Dirigido por
Data de lançamento
21 Out. 1983Duração
Johnny Smith é um professor de literatura que estava prestes a se casar quando sofre um acidente de carro e fica cinco anos em coma. Ao recobrar a consciência, descobre que perdeu sua carreira e Sarah Bracknell (Brooke Adams), sua noiva, mas em compensação ganhou poderes paranormais que o permitem prever o futuro. Assim, ele tem o poder de alterar o curso dos acontecimentos e este é o seu dilema: interferir ou sofrer sozinho, sabendo das tragédias que estão por acontecer.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
The Dead Zone de 1983, no Brasil Na Hora da Zona Morta. Eu gostei. É um tema interessante que abre margem para várias possibilidades e discussões sobre destino, responsabilidade e o peso de ter um poder que ninguém pediu.
Fiquei meio triste com a forma como foi conduzida a vida de Johnny (Christopher Walken) após o acidente. Praticamente ele não teve nenhuma felicidade real depois daquilo. Em meio a tanta perda e isolamento, acabou encontrando um propósito.
E mesmo de certa forma falhando no seu objetivo final, de uma maneira conseguiu o que queria — talvez com um resultado ainda melhor do que o planejado. Afinal, Stillson (Martin Sheen) se matando é muito melhor do que sendo assassinado. Se tivesse sido morto por Johnny, talvez virasse mártir e nunca viesse à tona sua verdadeira face. Do jeito que aconteceu, a hipocrisia dele ficou exposta.
A Sarah (Brooke Adams) ter abandonado ele após 5 anos é compreensível. Ela não poderia esperar por algo incerto a vida inteira e talvez ficasse velha sem ter filhos ou se casar. Óbvio que se o amor fosse tão forte assim ele poderia ter feito diferente, mas acho que aí não cabe julgamentos. Agora, as atitudes dela depois desagradaram. Ir atrás de Johnny apenas para passar um dia, sem sentido nenhum mais profundo, e ainda fazer campanha para um político daquela ideologia, são escolhas que enfraquecem a personagem. O Stuart (Anthony Zerbe) tem uma fala interessante, algo como “ninguém consegue ver através desse cara?”, referindo-se a Stillson e dizendo que ele finge ser alguém que não é. Fica claro que Stillson interpreta um personagem e que todas as suas falas parecem coreografadas. Acho que esses pontos poderiam ter sido diferentes e moldado melhor o caráter e a personalidade dela.
Boa participação também de Herbert Lom como Dr. Sam Weizak. Ele traz um pouco de humanidade e suporte para Johnny em meio a tanta solidão, sendo uma presença acolhedora no filme. Confesso que tenho uma admiração especial por Lom. Sua carreira vem desde filmes bem mais antigos, e ele sempre entregou interpretações marcantes, seja em papéis dramáticos ou cômicos. Ver ele aqui, em um registro mais contido e humano, só reforça a versatilidade e a qualidade de um ator que atravessou décadas mantendo presença e competência.
Interessante que qualquer semelhança com algum político ou ideologia de tal político é mera coincidência. Os estereótipos estão aí. Mesmo que os patetas não tenham capacidade para iniciar uma guerra, vontade eles têm de sobra.
No geral, um bom filme de ficção com tema forte, boa atuação de Christopher Walken e uma história que provoca reflexão. Mesmo com alguns caminhos questionáveis no desenvolvimento dos personagens, a proposta central funciona e deixa o espectador pensando.
Assistido em 08/09/2026
Só vejo bons comentários, mas acredito que são de pessoas que não leram o livro.
O filme é muuuuuito raso. Uma das principais cenas do livro foi cortada. O personagem do Greg demora a aparecer e não temos tempo de conhecer Johnny a fundo, sua história, seu caráter.
Graças a Deus li antes.
Tem mal que é para um bem.
A Hora da Zona Morta (1983) ocupa um lugar fascinante e ligeiramente atípico tanto na filmografia de David Cronenberg quanto no vasto panteão de adaptações de Stephen King. Longe das bizarrices viscerais e do body horror que consagraram o diretor canadense na época, o longa opta por uma abordagem muito mais melancólica, fria e contida. O resultado é um suspense psicológico eficiente que troca o choque visual por um incômodo existencial constante, ancorado por uma das atuações mais magnéticas da carreira de Christopher Walken.
O grande trunfo da produção reside na humanidade trágica conferida a Johnny Smith. Walken transforma o protagonista não em um super-herói ou em uma aberração de circo, mas em um homem profundamente quebrado pelo tempo perdido e pelo isolamento que seu "dom" impõe. Cada visão de Johnny é retratada como um fardo físico e mental hercúleo. A direção de Cronenberg brilha justamente ao abraçar essa atmosfera de inverno perpétuo, usando a fotografia pálida e o ritmo deliberado para externalizar a solidão do personagem, fazendo com que o espectador sinta o peso de cada toque indesejado.
No entanto, a estrutura narrativa do filme, fragmentada em três atos muito distintos, impede que a obra atinja o status de obra-prima irretocável. O roteiro se comporta quase como uma minissérie condensada: passamos pelo drama pessoal do despertar do coma, transitamos por um thriller policial procedural (na caça ao assassino de Castle Rock) e, finalmente, desembocamos em uma trama de conspiração política com a introdução tardia, mas enérgica, do vilão interpretado por Martin Sheen. Embora cada segmento seja individualmente instigante, a transição entre eles soa um pouco abrupta, diluindo o momentum do clímax.
Mesmo com os tropeços de ritmo em sua segunda metade, o terço final recupera a força ao plantar um dilema ético devastador sobre o livre-arbítrio e o peso do sacrifício pessoal. Ao questionar se é legítimo alterar o curso da história através da violência para evitar uma tragédia futura, o filme se eleva acima da média dos suspenses da década. Com uma atmosfera impecável e um elenco afiado, A Hora da Zona Morta continua sendo um exemplar sólido, maduro e indispensável do cinema de gênero dos anos 80.
Christopher Walken 🫦