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Data de lançamento
6 Out. 1995Duração
Em 1936, jovem inglês desempregado abandona Liverpool para lutar contra os fascistas na Guerra Civil espanhola. Junta-se ao contingente internacional da Milícia Republicana, em Aragon, e mais tarde se desentende com seus companheiros do Partido Comunista. Com essa história, Loach exprime sua precisa visão política e seu engajamento socialista inflexível.
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O filme mostra como as guerrilhas de esquerda nunca foram unidas e dentro de um mesmo grupo há intermináveis divergências. Enquanto estão no front está tudo bem, mas quando precisam decidir como coletivizar os meios de produção aí ninguém chega num acordo. O romantismo revolucionário é como fogo em palha...
Ken Loach é o típico diretor de cinema panfletário, que não esconde o fato de que seus filmes estão a serviço do socialismo. Sua visão de mundo é maniqueísta e parcial, pois como todo militante de esquerda, para ele só há uma causa para os problemas sociais e as injustiças sofridas pela classe trabalhadora. Mas, em alguns casos, os acontecimentos históricos forçam uma auto crítica, e a guerra civil espanhola é um exemplo terrível para pessoas enganjadas, de como divisões entre as forças progressistas, e a disputa político-partidária, contribuíram para uma das piores derrotas dos marxistas. Reconhecer isso ajuda a entender a vitória de Franco na Espanha, e também aponta para a possibilidade de que as coisas teriam sido diferentes se não prevalecesse a desunião. Portanto, Terra e Liberdade é um filme no qual a militância do diretor dá o braço a torcer, e mostra que a esquerda também erra. Pena que essas lições da História acabem sempre sendo esquecidas, ou, o que é pior, sendo mal compreendidas, uma vez que o stalinismo, por exemplo, vem sendo "reabilitado", por representar uma época em que não havia apenas uma potência hegemônica, e com isso, as novas gerações são privadas de conhecer o quanto esse mesmo stalinismo favoreceu indiretamente a vitória dos franquistas, perseguindo e matando anarquistas e membros do P.O.U.M, apenas porque Stalin não admitia compartilhamento do poder.
Sinto em escrever isto mas este é de longe o pior Ken Loach que vi. Sinto pois é um diretor que me agrada tanto quando lança seu olhar para a classe operária e suas batalhas diárias de existência e aqui ele vai para a batalha de fato, todavia um filme lotado de discursos vazios , um blábláblá interminável e muita troca de tiros que não é nem de perto o forte do diretor. Ken Loach costuma ser forte em humanidade e esperança , aqui é exatamente o oposto.
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El bien más preciado es la libertad
Hay que defenderla con fe y valor
O idealista David viaja à Espanha pós-golpe franquista objetivando combater, através da luta armada, os fascistas usurpadores. Mesmo que motivados pelos mesmos problemas e compartilhando dos mesmos ideais de transformação social, os camaradas logo têm de lidar com as divergências de abordagem, vindas de diferentes experiências de vida e formação.
Enquanto há os que defendam focar em derrotar o fascismo para, só a partir daí, debater a construção da nova sociedade, há os que sustentem que a revolução deva ser implantada naquele mesmo momento, aproveitando o clima favorável. O alemão cita os 6 milhões de sindicalistas de seu país, que deixaram a revolução para mais tarde e estavam sendo governados por Hitler, e recebe como resposta que a ideologia não adianta se a guerra for perdida, se todos estiverem mortos.
O debate, apenas um dos que se colocam durante o filme, gera uma inevitável reflexão sobre a postura da esquerda através dos tempos. Na ânsia de acertar o máximo possível, as divergências se instalam, e a desunião leva ao fracasso. A necessidade de construir, principalmente uma nova mentalidade, exige ferramentas das quais geralmente não se dispõe e, no improviso, pouca gente concorda.
Os já citados debates deixam a obra menos dinâmica e, por vezes, monótona. Também, há um certo tom de melodrama que incomoda. Mesmo assim o filme mostra-se muito importante para quem se interessa por História e faz um bom trabalho ao transpor a realidade da revolução e dos revolucionários, além de entregar algumas reflexões, como a esperançosa (e também melancólica) fala final do protagonista: Porque a batalha é longa e eles são muitos, mas nós somos muitos mais… Sempre seremos muitos mais! O amanhã é nosso, companheiros!
"Entre na batalha.
Nela ninguém perde.
Mesmo aquele que perde, seus feitos ainda prevalencem." ✊🏾
- William Morris