Dez vozes do cinema mexicano atual se unem para celebrar o centenário da Revolução Mexicana. Esta compilação multifacetada expressa o momento histórico que ainda ecoa na sociedade atual.
O filme, como toda compilação de curtas de vários diretores, tem seus altos e baixos. Porém, diferente de outros, consegue formar uma unidade interessante em torno das visões dos mexicanos sobre a revolução mexicana, que completou 100 anos em 2010, e suas consequências no México atual. Gostei principalmente dos curtas de Amat Escalante, Carlos Reygadas, Fernando Eimbcke, Rodrigo Plá e Patricia Riggen.
Destaco três dos curtas por ordem de aparição: "Lindo y Querido" (Patrícia Riggen), achei o humor certeiro e mórbido ( claro) e o final é emocionante. "El Cura Nicolás Calgado" ( Amat Escalante) para mim o melhor dos dez! Que reviravolta! e ''Este es mi reino'' (Carlos Reygadas) Não gostei do curta, mas ele é bom, incomoda. Saber incomodar é uma arte, pois não?
E um destaque especial para o curta do supermercado: La tienda de raya ( Mariana Chenillo) por ser dirigido por uma mulher e aderir às causas trabalhistas ( ihuuu). E falar de dentes...
Do mais todos tiverem o seu propósito, claro... Só não fui muito com a ideia de "R-100" ( Gerardo Naranjo)...
Deveras irregular, como sói acontecer em filmes episódicos, mas ótimo em seu conjunto. Porém, a condição anterior requer uma análise episódio por episódio. Vamos a ela, na ordem em que os mesmos surgem:
* Fernando Eimbcke: a fotografia em preto-e-branco é linda e a premissa enredística é deveras promissora, mas algo na parte final deixou uma leve impressão de sub-aproveitamento. Um belo e emocionante conto, mesmo assim...
* Patricia Riggen: apesar da pretendida comicidade (ou justamente por causa dela), o filme é xaroposo, emocionalmente mendicante, desagradável em sua lógica emigrada: desgostei, erca!
* Gael García Bernal: muitíssimo forte em seu discurso (contra-)ideológico, magnificamente interpretado por seus adolescentes, gracioso e sensual e também crítico e pungente. Maravilhoso!
* Amat Escalante: o episódio mais duro e árduo de todo o filme, muito bem-dirigido, com citações imagéticas a Luis Buñuel e Roberto Galvadón, mas deveras original e cruel em sua proposta denuncista. Este diretor DEVE ser mais visto!
* Carlos Reygadas: é covardia ter incluído este diretor aqui! Seu episódio é violento, dançante, picotado, intenso, genial do começo ao fim... me fez pensar no Kusturica dos velhos tempos, só que através de uma montagem à la Oliver Stone de outrora, com toques godardianos possuídos por uma legião de entidades sobrenaturais... Um filme inclassificável de tão genial. Euforia e transe, tapa na cara dos deslumbrados, obra-prima!
* Mariana Chenillo : delicadamente situado após o ponto máximo do filme, este episódio impressiona pela delicadeza logo substituída pela denúncia vivaz da exploração trabalhista. Ótimo!
* Gerardo Naranjo: não é ruim. É fatalista inclusive. Mas não entendi o que quis dizer. Por isso, não funcionou direito...
* Rodrigo Plá: o episódio que melhor se associa ao título e ao projeto analítico mais geral do filme. A interpretação do velhinho protagonista é soberba, antecipando o que o diretor faria em A DEMORA. Magnífico!
* Diego Luna: piegas e comiserativo, tem lá seus bons momentos, mas é cansativo e um tanto forçado em sua tentativa de imprevisibilidade...
* Rodrigo García : deslocado, vergonhoso, insuportável... Pretensioso até o talo em sua beleza quase paralisada, mas irritante pelos mesmos motivos, erca!
Por tudo isso, um filme urgente, que deve ser difundido: muito, muito bom! (WPC>)
Não sou muito muito fã de curtas e esses, em especial, achei muito chatos. Acho que seria bem mais legal abordar os aspectos da revolução mexicana em um longa.
Particularmente, o curta sobre a funcionária
do hipermercado foi o que mais me comoveu.
O filme, como toda compilação de curtas de vários diretores, tem seus altos e baixos. Porém, diferente de outros, consegue formar uma unidade interessante em torno das visões dos mexicanos sobre a revolução mexicana, que completou 100 anos em 2010, e suas consequências no México atual.
Gostei principalmente dos curtas de Amat Escalante, Carlos Reygadas, Fernando Eimbcke, Rodrigo Plá e Patricia Riggen.
Destaco três dos curtas por ordem de aparição: "Lindo y Querido" (Patrícia Riggen), achei o humor certeiro e mórbido ( claro) e o final é emocionante. "El Cura Nicolás Calgado" ( Amat Escalante) para mim o melhor dos dez! Que reviravolta! e ''Este es mi reino'' (Carlos Reygadas) Não gostei do curta, mas ele é bom, incomoda. Saber incomodar é uma arte, pois não?
E um destaque especial para o curta do supermercado: La tienda de raya ( Mariana Chenillo) por ser dirigido por uma mulher e aderir às causas trabalhistas ( ihuuu). E falar de dentes...
Do mais todos tiverem o seu propósito, claro... Só não fui muito com a ideia de "R-100" ( Gerardo Naranjo)...
Ótimo filme.
Deveras irregular, como sói acontecer em filmes episódicos, mas ótimo em seu conjunto. Porém, a condição anterior requer uma análise episódio por episódio. Vamos a ela, na ordem em que os mesmos surgem:
* Fernando Eimbcke: a fotografia em preto-e-branco é linda e a premissa enredística é deveras promissora, mas algo na parte final deixou uma leve impressão de sub-aproveitamento. Um belo e emocionante conto, mesmo assim...
* Patricia Riggen: apesar da pretendida comicidade (ou justamente por causa dela), o filme é xaroposo, emocionalmente mendicante, desagradável em sua lógica emigrada: desgostei, erca!
* Gael García Bernal: muitíssimo forte em seu discurso (contra-)ideológico, magnificamente interpretado por seus adolescentes, gracioso e sensual e também crítico e pungente. Maravilhoso!
* Amat Escalante: o episódio mais duro e árduo de todo o filme, muito bem-dirigido, com citações imagéticas a Luis Buñuel e Roberto Galvadón, mas deveras original e cruel em sua proposta denuncista. Este diretor DEVE ser mais visto!
* Carlos Reygadas: é covardia ter incluído este diretor aqui! Seu episódio é violento, dançante, picotado, intenso, genial do começo ao fim... me fez pensar no Kusturica dos velhos tempos, só que através de uma montagem à la Oliver Stone de outrora, com toques godardianos possuídos por uma legião de entidades sobrenaturais... Um filme inclassificável de tão genial. Euforia e transe, tapa na cara dos deslumbrados, obra-prima!
* Mariana Chenillo : delicadamente situado após o ponto máximo do filme, este episódio impressiona pela delicadeza logo substituída pela denúncia vivaz da exploração trabalhista. Ótimo!
* Gerardo Naranjo: não é ruim. É fatalista inclusive. Mas não entendi o que quis dizer. Por isso, não funcionou direito...
* Rodrigo Plá: o episódio que melhor se associa ao título e ao projeto analítico mais geral do filme. A interpretação do velhinho protagonista é soberba, antecipando o que o diretor faria em A DEMORA. Magnífico!
* Diego Luna: piegas e comiserativo, tem lá seus bons momentos, mas é cansativo e um tanto forçado em sua tentativa de imprevisibilidade...
* Rodrigo García : deslocado, vergonhoso, insuportável... Pretensioso até o talo em sua beleza quase paralisada, mas irritante pelos mesmos motivos, erca!
Por tudo isso, um filme urgente, que deve ser difundido: muito, muito bom! (WPC>)
Não sou muito muito fã de curtas e esses, em especial, achei muito chatos. Acho que seria bem mais legal abordar os aspectos da revolução mexicana em um longa.