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O filme é um semi-documentário sobre pessoas do Rio de Janeiro e acompanha um dia na vida de cinco garotos de uma favela que, num domingo tipicamente carioca e de sol escaldante, vendem amendoim em Copacabana, no Pão de Açúcar e no Maracanã.
É considerada a obra inspiradora do cinema novo, movimento estético e cultural que pretendia mostrar a realidade brasileira. O filme foi censurado pelos militares, que o consideraram uma grande mentira. Segundo o censor e chefe de polícia da época, "a média da temperatura do Rio nunca passou dos 39,6º C".
(L.)
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E começamos a temporada cinematográfica de 2026 com chave de ouro.
Queria agradecer ao meu eu de 11 anos atrás que assistiu "Roma, Cidade Aberta" e se abriu pra uma experiência cinematográfica que ainda lhe era estranha e soube apreciar a brutalidade da realidade apresentada por um filme que não estava preocupado em criar dramas de entretenimento para além do drama que a vida — especialmente uma vida balançada por uma guerra — em si já apresenta.
Esse agradecimento tem tudo a ver com a influência do neorrealismo italiano sobre a obra de Nelson Pereira dos Santos, que ia fazer um filme chamado "Cidade Maravilhosa" falando sobre o carnaval. Imagino que ele fosse fazer algo parecido com o que o diretor francês Marcel Camus mais tarde faria com "Orfeu Negro". Mas então ele olhou para a realidade e entregou um dos filmes mais importantes da história do cinema.
E que filme! Eu não costumo ser cativado logo de cara por histórias de cotidiano, mas "Rio, 40 graus" já me cativa com seus personagens logo nos primeiros minutos e me intriga com seus vários núcleos. Meu eu cinéfilo que gosta de roteiros mirabolantes ficou esperando uma reviravolta absurda que ia explodir minha mente. Mas a conexão entre os núcleos não veio nesse formato. Ela veio com uma sutileza contraditória que conecta todas as histórias como a vida real conecta tudo. Há muito no dito e no não dito. A direção, cinematografia e edição absurda do filme são sofisticadíssimas, mas não são apenas escolhas estéticas, elas costuram essas histórias com uma linha luminosa que denuncia uma estrutura social que, infelizmente, mesmo 70 anos depois, ainda se faz de pé.
[05/01/2025]
Um mosaico carioca impressionantemente atual
“Rio, 40 Graus” é aquele retrato perfeito do início do Cinema Novo: câmera na rua, gente comum em primeiro plano e a cidade como personagem principal. O filme pega um dia absurdamente quente no Rio e mostra como todo mundo se cruza, se esbarra, tenta viver apesar do calor e da dureza da vida. O que mais me pega é perceber como os cinco meninos negros começam como protagonistas e, do nada, viram coadjuvantes. Porque, no fim, é assim que a sociedade sempre age com eles: empurra pra margem, pro quase invisível... Fica esse sentimento de um Rio que pulsa entre alegria e tensão, onde tem samba, tem Maracanã, tem confusão. É direto, é natural e é bem o espírito do Cinema Novo: mostrar a vida como ela é, sem maquiagem.
Da geração que vê o Rio subir os morros para a geração do Rio que descia os morros: há uma história que explica essa beleza caótica.
chaaaaaaaaaato.