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Pedro e Marcela vivem voluntariamente isolados em decadente casa no alto de uma serra de exuberante e selvagem beleza natural. Ele, um ex-publicitário, dedica-se a escrever um romance. Ela, eterna aspirante a cantora, deixa-se levar pelas obsessões do amante. Uma insólita comitiva de bonecos manequins, encomendados por Pedro para servir de inspiração na redação de seu livro, acaba por transtornar a vida do casal. Marcados pela instância ameaçadora do olhar, o casal percebe-se constantemente vigiado. Seja pelos olhos (inanimados?) dos bonecos-personagens, seja pelos olhares inquisidores dos curiosos montanheses da região, estranhamente aglutinados sob às ordens de um carismático líder religioso, seja pela própria presença de um terceiro personagem - Sombra - que se mistura ao olhar da própria câmera, sorrateira e investigativa. E é a partir do olhar, isto é, da articulação expressiva entre diferentes pontos de vista, que desenha-se a narrativa, a trama de suspense psicológico, o conflito que nasce desse estado angustiante e explode não apenas entre os personagens, mas sobretudo individualmente.
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Interessante. Trata-se de uma narrativa a respeito do processo de composição de um romance homônimo do filme, onde o escritor Pedro se vale de um isolamento criativo e imersivo com bonecos/espantalhos que representam os personagens do livro, na companhia de sua musa, Marcela e, esporadicamente, dos caseiros crentes que espiam e perturbam o refúgio psicodélico dos dois sujeitos. A pose de obra independente anunciada logo no início e da fala de Pedro sobre a obra ser um romance pretensioso para poucos, nada interfere na fruição do filme, e pode assustar os incautos, mas o conteúdo narrativo se revela coerente e menos experimental, ou bressaniano, do que se espera.
Assisti no FESTIVAL ESTAÇÃO VIRTUAL: 35 ANOS DE CINEMA BRASILEIRO que rolou on-line entre os das 6 e 31 de maio de 2021. No início do filme uma mensagem informa que o mesmo não fez uso de lei de incentivo, com uma espécie de epígrafe que meio que se vangloriava disso, contudo não do jeito bom, que seria o da superação, mas do jeito ruim, onde meio que parece uma crítica a quem faz uso de tal recurso. Espero não passar de uma impressão errada minha, pois isso seria de uma polêmica vazia sem tamanho, alguém no meio cinematográfico defenestrar leis de incentivo que existem em todo mundo. E por existir em todo mundo é que podemos fazer comparação e saber se o Brasil está no caminho certo. A verdade é que não está. As plataformas de stream no anseio de oferecer conteúdo inédito pro cliente, trazem produções de tudo quanto é canto do planeta, que exibem seus selos de leis de incentivo em sua abertura - assim como nós. Mas, diferente do Brasil, fora do país essas leis atendem todo tipo de produção, indiscriminadamente. Aqui no Brasil, os filmes parecem que são obrigados a explorar certos temas para conseguir passar nos editais (analisando aqui, claro, todo antes do governo obscurantista que está no poder enquanto escrevo, porque este nem edital lança, para que se possa fazer qualquer análise). Isso acarreta em produções muito parecidas umas com as outras, com temas semelhantes, abordagens praticamente idênticas, onde o cinema de gênero pouquíssimas vezes é explorado. Isso é ruim! Então espera-se de um filme que não fez uso das leis de incentivo - e que se vangloria disso -, que ele não esteja preso a algumas amarras. Afinal, o cara tirou dinheiro do próprio bolso pra poder contar sua história. Mas, aí, assistindo este STROVENGAH, eu me pergunto? Que história quiseram contar aqui? É um compilado de cenas grotescas, a maioria delas envolvendo alguma coisa relacionada a sexo e nudez - tem até uma cena de estupro coreografada - , onde não existe um fio de história sequer sendo contada ali. É personagem surgindo do nada e ido pra lugar nenhum. Uma loucura sem sentido! Ao final, se produziu uma sinopse pra fingir que aquilo ali tinha alguma história a contar. Sério? Eu não consigo entender. Ninguém que um dia desejou ser cineasta, começou querendo ser o novo Goddard, ou o novo Fellini. Com alguma sorte, o sujeito queria ser um novo Scorsese, ou o novo Kubrick, porque o que o sujeito quer mesmo é ser no novo Spielberg, ou o novo James Cameron, ou o novo Michael Bay, ou o novo Zack Snyder, e vai descendo até o desejo do sujeito ser dirigir o Adam Sandler. Então ele entra no cursinho de cinema, rola aquela lavagem cerebral - que ocorre em todos os curso, inclusive nas exatas, que gostam de se vangloriar que não existe esse tipo de prática, mas só falta enfiar a força goela a baixo a bibliografia do IMPA -, e vão forçando os clássicos na cabeça do sujeito. Mas essa é só a porta de entrada pras drogas do underground. E, aí, dane-se o Goddard, meu parceiro! Ele não quer ser nada disso! Ele tem que ser subversivo! Ele tem que ser transgressor! Ele tem juntar dinheiro do próprio bolso pra fazer... STROVENGAH... ESSA GRANDISSÍSSIMA BOSTA! Esse saco de estrume sem sentido, que faria Uwe Bol corar e se cagar nas calças de como essa merda é ruim! Como alguém pode gastar dinheiro do próprio bolso com esse lixo!? E ainda se vangloriar disso! Pelo menos o CINEASTINHA BRASILEIRO médio pode dar a desculpa que está amarrado ao edital, e esse lixo aqui!? Não dá! É irracional! O cara concebeu isso na cabeça dele e achou que era tão bom a ponto de investir o próprio dinheiro nisso. Cacete, pegava esse dinheiro e usava em drogas, porque pelo... péra... talvez ele tenha feito isso, porque estar sobre efeito de alucinógenos é a única explicação pra alguém colocar dinheiro nesse esgoto com geosmina! Nota 1 de 10, mas sobre protesto, porque infelizmente não se pode dar zero!
Fujam desse filme!
Estranho é a palavra que melhor define esse filme.
Comecei a assistir no Canal Brasil mas o sono me venceu, preciso terminar. Me chamou a atenção pela loucura do roteiro, parece ser bastante interessante (parece).