ruas, móveis. Orelhões. Fiquei chateada que estão retirando os últimos orelhões das ruas. Brasil é assim! Em vez de aguardar o Oscar já que o orelhão é um símbolo do filme, começam a retirar agora. História pra que não é? Quem mora em Recife deve se maravilhar com o filme, com vários pontos históricos da cidade da época. Os policiais são também geniais. A começar no Carnaval. Misturada a trama dramática, tem uma perna engolida por tubarão. O policial se veste rápido para ir ao IML mas ainda tem restos de batom na boca e purpurinas. Robério Diógenes está entre os melhores do filme, que ator, que personagem. Udo Kier faz um judeu, que o policial acha que é um ex-combatente alemão. Alguns outros do elenco são Thomás Aquino, Marcelo Valle, Rubens Santos, Laura Lufésy, Buda Lira, Maria Fernanda Cândido e Ítalo Martins.
Genialidade também no elenco de matadores. Roney Villela é o que negocia, é muito dinheiro. E sim, com o dinheirão que ganha ele usa para custear a viagem. Pagar um profissional do ótimo Kaony Venâncio. E ele vai com seu enteado Gabriel Leone que ajuda na empreitada. A cena de perseguição dos dois matadores é incrível. Acontece nas ruas, mas tem que ser nas ruas de 1977, imagino a dificuldade de ambientação e edição.
Há muitas cenas incríveis como essa cena na janela e esse elenco Geane Albuquerque e Suzy Lopes. A edição do filme também é incrível. Toda entrecortada com o passado, presente e futuro. De repente aparece um celular nos dias de hoje e duas jovens são pesquisadoras e ouvem as fitas cassetes de 1977. Muito irônico que o filho de Armando não quer saber do passado. É daqueles que não tem interesse na história e faz o apagamento histórico tão comum no Brasil. Outro detalhe desse grupo é a repressão mesmo nos dias de hoje que manda as duas pararem com as investigações e abafarem o caso. Achei muito inteligente a morte de Armando. Só sabermos pelo foto e pela notícia do jornal. Deu saudade da importância do jornal impresso na sociedade, que contava, ou pelo menos tentava, contar tudo o que acontecia.Que venha o Oscar!!