Sofia, 20 anos, vive com seus pais em Casablanca. Ela é encontrada dando luz à uma criança ilegalmente fora do casamento. O hospital dá a ela 24 horas para providenciar os papéis do pai antes de alertar as autoridades.
Eu vivo em um país árabe e posso dizer que a cultura árabe foi muito bem capturada neste filme. Família, aparências, histórias por debaixo do pano e fazer de tudo para evitar a vergonha. Todos escravos da boa aparência escrevendo suas próprias tragédias. E nisso temos que não é Sofia, Lena, a bebê os personagens principais, mas a boa aparência. É isso que está em jogo, é sobre isso todos os diálogos. Se falam de negócios e não de pessoas. É tão triste ver Sofia e a bebê
mas acaba como nós sendo uma expectadora da própria cultura sem acreditar no que está vendo.
. No fim a pergunta se tudo valeu a pena é respondida pela mãe de Lena - "Se estão mais ricos então tudo está bem". Mas ficamos com o olhar de Lena para Sofia no alto do seu trono se perguntando "Será?".
Não apenas a condição da mulher em países de cultura árabe, como também a divisão de classes são os temas conciliados por Meryem Benm'Barek-Aloïsi, que venceu o prêmio de melhor roteiro na mostra Un Certain Regard em Cannes. Durante boa parte do tempo, ela cumpre o objetivo de retratar a situação humilhante da personagem-título, cujo 'crime' é praticar sexo antes do casamento, e a imposição do poder econômico em construir uma verdade paralela à realidade.
Entretanto, a revelação que abre o terceiro ato parece relativizar o drama da personagem-título (ou, noutra análise que não a minha, torná-la ainda mais tridimensional). Isto deixou-me com um gosto amargo, embora admire como Meryem enriqueceu com complexidade e ângulos a já tradicional narrativa da mulher árabe vítima da imposição absurda patriarcal.
Visite o @cinemacomcritica no Instagram - www.goo.gl/YpQdyV
A diretora Meryem Benm’Barek-Aloïsi conta a história de maneira muito fria, diria até bastante dura - há uma cena no terceiro ato entre Sofia e seu marido que é bastante cruel - falta compaixão do roteiro e dos demais personagens com Sofia, mas não só, parece que até mesmo Sofia carece de paixão por si e por seu filho, em certa altura ela renega o próprio bebê recém nascido.
Os sorrisos falsos e o casamento espalhafatoso em nome da honra da família, na cena final, são um retrato de como ainda há tanto atraso quando se fala em liberdade feminina mundo afora.
Um filme que critica a sociedade patriarcal por moldar as mulheres de uma maneira alheia à que elas querem.
Eu vivo em um país árabe e posso dizer que a cultura árabe foi muito bem capturada neste filme. Família, aparências, histórias por debaixo do pano e fazer de tudo para evitar a vergonha. Todos escravos da boa aparência escrevendo suas próprias tragédias.
E nisso temos que não é Sofia, Lena, a bebê os personagens principais, mas a boa aparência. É isso que está em jogo, é sobre isso todos os diálogos. Se falam de negócios e não de pessoas.
É tão triste ver Sofia e a bebê
sendo jogadas de uma lado para outro sem um segundo de compaixão
mas acaba como nós sendo uma expectadora da própria cultura sem acreditar no que está vendo.
No fim a pergunta se tudo valeu a pena é respondida pela mãe de Lena - "Se estão mais ricos então tudo está bem". Mas ficamos com o olhar de Lena para Sofia no alto do seu trono se perguntando "Será?".
Para fazer a maior das críticas não é preciso criticar, basta contar bem as tragédias que o mundo já cria
Não apenas a condição da mulher em países de cultura árabe, como também a divisão de classes são os temas conciliados por Meryem Benm'Barek-Aloïsi, que venceu o prêmio de melhor roteiro na mostra Un Certain Regard em Cannes. Durante boa parte do tempo, ela cumpre o objetivo de retratar a situação humilhante da personagem-título, cujo 'crime' é praticar sexo antes do casamento, e a imposição do poder econômico em construir uma verdade paralela à realidade.
Entretanto, a revelação que abre o terceiro ato parece relativizar o drama da personagem-título (ou, noutra análise que não a minha, torná-la ainda mais tridimensional). Isto deixou-me com um gosto amargo, embora admire como Meryem enriqueceu com complexidade e ângulos a já tradicional narrativa da mulher árabe vítima da imposição absurda patriarcal.
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A diretora Meryem Benm’Barek-Aloïsi conta a história de maneira muito fria, diria até bastante dura - há uma cena no terceiro ato entre Sofia e seu marido que é bastante cruel - falta compaixão do roteiro e dos demais personagens com Sofia, mas não só, parece que até mesmo Sofia carece de paixão por si e por seu filho, em certa altura ela renega o próprio bebê recém nascido.
Os sorrisos falsos e o casamento espalhafatoso em nome da honra da família, na cena final, são um retrato de como ainda há tanto atraso quando se fala em liberdade feminina mundo afora.
Um filme que critica a sociedade patriarcal por moldar as mulheres de uma maneira alheia à que elas querem.