Montanhas cobertas de neve no Japão. Toda noite, um pescador abre caminho para ir ao mercado na cidade. Seu filho de 6 anos é acordado por sua partida e acha impossível voltar a dormir. Na casa com sono, o menino desenha uma foto que ele então desliza em sua mochila. A caminho da escola, ainda sonolento, ele se afasta do caminho e vagueia na neve ...
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
é sobre aprender a estar sozinho, e sobre como isso só é possível a partir da ausência de um outro.
Ainda, é algo muito comum que, ao filmar uma criança, os diretores nos deem um vislumbre ou até mesmo nos descrevam o que elas estão imaginando... Não é o caso aqui. O espectador está completamente alheio e externo à imaginação de Takara. Não sabemos o que de fato ele pensa ao perambular pela cidade, por exemplo. Não sabemos que conversas ele de fato tem consigo. Acredito que esta é uma boa sacada dos diretores, pois nos obriga a imaginar esses diálogos internos, o que pode vir a apontar ao espectador adulto um cruel fato: o de que já não é tão simples imaginar, brincar, desenhar. Nós já não temos tanta facilidade em acessar a criança que um dia fomos. Também nos confronta com a nossa própria solidão, e com o quanto suportamos assistir a um filme de cenas aparentemente comuns e sem falas.
Eu achei muito bonito, muito singelo, muito humano. Quando estamos sozinhos, sem ninguém nos assistindo, despercebidos de nós mesmos, talvez ainda sejamos todos como o pequeno Takara.
Um longa com cenas arrastadas, enfadonhas, sem que absolutamente nada interessante aconteça. A filmagem quase estática de uma criança no seu cotidiano comum solitário pela cidade e sua casa. Entendemos que um filme de arte quer te tirar do mais do mesmo, mas entendemos também que existem longas que conseguiriam comunicar os sentimentos de quase-abandono da personagem sendo um curta de 5 min, que é o caso aqui.
Eleito o cão, melhor companheiro!
Pergunta que não quer calar: Quando chegará a primavera?
Lembrou Ozu, das câmeras baixas à crítica ao novo modus operandi do Japão pós-guerra, que valorizava muito o trabalho em detrimento à família.