Kiyoko (Hideko Takamine) é uma jovem que trabalha como guia turística em Tokyo. Kyoko deseja algo mais da vida do que um casamento negociado pela família, o que desagrada muito sua mãe e gera muitos conflitos.
Mostra a rotina de uma família disfuncional de 4 irmãos de pai diferentes, que são movidos a inveja, competição e que um se mete na vida do outro, as irmãs mais velhas são casadas, uma com um marido bêbado fracassado e a outra acaba de ficar viúva descobrindo que agora seu ex marido tinha uma amante e um filho, temos o filho mais novo que é um vagabundo viciado em jogos e Kiyoko nossa protagonista, solteira, independente e que sua família tenta empurrar um casamento arranjado com o Padeiro, um empresário bem sucedido, homem que Kiyoko detesta, ela só quer ter paz e para isso até se muda da residência caótica da sua família problemática, é mais um filme pós guerra japonês mostrando as dificuldades e o papel da mulher na sociedade nesse período, ótima atuação da Hideko Takamine e direção do Mikio Naruse.
Apesar do rotineiro dilema familiar de Naruse estar presente e tudo ser tratada de maneira muito honesta fugindo do melodrama em excesso, o Relâmpago não conseguiu me conquistar inteiramente. O excesso de personagens me confundiu um bocado.
Nesses primeiros filmes Mikio Naruse parece estar mais 'preso' à influência do cinema de Yasujiro Ozu, se soltando um pouco mais à medida que avançamos em sua filmografia. Mas o foco em personagens femininas fortes e em dramas femininos sensíveis está presente na totalidade de sua carreira. "Relâmpago" é mais uma dessas obras, dessa vez protagonizada por Hideko Takamine, que trabalha o rompimento de uma moça com as intenções casamenteiras de sua família. O que o filme tem de sobra em carisma e bons personagens, no entanto, acaba deixando um pouco a desejar pelo excesso de 'arestas' no roteiro. Ao final, fica a sensação de que é um 'bom pequeno filme', mas que poderia ter sido melhor desenvolvido.
Este foi meu primeiro contato com o cinema naruseano e fiquei sobremaneira impressionado com o modo mui realista com que ele aborda as desavenças familiares. A abordagem dramática é muito própria e a cena que justifica o título do filme é belíssima em sua poderosa sutileza. Muito bem interpretado e conduzido, fez com que eu inevitavelmente cotejasse a minha própria conformação familiar. Um libelo em defesa da autonomização dos chamados "arrimos". Incrível! (WPC>)
Produção japonesa em preto e branco que foi baseado em um romance de 1936 "Inazuma", de Fumiko Hayashi (1903-1951), que conta os dramas de uma família humilde do Japão que vive se desentendendo com os problemas do dia a dia.
Embora os ritmos de Naruse em "Relâmpago" sejam contemplativos, com um número incomum de tons de preto que dividem a estória em movimentos, o conteúdo e as performances do filme evocam o status de subclasse da família com uma fisicalidade quase vulgar. Ainda não foi dessa vez que vi um grande filme de Mikio Naruse (1905-1969), mas creio que tô chegando perto.
A pobre e patética mãe Osei tem quatro filhos, três filhas e um filho, de quatro homens diferentes. A estória de Kiyoko, uma jovem mulher que conseguiu romper com sua família disfuncional que estava tentando organizar um casamento para ela com um homem desagradável que ela rejeitou. Ela encontra um novo apartamento nos subúrbios e, sentada à janela, vê um relâmpago que parece cristalizar a ruptura que fez com o passado.
Mostra a rotina de uma família disfuncional de 4 irmãos de pai diferentes, que são movidos a inveja, competição e que um se mete na vida do outro, as irmãs mais velhas são casadas, uma com um marido bêbado fracassado e a outra acaba de ficar viúva descobrindo que agora seu ex marido tinha uma amante e um filho, temos o filho mais novo que é um vagabundo viciado em jogos e Kiyoko nossa protagonista, solteira, independente e que sua família tenta empurrar um casamento arranjado com o Padeiro, um empresário bem sucedido, homem que Kiyoko detesta, ela só quer ter paz e para isso até se muda da residência caótica da sua família problemática, é mais um filme pós guerra japonês mostrando as dificuldades e o papel da mulher na sociedade nesse período, ótima atuação da Hideko Takamine e direção do Mikio Naruse.
Apesar do rotineiro dilema familiar de Naruse estar presente e tudo ser tratada de maneira muito honesta fugindo do melodrama em excesso, o Relâmpago não conseguiu me conquistar inteiramente. O excesso de personagens me confundiu um bocado.
Nesses primeiros filmes Mikio Naruse parece estar mais 'preso' à influência do cinema de Yasujiro Ozu, se soltando um pouco mais à medida que avançamos em sua filmografia. Mas o foco em personagens femininas fortes e em dramas femininos sensíveis está presente na totalidade de sua carreira. "Relâmpago" é mais uma dessas obras, dessa vez protagonizada por Hideko Takamine, que trabalha o rompimento de uma moça com as intenções casamenteiras de sua família. O que o filme tem de sobra em carisma e bons personagens, no entanto, acaba deixando um pouco a desejar pelo excesso de 'arestas' no roteiro. Ao final, fica a sensação de que é um 'bom pequeno filme', mas que poderia ter sido melhor desenvolvido.
Este foi meu primeiro contato com o cinema naruseano e fiquei sobremaneira impressionado com o modo mui realista com que ele aborda as desavenças familiares. A abordagem dramática é muito própria e a cena que justifica o título do filme é belíssima em sua poderosa sutileza. Muito bem interpretado e conduzido, fez com que eu inevitavelmente cotejasse a minha própria conformação familiar. Um libelo em defesa da autonomização dos chamados "arrimos". Incrível! (WPC>)
Produção japonesa em preto e branco que foi baseado em um romance de 1936 "Inazuma", de Fumiko Hayashi (1903-1951), que conta os dramas de uma família humilde do Japão que vive se desentendendo com os problemas do dia a dia.
Embora os ritmos de Naruse em "Relâmpago" sejam contemplativos, com um número incomum de tons de preto que dividem a estória em movimentos, o conteúdo e as performances do filme evocam o status de subclasse da família com uma fisicalidade quase vulgar. Ainda não foi dessa vez que vi um grande filme de Mikio Naruse (1905-1969), mas creio que tô chegando perto.
A pobre e patética mãe Osei tem quatro filhos, três filhas e um filho, de quatro homens diferentes. A estória de Kiyoko, uma jovem mulher que conseguiu romper com sua família disfuncional que estava tentando organizar um casamento para ela com um homem desagradável que ela rejeitou. Ela encontra um novo apartamento nos subúrbios e, sentada à janela, vê um relâmpago que parece cristalizar a ruptura que fez com o passado.