" A gente já nasce com o dom já. Ninguém ensina não. "
Terra de Ciganos?Brasil, 2020) Direção: Naji Sidki.
Não dá pra chamar o longa "Terra de Ciganos " de documentário, pois apesar de retratar a vida real de várias famílias ciganas, quase tudo aqui é encenado.
Seria um docudrama. Mas também falha na sua execução.
O filme é fala sobre um povo que desafia o tempo, sem o apego à terra, aos bens materiais e que, há séculos, tenta manter sua cultura.
Com uma bela fotografia de Kátia Coelho as histórias em si são interessantes mas contadas sem sutileza alguma as cenas são todas artificiais demais.
Uma delas onde homens ciganos negociam a aquisição de uma égua é vergonhosa de tão patética.
Deixamos de prestar atenção nas histórias e ficamos presos nessa teatralização da vida real.
É o grande equívoco da direção pois aqui são retratos de um povo livre, nomade, sem amarras que estão presos no filme que ao invés de observar, força situações para querer nos mostrar quem são essas pessoas.
Sei que ao ligar uma câmera, já não temos a vida como ela é, e gosto da ideia do filme fugir das entrevistas tradicionais de documentários mas no caso de "Terra de Ciganos ", são elas, as poucas entrevistas, que rendem os melhores momentos, os que mais nos aproximam das pessoas ali da telona.
Outro documentário brasileiro diferente que chega às telas e faz uma reflexão sobre um Brasil pouco conhecido. ‘Terra de ciganos’, de Naji Sidki, narra a trajetória de famílias de ciganos em diversos pontos do país, que se dedicam à preservação de suas tradições fazendo arte – na música, no circo e na dança. Em formato de road movie, em que a câmera segue por estradas buscando os entrevistados, o filme tem aspecto de musical, com sequências em que os personagens cantam e tocam diante da tela. O Brasil reúne a terceira maior população cigana do mundo, com 800 mil indivíduos, e no documentário eles falam sobre um ponto crucial – o preconceito secular contra esse grupo nômade. Três comunidades são abordadas no filme, os Rom, Sinti e Calon, e seus membros contam histórias extraordinárias que comprovam sua resistência. Exibido no In-Edit - Festival Internacional do Documentário Musical desse ano, o doc, produzido pela Veríssimo Produções, está nos cinemas pela Pandora Filmes. POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB
Sou apaixonado pela cultura cigana, de modo que tinha certeza de que gostaria bastante deste filme. Os depoentes são ótimos e a fotografia é ótima. O diretor investe na musicalidade, de modo que há diversos videoclipes internos, maravilhosos. Fiquei apaixonado por aquelas pessoas, querendo saber mais... Que algumas situações ocorram aqui no Nordeste foi algo particularmente fascinante - e também atordoante, visto que os ciganos ainda são estigmatizados, infelizmente. Trabalho de pesquisa muito bom, canções apaixonantes (em idioma específico) e ritmo ágil. Ótimo documentário! (WPC>)
" A gente já nasce com o dom já. Ninguém ensina não. "
Terra de Ciganos?Brasil, 2020)
Direção: Naji Sidki.
Não dá pra chamar o longa "Terra de Ciganos " de documentário, pois apesar de retratar a vida real de várias famílias ciganas, quase tudo aqui é encenado.
Seria um docudrama. Mas também falha na sua execução.
O filme é fala sobre um povo que desafia o tempo, sem o apego à terra, aos bens materiais e que, há séculos, tenta manter sua cultura.
Com uma bela fotografia de Kátia Coelho as histórias em si são interessantes mas contadas sem sutileza alguma as cenas são todas artificiais demais.
Uma delas onde homens ciganos negociam a aquisição de uma égua é vergonhosa de tão patética.
Deixamos de prestar atenção nas histórias e ficamos presos nessa teatralização da vida real.
É o grande equívoco da direção pois aqui são retratos de um povo livre, nomade, sem amarras que estão presos no filme que ao invés de observar, força situações para querer nos mostrar quem são essas pessoas.
Sei que ao ligar uma câmera, já não temos a vida como ela é, e gosto da ideia do filme fugir das entrevistas tradicionais de documentários mas no caso de "Terra de Ciganos ", são elas, as poucas entrevistas, que rendem os melhores momentos, os que mais nos aproximam das pessoas ali da telona.
Um desperdício de boas ideias.
Outro documentário brasileiro diferente que chega às telas e faz uma reflexão sobre um Brasil pouco conhecido. ‘Terra de ciganos’, de Naji Sidki, narra a trajetória de famílias de ciganos em diversos pontos do país, que se dedicam à preservação de suas tradições fazendo arte – na música, no circo e na dança. Em formato de road movie, em que a câmera segue por estradas buscando os entrevistados, o filme tem aspecto de musical, com sequências em que os personagens cantam e tocam diante da tela.
O Brasil reúne a terceira maior população cigana do mundo, com 800 mil indivíduos, e no documentário eles falam sobre um ponto crucial – o preconceito secular contra esse grupo nômade. Três comunidades são abordadas no filme, os Rom, Sinti e Calon, e seus membros contam histórias extraordinárias que comprovam sua resistência. Exibido no In-Edit - Festival Internacional do Documentário Musical desse ano, o doc, produzido pela Veríssimo Produções, está nos cinemas pela Pandora Filmes.
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB
Sou apaixonado pela cultura cigana, de modo que tinha certeza de que gostaria bastante deste filme. Os depoentes são ótimos e a fotografia é ótima. O diretor investe na musicalidade, de modo que há diversos videoclipes internos, maravilhosos. Fiquei apaixonado por aquelas pessoas, querendo saber mais... Que algumas situações ocorram aqui no Nordeste foi algo particularmente fascinante - e também atordoante, visto que os ciganos ainda são estigmatizados, infelizmente. Trabalho de pesquisa muito bom, canções apaixonantes (em idioma específico) e ritmo ágil. Ótimo documentário! (WPC>)