Juventude Desenfreada é antes de tudo o retrato de uma época e um filme bem corajoso e relevante do Nagisa Oshima, porém com uma narrativa inconsistente e que tinha potencial para ser melhor. Oshima mostra um Japão pós-guerra decadente e passando por uma "crise de identidade" que gera um processo de transição brusco entre o tradicionalismo e o excesso de liberdade, o que afeta muitas pessoas, principalmente os jovens. Os jovens possuem mais liberdade do que nunca e a liberdade em si é fundamental para qualquer sociedade, mas o que jovens estão fazendo com a liberdade é racional ou saudável? É uma das questões que o filme traz à tona. O casal de protagonistas pensa que a vida é apenas uma aventura em busca de prazer e se esquecem que determinados atos irresponsáveis geram consequências muito devastadoras. Como eu disse antes, a temática em si é muito relevante e continua atual até os dias de hoje, mas eu senti uma certa inexperiência do diretor em conduzir a trama, o que a torna enfadonha em alguns momentos. Eu pesquisei e vi que se trata apenas do segundo filme da carreira do diretor. Talvez seja a explicação. Enfim, é um grande filme? Não, mas é uma obra que toca em temas delicados em pleno ano de 1960 e mostra que o Oshima sempre buscou realizar filmes autorais e honestos que incomodam e fazem pensar. Vale a pena assistir. Para quem se interessar, existe um outro filme do Oshima chamado O Garoto Toshio que tem bastante em comum com Juventude Desenfreada, mas que na minha opinião é muito superior.
Nagisa Ōshima nos apresenta uma juventude completamente despreparada e sem instrução alguma. Esta é a chamada ''modernização social'', onde os jovens não possuem qualquer pensamento significativo sobre seus futuros, repletos de atitudes impulsivas provindas de uma mentalidade fraca, os leva em linha reta ao fracasso de suas vidas. Apesar das diferenças entre a nova e a antiga geração, com relação a estrutura familiar, há um pensamento liberal que ecoa na cabeça das pessoas daquela época: "os tempos são outros", como muito se é dito. Mas os moldes acabam permanecendo os mesmos. As mulheres são consideradas como um objeto sexual, e os homens, aqueles que arcarão com as reponsabilidades familiares. No caso a citada "proteção".
Com ritmo lento, o longa-metragem nos apresenta a um mundo onde todos estão deprimidos e, embora o casal tente lutar para sair dele, acaba sendo impossível. Uma visão bastante pessimista da vida mas que Ôshima se aproxima de uma estética elegante, com uma câmera que, embora devagar em quase todas as partes do filme, não para de se mover. As atuações são decentes, mas a jovem protagonista se destaca, mostrando uma evolução muito clara e fazendo com que o espectador tenha empatia por ela desde o primeiro momento, endurecendo assim as sequências mais dramáticas. Pelo contrário, o personagem masculino é muito mais lisonjeiro, de modo que o contraste é muito evidente. Na minha opinião, há muito diálogo explicativo no fundo do filme, o que faz a história definhar, embora quando há ação ela levanta alguns números inteiros e mantém o interesse. Ressalte-se o grau de violência contra a mulher que se vê ao longo do filme, exagerado. Eu entendo que era outra época e a realidade era diferente, mas é claro que já fazia muito tempo que eu não via algo tão extremo. A duração desse longa-metragem é uma raridade, mas como cinéfilo recomendo a quem gosta de ver um bom cinema, mesmo que seja violento, sombrio e deprimente, com seus pequenos lampejos de beleza e alegria juvenil.
Juventude Desenfreada é antes de tudo o retrato de uma época e um filme bem corajoso e relevante do Nagisa Oshima, porém com uma narrativa inconsistente e que tinha potencial para ser melhor. Oshima mostra um Japão pós-guerra decadente e passando por uma "crise de identidade" que gera um processo de transição brusco entre o tradicionalismo e o excesso de liberdade, o que afeta muitas pessoas, principalmente os jovens. Os jovens possuem mais liberdade do que nunca e a liberdade em si é fundamental para qualquer sociedade, mas o que jovens estão fazendo com a liberdade é racional ou saudável? É uma das questões que o filme traz à tona. O casal de protagonistas pensa que a vida é apenas uma aventura em busca de prazer e se esquecem que determinados atos irresponsáveis geram consequências muito devastadoras. Como eu disse antes, a temática em si é muito relevante e continua atual até os dias de hoje, mas eu senti uma certa inexperiência do diretor em conduzir a trama, o que a torna enfadonha em alguns momentos. Eu pesquisei e vi que se trata apenas do segundo filme da carreira do diretor. Talvez seja a explicação. Enfim, é um grande filme? Não, mas é uma obra que toca em temas delicados em pleno ano de 1960 e mostra que o Oshima sempre buscou realizar filmes autorais e honestos que incomodam e fazem pensar. Vale a pena assistir. Para quem se interessar, existe um outro filme do Oshima chamado O Garoto Toshio que tem bastante em comum com Juventude Desenfreada, mas que na minha opinião é muito superior.
Nagisa Ōshima nos apresenta uma juventude completamente despreparada e sem instrução alguma. Esta é a chamada ''modernização social'', onde os jovens não possuem qualquer pensamento significativo sobre seus futuros, repletos de atitudes impulsivas provindas de uma mentalidade fraca, os leva em linha reta ao fracasso de suas vidas. Apesar das diferenças entre a nova e a antiga geração, com relação a estrutura familiar, há um pensamento liberal que ecoa na cabeça das pessoas daquela época: "os tempos são outros", como muito se é dito. Mas os moldes acabam permanecendo os mesmos. As mulheres são consideradas como um objeto sexual, e os homens, aqueles que arcarão com as reponsabilidades familiares. No caso a citada "proteção".
Com ritmo lento, o longa-metragem nos apresenta a um mundo onde todos estão deprimidos e, embora o casal tente lutar para sair dele, acaba sendo impossível. Uma visão bastante pessimista da vida mas que Ôshima se aproxima de uma estética elegante, com uma câmera que, embora devagar em quase todas as partes do filme, não para de se mover.
As atuações são decentes, mas a jovem protagonista se destaca, mostrando uma evolução muito clara e fazendo com que o espectador tenha empatia por ela desde o primeiro momento, endurecendo assim as sequências mais dramáticas. Pelo contrário, o personagem masculino é muito mais lisonjeiro, de modo que o contraste é muito evidente.
Na minha opinião, há muito diálogo explicativo no fundo do filme, o que faz a história definhar, embora quando há ação ela levanta alguns números inteiros e mantém o interesse.
Ressalte-se o grau de violência contra a mulher que se vê ao longo do filme, exagerado. Eu entendo que era outra época e a realidade era diferente, mas é claro que já fazia muito tempo que eu não via algo tão extremo.
A duração desse longa-metragem é uma raridade, mas como cinéfilo recomendo a quem gosta de ver um bom cinema, mesmo que seja violento, sombrio e deprimente, com seus pequenos lampejos de beleza e alegria juvenil.
É um bom filme . Melhor na primeira metade e depois se transforma num drama familiar .
quem criou a nova onda?