Com o fim da Segunda Guerra, Ella Connors é importunada pelo corrupto Jacob Ewing, que quer forçá-la a vender suas terras. Mas a fazendeira está disposta a lutar pela sua propriedade e recorre a seu vizinho Frank, um veterano de guerra, para ajudá-la.
Mais um da longuíssima lista de filmes com títulos traduzidos de forma excessivamente dramática em sua versão brasileira, "Raízes da Ambição" é um faroeste moderno. Situado ali pelo meio dos anos 40, quando a Segunda Guerra Mundial se encaminha para o fim, o mundo dos cowboys ainda persevera.
E das cowgirls também, claro! Pois temos aqui a belíssima Ella Connors (Jane Fonda), que teima em resistir contra tudo e todos, em sua afastada fazenda, com a ajuda apenas do dedicado Dodger (Richard Farnsworth) e do galante Frank (James Caan), especialmente contra o tirânico vilão Ewing (Jason Robards).
Parece uma premissa interessante... mas o filme parece nunca engrenar. O ritmo lento até condiz com a história e com a nossa imersão nela (afinal, tudo num interiorzão nos anos 40 acontecia a um ritmo quase glacial, suponho), mas é impressionante como tanto tempo de tela é destinado a tomadas repetitivas e desnecessárias (por exemplo: quantas vezes não laçaram esses animais e era isso que realmente precisávamos ver?).
Ao menos uma coisa essas tomadas evidenciam com clareza: a cinematografia é tocante. A vastidão a ser explorada - e, no caso deles, domada - encanta o nosso olhar. Mas isto não é o suficiente para esconder o fato de que o roteiro acaba resvalando para clichês do gênero bastante previsíveis.
E lembram-se do ritmo vagaroso? Esqueçam-se dele quando estiverem se encaminhando para os momentos finais; o desfecho é tão apressado que quem estava achando o ritmo lento demais e acabou por cochilar pode simplesmente perdê-lo.
O destaque das performances fica por conta de Richard Farnsworth. Ele tem pouco espaço, mas é quem mais conquista e faz nossos olhos brilharem, tanto quanto os dele brilharam na tela (e foi merecidamente reconhecido por isto). Jane Fonda é magnífica e dá pra ver o seu esforço para se encaixar aqui, mas a caracterização parece incompleta e simplesmente não conseguiu me convencer. James Caan é o típico herói de faroeste e não consegue fugir muito da unidimensionalidade do arquétipo.
Já Jason Robards, meu Deus, parece um vilão de desenho animado. Até dá pra tentar associar essa atuação exagerada a uma obsessão ou algo do tipo, mas o filme não só não tentou desenvolver isto como deixou contrastar assustadoramente com a naturalidade com que se tentava apresentar todo o resto.
Enfim, não é de todo ruim. Muito pelo contrário, como obra simplesmente visual, é estonteante até. Mas, quando vai para os outros sentidos, começa a mostrar suas falhas; aliás, o som - muito provavelmente de forma intencional - era excessivamente agressivo em momentos de ação e maior tensão, enquanto diálogos mal podiam ser ouvidos, mesmo no volume máximo, por vezes.
Na tentativa de mostrar as raízes da ambição, o filme se encarregou apenas de mostrar o fruto de uma árvore que já estava um pouco cansada de tanto os dar (afinal, este era um dos principais gêneros da dramaturgia, especialmente na TV, da época). E, se aqui chegava um cavaleiro, parece que o cavalo também fez questão de nos deixar um pouco da sua marca.
Uma coisa interessante é que, assim como em Dallas, temos um personagem com o sobrenome Ewing e o Jim Davis, que é o patriarca da família na série, faz um capanga do vilão aqui.
24/02/2024
Bom filme
Ótimo elenco
Achei muito fraco
1674. (03/01/2023)
É um filme bem filmado, bons atores...mas estático. Não engrena nunca...faltando profundidade. Achei isso.