Hank é um antropólogo norte-americano que desafia a morte vivendo numa cabana na África rodeado de perigosos felinos (leões, tigres, panteras, jaguares...), tentando provar à civilização que é possível conviver com estes animais ao invés de matá-los. Ele convida sua família - que ainda vive nos Estados Unidos - para visitá-lo nas férias, mas, devido a um acidente, não está em casa no momento em que a esposa e os filhos chegam, e estes ficam à mercê das feras.
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A ideia do filme veio quando o diretor Noel Marshall (que só fez esse filme na vida) e sua esposa Tippi Hedren (famosa por sua atuação em ‘Os Pássaros’ de Alfred Hitchcock) estavam na África em 1969, enquanto a atriz filmava "Colheita de Satanás" em Moçambique. Os dois observaram um grupo de leões selvagens se escondendo de caçadores ilegais em uma casa abandonada e decidiram fazer um filme sobre o tema. Além do casal, seus três filhos John, Jerry e Melanie Griffith também foram colocados para participar do filme.
Polêmicas a parte, é um filme muito chato. As cenas histéricas de "ataques" a família pelos felinos são intermináveis e nunca passam a tensão que deveriam. Tudo é muito armado e artificial, com isso os atores nunca parecem estar realmente em perigo. Também tem uma disputa entre leão velho e leão novo na história que não vai a lugar nenhum.
Algumas partes são até patéticas como quando a família encontra um abrigo seguro e imediatamente começam a dormir no meio do dia que deveria ter sido o mais aterrorizante da vida deles... Enfim o roteiro sempre é deixado em segundo para destacar os felinos, que no fim era o grande objetivo do filme.
Apesar de ser praticamente um filme caseiro que não tem muito valor como entretenimento, vale a pena conhecer por curiosidade. A mensagem ecológica é bem intencionada, além da ousadia dos envolvidos na produção que também merece reconhecimento!
Curiosidades: Durante a produção em 1979 a família acumulou cerca de 71 leões, 26 tigres, nove panteras negras, 10 pumas, duas onças-pintadas, quatro leopardos e dois elefantes. O único animal que recusaram foi um hipopótamo.
Para realizar o projeto, Noel Marshall e sua esposa Tippi Hedren adquiriram (ilegalmente) filhotes de felinos resgatados de zoológicos e circos para suas propriedades na Califórnia. Estes locais também foram adaptados para servirem de cenários, imitando a Tanzânia.
Nas cenas em que alguns dos grandes felinos são baleados e mortos por caçadores, o efeito foi obtido quando os animais estavam dopados para fazer coleta de sangue regular.
Durante uma inundação ao rancho do diretor os agentes do xerife tiveram que abater três leões que tinham fugido. Um deles era Robbie, o leão da capa do filme. Pela sua juba negra Robbie era considerado um leão rodesiano único.
Togar, o leão antagonista principal do filme, pertencia anteriormente a Anton LaVey, o fundador da Igreja de Satã. Ele mantinha Togar em sua casa em um bairro de São Francisco.
Durante uma cena, um leão mordeu violentamente a mão de Noel Marshall. Este momento está no filme quando ele é visto tentando sacudir o sangue da mão.
As filmagens principais terminaram em 16 de outubro de 1979, após cerca de três anos. Mas cenas adicionais foram feitas no Quênia elevando o tempo total de produção para 11 anos. A bilheteria mundial foi inferior a US$ 2 milhões contra um orçamento total em torno de US$ 17 milhões.
Estima-se que das 140 pessoas que faziam parte da equipe de produção pelo menos 70 se feriram durante as filmagens. Em uma entrevista de 2015, John Marshall disse acreditar que o número de feridos era superior a 100.
- um dos filmes mais irresponsáveis e desnecessários que já vi na vida
- que ideia merda, deixar os bichos soltos em cima da equipe e do elenco sem proteção alguma
- é agoniante assistir isso, quase não chego no final
- a Melanie Griffith levou 50 pontos na cara, teve que fazer cirurgia de reconstrução facial, pqp
Antes mesmo de começar, Roar já exibe um aviso: “Nenhum animal foi ferido durante as filmagens.” O que não é dito — e deveria — é que todos os humanos saíram machucados. Literalmente. Ossos quebrados, pontos, mordidas, cabeçadas. Um set de filmagem transformado em safári desgovernado. Este é um daqueles filmes cuja fama corre à frente do próprio enredo; os bastidores são mais fascinantes — e absurdos — do que qualquer cena que efetivamente foi parar na tela.
O enredo, aliás, é quase um detalhe: uma família americana viaja à África para reencontrar o patriarca, um pesquisador obcecado por felinos de grande porte. Leões, leopardos, tigres, onças — o que couber na arca. O sujeito vive cercado por dezenas deles, soltos, como quem compartilha a casa com cães domesticados. O problema é que, quando a família chega, ele não está. E é aí que a casa vira a savana: despreparados, os visitantes se veem encurralados. Os felinos invadem a casa, escalam móveis, derrubam armários, perseguem gente pelos corredores, mergulham em barris d’água onde humanos tentam se esconder. Tudo isso ao som de uma trilha sonora de comédia leve, quase pastelão, como se estivéssemos assistindo a Esqueceram de Mim — com a família no lugar dos bandidos. O contraste entre o caos e o piano saltitante no fundo é tão chocante que vira quase um estudo de caso: como destruir a tensão de uma cena com uma música errada.
Visualmente, Roar é hipnótico. Há algo de fascinante em ver leões, tigres e panteras se esgueirando livremente por entre humanos apavorados. Algumas cenas são muito bem dirigidas: enquadramentos conscientes, cortes que mantêm certa fluidez mesmo sob a ameaça iminente de uma garra fora do script. A direção sabe o que faz — ainda que as decisões sejam absolutamente insanas. Uma sequência em que a personagem sobe num elefante, por exemplo, é conduzida como se fosse mágica infantil; saber depois que a atriz quase morreu durante a gravação só torna tudo mais indigesto. É como rir de alguém escorregando numa casca de banana para, só depois, descobrir que fraturou três costelas. A pergunta que paira no ar não é “Será que eles vão sobreviver?”, mas “Por que diabos esse filme foi feito assim?”.
A tentativa de construir uma mensagem ecológica — sobre convivência, harmonia, respeito aos animais — aparece tarde e mal articulada. Há caçadores no enredo, e um clímax que inclui mortes (felinas e humanas), mas nada disso tem o peso dramático que deveria. O filme parece mais interessado em provar que leões podem dormir ao lado de humanos sem comê-los do que em construir uma narrativa real. No final, a família acorda cercada de felinos e sorri, como quem aceita o novo estilo de vida. É reconciliação? Rendição? Ou só alívio por ainda ter todos os membros intactos?
O mais desconcertante em Roar é seu estado de contradição constante. É um filme perigoso, mas filmado como se fosse inofensivo. Uma comédia involuntária, com direção séria. Um desastre controlado — ou a tentativa desesperada de parecer que havia controle. Ele jamais deveria ter sido feito da forma que foi. Mas já que foi, existe um magnetismo quase criminoso em assisti-lo. Difícil chamá-lo de bom filme. Mas impossível chamá-lo de esquecível. Ele lateja na memória como um arranhão fundo: não é fatal, mas deixa marca. Há cenas belas, há composições orquestradas com cuidado, há canções que, sozinhas, funcionam. Mas juntas, todas essas peças formam um mosaico de decisões estéticas e morais profundamente duvidosas — costurado com a coragem, ou loucura, de quem decidiu soltar mais de cem felinos num set. O resultado? Um filme onde o perigo é real, o absurdo constante, e a linha entre ficção e documentário acidental se rompe com a mesma facilidade que um leão arrebenta uma porta. Roar é menos uma obra do que um acidente filmado por várias câmeras — lindo, selvagem e completamente irresponsável.
Ah que fofinhos os "gatinhos" se atacando e atacando toda a equipe! rs
Ainda abismada com esse filme, o puro suco do caos e selvageria (literalmente). Parabéns aos envolvidos pela coragem, porque a noção passou longe.
Assisti porque realmente é uma experiência cinematográfica única, de tão absurda e inacreditável. Mas as cenas e montagem são caóticas, você não sabe o que é roteirizado e o que é improvisado. Incrível (quase milagroso) como ninguém morreu durante as filmagens.
Destaque para:
o leão andando de skate, a família dormindo de conchinha com os leões, os elefantes revoltados e o final, com todo mundo feliz amando a convivência com as feras
Sem acreditar ainda na existência deste filme. Uma experiência impensável pros dias de hoje.