Dirigido por
Data de lançamento
3 Dez. 1998Duração
Comédia romântica que se passa em 1593, mas com ares dos anos 90. Tudo começa quando o jovem Will Shakespeare (Joseph Fiennes) depara-se com uma provação: o bloqueio da criatividade. Não importa o quanto tente, ele não consegue buscar entusiasmo para escrever uma nova peça teatral. Mas então, num momento extraordinário em que a vida imita a arte, ele apaixona-se por Lady Viola (Gwyneth Paltrow), uma mulher que o faz viver sua própria aventura de amor.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Marília Mendonça: Sentimento Louco
02/06/26 (inglês)
A minha repulsa com filmes vencedores de Oscar às vezes é tanta que nesse caso demorei quase 30 anos pra assistir.
Cara, o Oscar talvez seja a premiação mais imbecil que exista dentro do cinema, indo na contramão de tudo.
Esse filme é muito fraco, com todo o respeito a quem gosta dele. Não dá pra acreditar que levou tantos prêmios, incluindo melhor filme e a eterna polêmica de Gwyneth Paltrow desbancar a Montenegro.
Eu assisti ontem pela primeira vez, visualmente, esteticamente e até artisticamente falando: É um belo filme. Mas, com certeza, Gwyneth Paltrow não mereceu o Oscar de Melhor Atriz por esse filme.
Depois de assistir à peça de Hamlet e Hamnet, fiquei com vontade de reassistir esse aqui.
E continua sendo um filmaço.
Assistir depois de tudo o que a gente já ouviu falar sobre esse filme é algo que possui todo o viés do mundo para detestarmos.
O começo é até um pouco bobinho demais, apesar de possuir seu encanto.
Há, porém, um momento em que esse encanto aumenta drasticamente e nos joga no meio de toda a história, que é justamente quando o romance entre Viola e Shakespeare começa a ganhar corpo. Os ensaios intercalados com suas noites são extremamente equilibrados, complementares, envolventes, charmosos, sensuais. É legal também ver como as falas da peça são construídas com muita base no romance dos dois.
Aqui, até comparando com Hamnet, vejo que há um uso melhor deste diálogo entre vida (fictícia) do escritor e sua obra: Ambos possuem um discurso que esvazia um pouco o processo criativo enquanto um trabalho, isso porque falam como se o simples ato de viver uma situação pode trazer a inspiração suficiente para criar uma obra revolucionária. Vejo, porém, que Shakespeare apaixonado, por se levar menos a sério (é uma comédia romântica, afinal), se permite certas liberdades, até porque as situações trazidas na peça são totalmente diferentes do que ele vive. A peça traz um amor proibido que é fatal, ao contrário de seu envolvimento com Viola, por exemplo. Hamnet, por outro lado, traz com sua dramaticidade superlativa uma seriedade que não permite certas brincadeiras.
Vale destacar também que, apesar de usar todos os códigos de uma comédia romântica, o fim se assemelha um pouco mais a uma tragédia. Uma tragédia até real, como comentei: ninguém vai morrer aqui, mas o amor também será impossível.
A maneira como cada um se encaixa em seu papel na apresentação final também é algo previsível, mas que não deixa de ser delicioso, como tudo aqui.
Se já é difícil separar o autor da obra, imagina separar o entorno da obra dela própria. Quem tem asas, acaba se entregando.
A gente tem que se prender também ao fato de que, apesar de tirar o Oscar da Fernanda, ele também tirou o Oscar de O resgate do soldado Ryan, um filme que começa e termina com a bandeira dos EUA. E digo mais: entre os concorrentes a Oscar de melhor filme, Shakespeare Apaixonado era realmente, de muito longe, o melhor.
Viva as comédias românticas e Fernanda Montenegro.
Cadeia pra Harvey Weinstein e Gwyneth Paltrow.
Pra quem viu, recomendo Os enforcados. Shakespeare dessa vez a favor do cinema brasileiro.
21.11.2006