Michael e Gunther vivem em Munique sem maiores expectativas quanto ao que fazer de suas vidas, até que eles descobrem um mapa do Rio das Mortes, no Peru, e ficam obcecados com a idéia de viajar para lá a fim de encontrar riquezas. Hanna, noiva de Michael, não fica entusiasmada com o plano dos amigos e tenta incutir juízo nos dois.
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Não é um longa recheado de melodrama e eloquência como em outras obras mais aclamadas do Fassbinder, mas novamente podemos ver o brilhantismo do diretor colocando em cena personagens em eterno conflito com seus próprios desejos, em seus cotidianos atravessados por dilemas burgueses e sofrimentos da vida moderna. Hanna busca estabilidade no casamento e na vida doméstica, enquanto os rapazes procuram um meio de se livrar da vida assalariada daquela Alemanha massacrante do pós-guerra. O drama dos personagens e suas opressões inevitavelmente passam pelo triturador das instituições burguesas, seja o matrimônio, a família ou o dinheiro. É um retrato da alienação da juventude alemã da época diante de suas utopias vazias: a vida matrimonial e o empreendimento colonizador europeu no sul global. Apesar da atitude dos rapazes parecer como uma espécie de fuga existencial ou salvação pra uma chaga individual, no final das contas é também símbolo da perpetuação do modelo extrativista... Ah, e bem que eu estranhei o fato de 'Rio das Mortes' não ser um local no Peru, mas sim no Brasil... Mais um indício do profundo alheamento dos dois jovens e da grande qualidade e inventividade do Fassbinder em produzir sátiras políticas
Vou fazer uma confissão: tenho problemas para entender devidamente o estilo fassbinderiano. Como este filme pertence a uma fase pré-sirkiana, os motes melodramáticos e passionalmente exacerbados só manifestam-se explosivamente naquele brilhante final. Antes disso, assistimos a um percurso quase técnico de preparação para uma viagem (risos): da aquisição do dinheiro para as passagens até a consulta das questões socioeconômicas para instalação no novo ambiente, testemunhamos encontros monocórdicos com alemães referindo-se ao Peru como um mero mercado agrícola e de trabalho barato a ser explorado - ou pior: a ser desdenhado, já que demonstrou-se improdutivo. Em meio a este périplo, cenas interessantes de interação potencialmente prostituída (obsessão do diretor, que aparece num momento magistral), a cargo, sobretudo, da eloqüentíssima Hanna Schygulla. O monólogo mnemônico-militar de Günther Kaufmann é hipnotizante - principalmente, porque tivemos a oportunidade de flagrá-lo desnudo poucos minutos antes - e a direção de arte 'kitsch' antecipa os trabalhos mais célebres do genial realizador, como, por exemplo,AS LÁGRIMAS AMARGAS DE PETRA VON KANT. Um ensaio fílmico, portanto! (WPC>)
Este é talvez um dois filmes mais fracos de Fassbinder, muito teatralizado, com poucos movimentos da camara e uma historia tambén, pouco interessante.
Excelente! Uma pérola perdida entre tantos trabalhos deste diretor inconstante.
Bonzinho...