A história acompanha Gabriel, um rapaz do Recife que decide se mudar para o Rio de Janeiro após o falecimento da avó. Após a chegada, apaixona-se perdidamente por Adriano, um exuberante e misterioso garoto de programa vindo do Uruguai.
Achei o filme bem intenso e atuações fortes. Se trata de sentimentos: carência, ausência, liberdade, dor e a falta de maturidade em lidar com esse turbilhão de emoções. Tudo isso em um retrato da realidade do submundo marginalizado lgbt. A um primeiro momento vem o deslumbramento e depois a solidão. A trilha sonora é muito boa, assim como as locações de cenas.
A direção musical e atuações (a preparação de elenco), chamam bastante a atenção. A canção: A noite vai chegar (Lady Zu) em uma cena de beijo ardente abre e garante a assinatura da direção musical bela e afinadíssima, altamente conectada com o roteiro e com as cenas. Um ponto alto do longa... Caio Macedo, o Gabriel da trama, consegue imprimir atuações muito fortes e categóricas. Ele é ao mesmo tempo angelical e ardente, frágil e tenaz... Em alguma medida a atuação dele, seu modo de interagir com a câmera, sustenta o filme... O enredo dá conta de diferentes momentos na vida de Gaybriel, como professor, como amante intenso e como amigo de um pequeno grupo de habitues da Glória, da vida e cena noturna do bairro. Do ponto de vista do roteiro e da direção, a vida de Gaybriel no bairro da Glória, parece ser retratada e construída sem alguns cuidados para tornar o enredo verossimilhante. Na temporada de vivências intensas na vida de Gaybriel, tudo se passa como se ele ocupasse o lugar de representação de um ideal. O ideal de amor livre e sem qualquer limitação, marcado por uma entrega forte e visceral, por conexões, demandas, dependências e carências, de igual intensidade. Gaybriel não passa fome, conecta-se a qualquer pessoa em um movimento de abertura ao universal, que convence muito pouco. Fiquei com a impressão de que roteiro, direção e preparação de elenco estivessem muito saturados por essa percepção de liberdade e abertura radical. Digo saturados, pois há uma tentativa de conectar Gaybriel a vivências intensas, repetidamente encenadas em todas as conexões LGBTs possíveis. Do contrário teriam delimitado nas vivências de Gabriel os elementos de ancoragem e fixação no quais o desejo se acopla. O desejo por conexão, mesmo quando vivido intensamente, talvez seja muito menos flutuante, muito menos completamente aberto e indistinguível, do que o filme tente fazer parecer. Gaybriel não passa fome... Mas talvez passe muito frio... Já que na expressão do desejo (e na visão do roteiro e direção) Gaybriel esteja totalmente [des]coberto de razão.
Ruas da Glória. Direção Felipe Sholl. Estava na espectativa sobre este filme por ser rodado no bairro da Glória, que por sinal é lindo, lugar bucólico e com muita história. Tem muitos filmes com a temática lgbt maravilhosos, por exemplo Me Chame Pelo Seu Nome, Nuovo Olimpo, Segredos de Guerra e muitos outros. A trama acompanha Gabriel( Caio Macedo), um jovem antropólogo e professor que vem morar no Rio e começa frequentar as ruas de badalada noturna. O enredo é bom, mas mal desenvolvido. Muita cena de sexo, repetida, faltou sutileza nessas cenas, o próprio Luca Guadagnino não coloca muita cenas de sexo no seu filme para não atrapalhar aceitação do público e divulgação. O diretor focou muito na paixão intensa e tóxica dos dois rapazes, perdeu oportunidade de focar mais na violência, homofobia, assassinato de homens e mulheres que fazem programas nas ruas, por trás de corpo que fica na esquina a espera de um programa tem uma história triste. O que tem de bom no filme, a trilha sonora,fotografia e os atores que derem o melhor numa história ruim. Faltou emoção, um roteiro mais estruturado. Outro detalhe que não levaram em conta que filmes com temática lgbt não tem só público gay, se quer reconhecimento pelo filme pensa no público em geral que assiste. Filme ruim.
Percebi que assisti a vários trabalhos do diretor e que gostei bastante. E tive o raro privilégio de ver este filme por vontade (ser ser pauta, exigência externa, etc.), sem saber quase nada da trama. O que foi ótimo, pois o filme chegou a mim num instante em que eu necessitava daquelas provocações, daqueles empurrões emocionais. Afinal, confesso, logo de cara: possuo vários traços em comum a personalidade do protagonista, o que não facilitou o processo de empatia. Senti raiva do protagonista em várias oportunidades e achei estranha - mas não inverossímil - o exagero da entrega passional, a imersão naquela obsessão criminosa por alguém tão ostensivamente tóxico. O que reforçou, mais uma vez, a identificação, o quanto o enredo me afetou intimamente. Por mais simplista e/ou circular e reiterativa que pareça a trama, há entrelinhas dignas de atenção, aberturas psicanalíticas, elementos de análise sociológica. A produção é tão bem dirigida que, apesar de eu sentir a duração, de achar o filme longo na transmissão do que ele queria mostrar, senti prazer espectatorial ao longo de todo o percurso. Terminou a sessão, e eu continuei a pensar (e sentir os efeitos) do que eu vi, ouvi e senti. Magnífica a utilização de "Aponte", na voz da rainha Maria Bethânia, nos créditos finais. Há algo de adolescentizado na relação entre os personagens, mas a abordagem é adulta (vide o comentário sobre a decadência da Via Appia, sobre os efeitos devastadoras dos namoros de aplicativo na prostituição e nas paqueras presenciais). Tem algo de "filme de gueto", por vezes, mas transcende esta limitação, ao flertar com mais de um gênero: é um romance fadado ao fracasso, um drama sobre enfrentamento classista /familiar e um suspense. Gostei, marcou, mexeu comigo. Felipe Scholl, te quero bem. De coração! (WPC>)
Achei o filme bem intenso e atuações fortes. Se trata de sentimentos: carência, ausência, liberdade, dor e a falta de maturidade em lidar com esse turbilhão de emoções. Tudo isso em um retrato da realidade do submundo marginalizado lgbt. A um primeiro momento vem o deslumbramento e depois a solidão. A trilha sonora é muito boa, assim como as locações de cenas.
"Eu não quero ir pro céu. Não tem nenhum amigo meu lá. "
Ruas da Glória (Brasil, 2024)
Direção: Felipe Sholl.
Com: Caio Macedo, Diva Menner, Alejandro Claveaux, Alan Ribeiro.
Gabriel, um rapaz do Recife, decide se mudar para o Rio de Janeiro após o falecimento da avó.
Chegando lá, apaixona-se perdidamente por Adriano, um misterioso garoto de programa vindo do Uruguai.
Gabriel vai entrar numa espiral de grandes acontecimentos e consequências na vida noturna do centro de uma grande cidade.
Filmaço visceral, que deixa a gente grudado na tela por toda sua projeção.
Nos cinemas!!!
A direção musical e atuações (a preparação de elenco), chamam bastante a atenção. A canção: A noite vai chegar (Lady Zu) em uma cena de beijo ardente abre e garante a assinatura da direção musical bela e afinadíssima, altamente conectada com o roteiro e com as cenas. Um ponto alto do longa... Caio Macedo, o Gabriel da trama, consegue imprimir atuações muito fortes e categóricas. Ele é ao mesmo tempo angelical e ardente, frágil e tenaz... Em alguma medida a atuação dele, seu modo de interagir com a câmera, sustenta o filme... O enredo dá conta de diferentes momentos na vida de Gaybriel, como professor, como amante intenso e como amigo de um pequeno grupo de habitues da Glória, da vida e cena noturna do bairro. Do ponto de vista do roteiro e da direção, a vida de Gaybriel no bairro da Glória, parece ser retratada e construída sem alguns cuidados para tornar o enredo verossimilhante. Na temporada de vivências intensas na vida de Gaybriel, tudo se passa como se ele ocupasse o lugar de representação de um ideal. O ideal de amor livre e sem qualquer limitação, marcado por uma entrega forte e visceral, por conexões, demandas, dependências e carências, de igual intensidade. Gaybriel não passa fome, conecta-se a qualquer pessoa em um movimento de abertura ao universal, que convence muito pouco. Fiquei com a impressão de que roteiro, direção e preparação de elenco estivessem muito saturados por essa percepção de liberdade e abertura radical. Digo saturados, pois há uma tentativa de conectar Gaybriel a vivências intensas, repetidamente encenadas em todas as conexões LGBTs possíveis. Do contrário teriam delimitado nas vivências de Gabriel os elementos de ancoragem e fixação no quais o desejo se acopla. O desejo por conexão, mesmo quando vivido intensamente, talvez seja muito menos flutuante, muito menos completamente aberto e indistinguível, do que o filme tente fazer parecer. Gaybriel não passa fome... Mas talvez passe muito frio... Já que na expressão do desejo (e na visão do roteiro e direção) Gaybriel esteja totalmente [des]coberto de razão.
Ruas da Glória. Direção Felipe Sholl. Estava na espectativa sobre este filme por ser rodado no bairro da Glória, que por sinal é lindo, lugar bucólico e com muita história. Tem muitos filmes com a temática lgbt maravilhosos, por exemplo Me Chame Pelo Seu Nome, Nuovo Olimpo, Segredos de Guerra e muitos outros. A trama acompanha Gabriel( Caio Macedo), um jovem antropólogo e professor que vem morar no Rio e começa frequentar as ruas de badalada noturna. O enredo é bom, mas mal desenvolvido. Muita cena de sexo, repetida, faltou sutileza nessas cenas, o próprio Luca Guadagnino não coloca muita cenas de sexo no seu filme para não atrapalhar aceitação do público e divulgação. O diretor focou muito na paixão intensa e tóxica dos dois rapazes, perdeu oportunidade de focar mais na violência, homofobia, assassinato de homens e mulheres que fazem programas nas ruas, por trás de corpo que fica na esquina a espera de um programa tem uma história triste. O que tem de bom no filme, a trilha sonora,fotografia e os atores que derem o melhor numa história ruim. Faltou emoção, um roteiro mais estruturado. Outro detalhe que não levaram em conta que filmes com temática lgbt não tem só público gay, se quer reconhecimento pelo filme pensa no público em geral que assiste. Filme ruim.
Percebi que assisti a vários trabalhos do diretor e que gostei bastante. E tive o raro privilégio de ver este filme por vontade (ser ser pauta, exigência externa, etc.), sem saber quase nada da trama. O que foi ótimo, pois o filme chegou a mim num instante em que eu necessitava daquelas provocações, daqueles empurrões emocionais. Afinal, confesso, logo de cara: possuo vários traços em comum a personalidade do protagonista, o que não facilitou o processo de empatia. Senti raiva do protagonista em várias oportunidades e achei estranha - mas não inverossímil - o exagero da entrega passional, a imersão naquela obsessão criminosa por alguém tão ostensivamente tóxico. O que reforçou, mais uma vez, a identificação, o quanto o enredo me afetou intimamente. Por mais simplista e/ou circular e reiterativa que pareça a trama, há entrelinhas dignas de atenção, aberturas psicanalíticas, elementos de análise sociológica. A produção é tão bem dirigida que, apesar de eu sentir a duração, de achar o filme longo na transmissão do que ele queria mostrar, senti prazer espectatorial ao longo de todo o percurso. Terminou a sessão, e eu continuei a pensar (e sentir os efeitos) do que eu vi, ouvi e senti. Magnífica a utilização de "Aponte", na voz da rainha Maria Bethânia, nos créditos finais. Há algo de adolescentizado na relação entre os personagens, mas a abordagem é adulta (vide o comentário sobre a decadência da Via Appia, sobre os efeitos devastadoras dos namoros de aplicativo na prostituição e nas paqueras presenciais). Tem algo de "filme de gueto", por vezes, mas transcende esta limitação, ao flertar com mais de um gênero: é um romance fadado ao fracasso, um drama sobre enfrentamento classista /familiar e um suspense. Gostei, marcou, mexeu comigo. Felipe Scholl, te quero bem. De coração! (WPC>)