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Sinopse
A décima-primeira e última temporada de Shameless acompanha a família Gallagher e o South Side em uma encruzilhada, com mudanças drásticas causadas pela pandemia do Covid, a gentrificação e outros dilemas pessoais.
Comecei a assistir Shameless por conta de um corte que vi na internet e, bem, acabei terminando a série. Ao longo de 11 temporadas, temos em foco a família Gallagher — modelada para ser um arquétipo do malandro norte-americano. Acredito que, se você chegou até aqui, a décima primeira temporada, a família em si é a coisa menos relevante enquanto mero drama doméstico, afinal ela é a força que engrena os conflitos de fundo. Precisamos ressaltar que a série — que nasce com a proposta de localizar a homônima série britânica (não assisti à série original, mas, pelo que li por aí, elas assumem o próprio caminho a partir da segunda temporada, tornando-se independentes) — tensiona um contexto social e geográfico que às vezes nos é apresentado de forma plástica pela cultura estadunidense. Shameless é sobre uma família, descendente de imigrantes irlandeses, estabelecida na região sul de Chicago (um dos principais polos industriais dos Estados Unidos), delimitando a zona sul como palco dos conflitos sociais que articulam as narrativas. A diversidade econômica e cultural da região é excelente para desenvolver a trama, que tem como alicerce uma urgência, dentro de um viés economicista, de sobrevivência. Analisando resumidamente, todos os problemas da família Gallagher giram em torno de questões financeiras, o que acaba guiando-os para espirais viciosas (o sexo, as bebidas, as drogas e os crimes, que em tese são a válvula de escape, tornam-se características que moldam a identidade deles). No resumo, com altos e baixos, Shameless é um retrato dos distritos pobres — operários —, uma metonímia dos altos e baixos econômicos, sufocado pelos vícios como se reconstituísse de forma autêntica e pós-moderna os espaços sociais retratados em A Selva (1905), de Upton Sinclair. A gentrificação, a decadência pós-Covid, a especulação imobiliária, o deslocamento cultural identitário e a saúde como um fetiche econômico: tudo isso amarra uma densa narrativa que se inicia a partir de Frank Gallagher — alcoólatra, viciado, irresponsável, golpista, preguiçoso e um dos piores pais da história do audiovisual — com o seu monólogo que introduz o espectador à degradação do estilo de vida americano, e encerra-se com o mesmo Frank Gallagher, com o mesmo monólogo, agora retificado, despedindo-se do espectador com a antítese do machadianismo:
“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.” (1881).
Certamente é um clássico das séries. Ver o crescimento do elenco entre a ficção e realidade foi legal como também foi prazerosamente mórbido acompanhar a saga da família Gallagher. É claro que a série perdeu demais com a saída da Fiona até agr não supero, contudo não abalou o legado e a qualidade da série.
Embora tenham conseguido me fazer chorar no episódio final, foi um pouco frustrante como trataram a despedida da temporada. Liam, como sempre, negligênciado. De repente todo mundo quer ir embora só porque é o final da série. Ian querendo ter filhos não me impressiona, mas o jeito que o assunto foi levantado foi tão? Enfim, série do século!
Vim escrever com o nó na garganta, que tá comigo desde aquele aviso da netflix “faltam dois episódios”. Essa temporada e a anterior foram bem medianas, prenderam bem pouco minha atenção e eu admito não ter gostado do desenvolvimento de alguns personagens (e de alguns personagens novos). Só que quando eu pego o conjunto da obra, especialmente todas as temporadas com a Fiona, não tinha como o fim dessa série não deixar um sentimento de vazio depois. Quero muito rever em algum momento e comparar com minhas opiniões de agora (que acabei de terminar): acho que desde a primeira temporada a série mostra que a família não se preocupa em ser boa, e sim em sobreviver, então chegaram a ter episódios que eu nem consegui olhar pra tela de tão absurdos, e acho que a série sempre foi sobre o Frank e a vida ao seu redor, então era de se esperar qual fosse ser o final de Shameless e acho que terminou compatível, na maior parte, com o que a série proprôs. Meus incômodos foram ao longo do tempo, mesmo, tipo com a mudança drástica de personalidade da Debbie e várias “pequenas” tramas sem desenvolver nada , o Carl se tornar policial (embora não saia do absurdo que a série gosta). A única trama mais bem desenvolvida foi a do Lip, e por mim dava tranquilo pra tirar coisas dele e desenvolver mais os outros. No mais, acho que a Fiona fez falta (embora entenda que a atriz precisou sair). Nessas últimas temporadas eu fui assistindo mais “picado”, me distraindo mais fácil, mas não consegui parar de ver porque queria acompanha-los crescendo. Daí as lembranças do Frank deles novinhos mexeu comigo também. É isso, vou aqui tentar lidar com o fato de que acabou… ou começar tudo de novo.
Eu terminei de assistir ela ontem no dia do aniversário do Frank (19/05). Eu sinceramente não sei como vou fazer pra viver sem saber o que tá acontecendo na vida dos Gallaghers[/spoiler] Os absurdos que rolam nessa série tornam ela tão fantástica e humana, a mudança dos personagens conforme crescem, o desenvolvimento de cada um onde o trauma molda cada um deles. Amarei os Gallaghers eternamente! P.S. Queria um Kevin Ball na minha vida kkkkkkkkkkk
Comecei a assistir Shameless por conta de um corte que vi na internet e, bem, acabei terminando a série. Ao longo de 11 temporadas, temos em foco a família Gallagher — modelada para ser um arquétipo do malandro norte-americano. Acredito que, se você chegou até aqui, a décima primeira temporada, a família em si é a coisa menos relevante enquanto mero drama doméstico, afinal ela é a força que engrena os conflitos de fundo. Precisamos ressaltar que a série — que nasce com a proposta de localizar a homônima série britânica (não assisti à série original, mas, pelo que li por aí, elas assumem o próprio caminho a partir da segunda temporada, tornando-se independentes) — tensiona um contexto social e geográfico que às vezes nos é apresentado de forma plástica pela cultura estadunidense. Shameless é sobre uma família, descendente de imigrantes irlandeses, estabelecida na região sul de Chicago (um dos principais polos industriais dos Estados Unidos), delimitando a zona sul como palco dos conflitos sociais que articulam as narrativas. A diversidade econômica e cultural da região é excelente para desenvolver a trama, que tem como alicerce uma urgência, dentro de um viés economicista, de sobrevivência. Analisando resumidamente, todos os problemas da família Gallagher giram em torno de questões financeiras, o que acaba guiando-os para espirais viciosas (o sexo, as bebidas, as drogas e os crimes, que em tese são a válvula de escape, tornam-se características que moldam a identidade deles). No resumo, com altos e baixos, Shameless é um retrato dos distritos pobres — operários —, uma metonímia dos altos e baixos econômicos, sufocado pelos vícios como se reconstituísse de forma autêntica e pós-moderna os espaços sociais retratados em A Selva (1905), de Upton Sinclair. A gentrificação, a decadência pós-Covid, a especulação imobiliária, o deslocamento cultural identitário e a saúde como um fetiche econômico: tudo isso amarra uma densa narrativa que se inicia a partir de Frank Gallagher — alcoólatra, viciado, irresponsável, golpista, preguiçoso e um dos piores pais da história do audiovisual — com o seu monólogo que introduz o espectador à degradação do estilo de vida americano, e encerra-se com o mesmo Frank Gallagher, com o mesmo monólogo, agora retificado, despedindo-se do espectador com a antítese do machadianismo:
“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.” (1881).
Certamente é um clássico das séries. Ver o crescimento do elenco entre a ficção e realidade foi legal como também foi prazerosamente mórbido acompanhar a saga da família Gallagher. É claro que a
série perdeu demais com a saída da Fiona até agr não supero, contudo não abalou o legado e a qualidade da série.
Embora tenham conseguido me fazer chorar no episódio final, foi um pouco frustrante como trataram a despedida da temporada. Liam, como sempre, negligênciado. De repente todo mundo quer ir embora só porque é o final da série. Ian querendo ter filhos não me impressiona, mas o jeito que o assunto foi levantado foi tão? Enfim, série do século!
Vim escrever com o nó na garganta, que tá comigo desde aquele aviso da netflix “faltam dois episódios”. Essa temporada e a anterior foram bem medianas, prenderam bem pouco minha atenção e eu admito não ter gostado do desenvolvimento de alguns personagens (e de alguns personagens novos). Só que quando eu pego o conjunto da obra, especialmente todas as temporadas com a Fiona, não tinha como o fim dessa série não deixar um sentimento de vazio depois.
Quero muito rever em algum momento e comparar com minhas opiniões de agora (que acabei de terminar): acho que desde a primeira temporada a série mostra que a família não se preocupa em ser boa, e sim em sobreviver, então chegaram a ter episódios que eu nem consegui olhar pra tela de tão absurdos, e acho que a série sempre foi sobre o Frank e a vida ao seu redor, então era de se esperar qual fosse ser o final de Shameless e acho que terminou compatível, na maior parte, com o que a série proprôs. Meus incômodos foram ao longo do tempo, mesmo, tipo com a mudança drástica de personalidade da Debbie e várias “pequenas” tramas sem desenvolver nada , o Carl se tornar policial (embora não saia do absurdo que a série gosta). A única trama mais bem desenvolvida foi a do Lip, e por mim dava tranquilo pra tirar coisas dele e desenvolver mais os outros. No mais, acho que a Fiona fez falta (embora entenda que a atriz precisou sair). Nessas últimas temporadas eu fui assistindo mais “picado”, me distraindo mais fácil, mas não consegui parar de ver porque queria acompanha-los crescendo. Daí as lembranças do Frank deles novinhos mexeu comigo também. É isso, vou aqui tentar lidar com o fato de que acabou… ou começar tudo de novo.
Eu terminei de assistir ela ontem no dia do aniversário do Frank (19/05). Eu sinceramente não sei como vou fazer pra viver sem saber o que tá acontecendo na vida dos Gallaghers[/spoiler] Os absurdos que rolam nessa série tornam ela tão fantástica e humana, a mudança dos personagens conforme crescem, o desenvolvimento de cada um onde o trauma molda cada um deles. Amarei os Gallaghers eternamente!
P.S. Queria um Kevin Ball na minha vida kkkkkkkkkkk