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Data de lançamento
22 Jan. 2024A Rede Globo confirmou o remake da novela de grande sucesso de Benedito Ruy Barbosa "Renascer".
José Inocêncio (Humberto Carrão / Marcos Palmeira) é um poderoso fazendeiro da zona cacaueira na região rural de Ilhéus, na Bahia. Ao chegar na terra, quando jovem, fincou um facão aos pés de um frondoso jequitibá, como um gesto de sua coragem e do sonho de ser eterno. Zé Inocêncio se apaixona e se casa com a doce e ingênua Maria Santa (Duda Santos), filha do violento e possessivo Venâncio (Fábio Lago), e torna-se pai de quatro filhos: José Augusto (Renan Monteiro), José Bento (Marcelo Mello Jr.), José Venâncio (Rodrigo Simas) e João Pedro (Juan Paiva) – este último cujo nascimento é acompanhado da morte da mãe, por complicações durante o parto.
Essa tragédia faz com que Zé Inocêncio desenvolva uma relação de amor e ódio com o filho caçula, rejeitado desde então pelo pai que o culpa pela morte de seu grande amor, embora seja o único que permaneça ao lado dele. A desavença entre pai e filho é que conduz todas as tramas da história, e a relação piora com a chegada da jovem Mariana (Theresa Fonseca), sedutora, ingênua e ambiciosa, que envolve-se amorosamente com os dois. Ela é na verdade neta do maior inimigo de Zé Inocêncio no passado, o inescrupuloso Coronel Belarmino (Antonio Calloni), assassinado de forma misteriosa, com as suspeitas recaindo sobre o próprio Inocêncio. No presente, José Inocêncio tem um outro inimigo perigoso, o Coronel Teodoro (Vladimir Brichta), seu vizinho, que trava uma luta pela posse de terras e cuja filha, Sandra, apaixona-se por José Pedro, acirrando ainda mais a disputa entre os coronéis.
Paralelamente, os outros filhos de José Inocêncio tomaram caminhos diferentes na vida, distanciando-se do pai e da vida na fazenda: Zé Augusto formou-se em medicina para agradar o pai, mas nunca teve vocação para a carreira; Zé Bento é um advogado mimado e prepotente, o mais ambicioso dos filhos do fazendeiro; já Zé Venâncio vive um casamento infeliz com a oportunista Eliana (Sophie Charlotte) e vê sua vida virar ao avesso ao se apaixonar pela transsexual Buba (Gabriela Medeiros), cujo sonho é ter um filho com o amado, e decide adotar o bebê da garota de rua Teca (Lívia Silva), que está grávida.
Ainda há a história do matuto Tião Galinha (Irandhir Santos), um simplório catador de caranguejos que deixa sua humilde vida no manguezal para dar uma vida melhor a mulher Joaninha (Alice Carvalho) e a seus filhos. O caboclo arranja emprego na fazenda de Teodoro, e em sua ingenuidade, fascina-se pela lenda do diabinho na garrafa - amuleto de sorte que supostamente deixou Zé Inocêncio rico, segundo o próprio -. Obcecado em se tornar um homem rico, Tião põe seu casamento com Joaninha em risco, não percebendo o interesse do pastor Lívio e do próprio patrão em sua esposa. Ao mesmo tempo, Teodoro se envolve com Eliana, capaz de tudo para descobrir o tal "segredo" de Buba, o que coloca o casamento do coronel com a submissa Iolanda (Camila Morgado) – chamada pejorativamente de "Dona Patroa" pelo marido – em perigo.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Fracasso de “Renascer” não é uma surpresa, é um aviso
Apesar de bela e muito bem dirigida, Renascer teve um desempenho apático e esquecível.
Quando os rumores sobre o remake de Renascer começaram a surgir, a possibilidade parecia inicialmente descabida. Não apenas porque as imagens da primeira versão, de 1993, ainda são completamente passáveis do ponto de vista estético; mas também porque parecia uma loucura comercial praticamente repetir o universo de Pantanal com apenas duas outras novelas de intervalo (Travessia e Terra e Paixão) e menos de dois anos de seu último capítulo.
Aparentemente, alguns setores dentro da TV Globo – e até mesmo uma parte da cobertura especializada – não acham que essa urgência com os remakes é um problema ou um reflexo do atual cenário da teledramaturgia. A empresa em si (e não só ela) vive um momento em que grandes investimentos no setor são problematizados por conta de seus conteúdos superficiais, disfarçados com uma roupagem “cinematográfica” vazia. É como se o imagético tivesse amadurecido e o narrativo estivesse empacado. Basta ver os recentes devaneios das temporadas vigentes de Justiça e Os Outros.
No caso das novelas, o recurso do remake virou a muleta defendida com o argumento da história. Sempre tivemos remakes, é fato. Nunca tivemos tantos ao mesmo tempo ou tão seguidos um do outro; ou mesmo no horário das 21. E quando Vale Tudo chegar, terão sido 3 remakes no horário nobre em um espaço de menos de 3 anos. A história da TV aqui não deveria ser a tutela do “sempre foi assim” e sim a evidência de que sim, tem alguma coisa fora do eixo nos domínios da vênus.
Em Renascer, Bruno Luperi tinha – como em Pantanal – a segurança do texto de Benedito Ruy Barbosa. A trama do Coronelzinho José Inocêncio – que chegava a Ilhéus para criar do nada seu império do Cacau – era bem construída, tinha seu universo lúdico próprio e personagens carismáticos… que eram reproduções quase EXATAS do que o autor já tinha feito em Pantanal. Contudo, Pantanal era uma produção da Manchete e quando ele foi para a Globo, sentiu-se à vontade para seguir a encomenda da casa, criando para eles a sua orgulhosa Pantanal 2.
Agora, entre 2022 e 2024, a recepção acaba sendo outra. Pantanal e Renascer têm o mesmo DNA; tem um grupo imenso de personagens parecidos; tem a mesma vibe regional-lúdica; e eles ainda cometeram o desatino de usar o mesmo ator para viver os dois protagonistas. Marcos Palmeira foi uma escolha acertada para Leôncio, mas com Inocêncio passou toda a novela lutando para sentir-se confortável no papel. Entendemos que Luperi quis criar a emocional virada do ator que fez o filho rejeitado agora vivendo pai que rejeita; contudo, a imagem de Marcos Palmeira à frente do mesmo personagem precisava de descanso. Diante de uma interpretação tão minimalista, esse intervalo era ainda mais necessário. Antonio Fagundes fez Mezenga logo depois de Inocêncio, mas, além do intervalo ter sido muito maior, os dois eram completamente diferentes.
Luperi – conhecido por não ter mudado praticamente nada do texto do avô – tomou mais liberdades em Renascer. Não mexeu em praticamente nada nos núcleos centrais, mas acertou principalmente com Zinha, que teve nos capítulos finais da novela uma abertura romântica incomum para casais de mulheres na TV. Samantha Jones defendeu a personagem com muito humor e carisma; o que a tornou, possivelmente, uma das melhores alterações já feitas em remakes na nossa teledramaturgia. De fato, depois de ter falhado miseravelmente na reconstrução do peão Zaqueu de Pantanal, Luperi corrigiu o curso e investiu forte na representatividade LGBTQIA+. Infelizmente, a Buba de Gabriela Medeiros foi um grande equívoco de direção. Houve a inserção da família da moça – que foi acertada – mas o detalhe acabou não sendo suficiente para livrar a personagem de uma constante apatia e insipidez.
Enquanto decisões como a quebra de quarta parede do maravilhoso Norberto – criado com paixão por Matheus Natchtergaele – deram o mínimo de identidade para a novela; abordagens como a de Tião Galinha foram na contramão, provando-se ineficazes diante de um público já cansado de ser “forçado” a se emocionar. Irandhir é um ator especial, mas seu Tião era excessivamente solene; e em comparação com a ingenuidade quase infantil da versão de Osmar Prado, perdia sensibilidade (o que parece, vejam só, completamente irônico). Já a Joana de Alice Carvalho era um desbunde de carisma em cena.
Houve outras escalações que definharam no caminho, mas alguns personagens já nasceram com a necessidade de mudança; e não mudaram. Dona Patroa precisava de um upgrade sobre empoderamento; as “qualidades” da Eliana de Sophie Charlotte pareciam não conseguir muito bem vazar pelas laterais de seus defeitos; Teca, Padre Lívio, Morena, Professora Lu, Ritinha, entre outros, já eram personagens esquecidos na primeira versão e dessa vez foram ainda mais esvaziados.
Em seus últimos dias, a novela apresentou suas mudanças de desfechos, que culminaram em algumas decisões malucas, como o parentesco sem sentido entre Mariana e Teca; e a inocência de Inocêncio na morte de Belarmino, que fez o escopo emocional da primeira fase perder impacto; já que, de uma hora para outra, o pai de Maria Santa não era mais um estuprador incestuoso e sim um justiceiro.
É aquilo… não mexeram onde deviam e mexeram onde não precisava.
Com sequências lindas, cinematográficas, a novela amargou uma completa irrelevância midiática. Nenhum dos personagens viralizou; nenhuma das viradas se tornou marcante para a história da teledramaturgia – sobretudo porque as mesmas possíveis viradas marcantes já tinham feito sua marca em 1993. O investimento em estética era inegável, mas isso não foi o suficiente para impedir Renascer de parecer um genérico sofisticado. Linda direção, lindas atuações, ótimo roteiro-base… e nenhum carisma. Assistir Renascer era como assistir a uma orquestra tocar por 5 horas: uma teoria erudita substancial, mas entediante.
O fracasso não é estrutural. A novela era bonita e bem-feita, mas ela não era o que a audiência queria ver agora. Forçaram essa quase réplica de Pantanal goela abaixo; e o espectador só está regurgitando o resultado. Todos os envolvidos devem ficar muito orgulhosos de terem criado uma novela muito bonita. Mas, o recado é duro e foi dado: nem todas as coisas precisam ver a luz do dia… nem todas as coisas têm a capacidade de renascer.
Enquanto a novela esteve no ar, tive a oportunidade de visitar os estúdios e aqui abaixo vocês podem ter uma noção de como o trabalho dos artistas que levantam uma novela é lindo e admirável. Independente de como julgamos o andamento de uma trama, o que está por trás dela merece toda a nossa reverência.
Fotografia péssima. Escura e depressiva demais. A sensação que me causou é de estar assistindo a um filme de terror.
José Inocêncio do Segundo Testamento, intragável. Marcos Palmeira não parecia estar muito à vontade no papel, e em diversos momentos me deu a impressão de que não queria estar ali. Quase dava para enxergar as nuvens escuras e pesadas sobre a cabeça dele.
A atuação desastrosa da (quase) sempre impecável Camila Morgado, na pele da "Dona Patroa" continua a me assombrar.
Não tem como não destacar a figura do DIRETOR(A) DE FOTOGRAFIA!!! Genial.. não houve UMA sequer cena que onde não tivesse tudo super bem pensado!! imagens lindas!
Gostaria de saber o nome dessa pessoa!
Eu adorei! Final quase sem defeitos.
Só pra deixar marcado que Zé Inocêncio é o pior personagem desde o começo da novela! Insuportável !!!!