Uma prisão está prestes a ser evacuada para um projeto de expansão de um aeroporto. O coronel Jahed e seus oficiais estão ocupados transferindo todos os presos para as novas instalações, mas um preso está desaparecido.
Minha namorada havia assistido a este filme no Irã e havia me falado maravilhas, então era o que mais tinha interesse na 43ª Mostra de Cinema de São Paulo. O filme cumpriu o que prometia e sanou todas as minhas expectativas. Há cenas maravilhosas, as atuações estão ótimas e a história é muito bem amarrada e conduzida pelo diretor. O conflito do carcereiro pode não ter o mesmo peso para algumas pessoas, digo que essas pessoas estão bem distantes do que significa ser um ser humano. Condenar um homem que você sabe ser inocente à morte em prol da sua carreira deve ser uma das piores coisas da vida, e a cultura iraniana ainda se coloca bastante no lugar do outro, coisa que vem se perdendo gradualmente com o passar do tempo, mas ainda assim é mais forte do que a nossa sociedade ocidentalizada. Este foi o primeiro filme iraniano a utilizar algumas técnicas de filmes americanos, mas não vemos em nenhum momento a perda de identidade iraniana nele. Única coisa que me incomodou é que parece que não existe um título em farsi com o nosso alfabeto para o filme e ele foi lançado com o título original em inglês mesmo. A cena em que a fumaça do gás lacrimogênio invade o presídio é arte pura.
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Este é um filme diferente dos habituais dramas existenciais iranianos que nos acostumamos a ver. Realmente quiseram dar um ar mais comercial ao filme e a produção ficou caprichada. A história é de um presídio que está prestes a ser desativado, pois ali será construído um aeroporto. Com a mudança dos prisioneiros sendo feita com sucesso, o carcereiro do título (que está mais para diretor responsável do presídio) receberá uma bem vinda promoção, só que acontece algo que poderá atrapalhar suas pretensões. Um prisioneiro desapareceu e ele tem pouco tempo pra encontrá-lo. Começa então uma busca com muita tensão e a trama se dá ao luxo de ter até pitadas de romance e de um discreto humor, ou seja, tudo muito original e envolvente. Gostei da ousadia do diretor. Detalhe: achei que o bom protagonista lembra vagamente Andy Garcia e a beleza e charme da atriz que fez a assistente social também chamou a atenção.
Engraçado como algumas surpresas acontecem quando selecionamos um filme por seu país. O cinema iraniano atravessa uma ótima fase e por isso escolhi este O Carcereiro de sinopse atraente àqueles que adoram um filme de prisão.
Década de 60, uma prisão está prestes a ser evacuada para um projeto de expansão de um aeroporto. Jahed, o carcereiro do local, está encarregado de transferir todos os presos para as novas instalações, mas um preso sentenciado à morte desaparece. Jahed terá de solucionar o caso o quanto antes para que não perca uma promoção nem a própria vida.
Logo de início é possível notar como este é um projeto de grande porte que não tem como base as discussões religiosas, políticas e opressivas típicas do cinema iraniano. Durante os créditos iniciais a câmera passeia por variadas divisões da enorme prisão, com uma trilha emocionante ao fundo. Este aspecto de superprodução comercial parece escolhido para levar grandes massas aos cinemas e nessa proposta O Carcereiro até se sai bem. Só incomoda o fato da roupa dos presos ser tão limpa, este aspecto mais "clean" já é um cartão de visitas para a proposta do filme, algo bem ameno, mesmo que se passe em uma prisão.
Dadas essas limitações que o diretor Nima Javidi atribui à produção, não há nada aqui que fuja do que já vimos centenas de vezes no cinema americano, de Um Sonho de Liberdade a Papillon, com a diferença de que aqui acompanhamos a história pela perspectiva do chefe da prisão e não do fugitivo, com isso, nunca sabemos se de fato alguém fugiu e menos ainda para onde foi, a dúvida e a obsessão de Jahed por seu prisioneiro acaba sendo também a nossa, não sabemos se devemos torcer para que alguém condenado à morte seja capturado ou escape ou para que o carcereiro consiga, enfim, cumprir com sua obrigação de entregar a prisão conforme lhe foi solicitado, e em se tratando do Irã, sabemos que, caso ele falhe, a punição será severa e ele será o provável condenado no lugar do desaparecido.
Cabe espaço até para um romance, outro elemento típico do cinema norte-americano, não chega a enfraquecer o filme, mas mostra como até mesmo o Irã, um país tão fechado para o imperialismo americano, já está cedendo a alguns de seus clichês.
Navid Mohammadzadeh está ótimo.
Parinaz Izadyar é linda.
Jahed não é carcereiro.
Da metade em diante, o filme decepciona.
O final é cafona.
Disponível no SPCine Play gratuitamente.
Minha namorada havia assistido a este filme no Irã e havia me falado maravilhas, então era o que mais tinha interesse na 43ª Mostra de Cinema de São Paulo. O filme cumpriu o que prometia e sanou todas as minhas expectativas. Há cenas maravilhosas, as atuações estão ótimas e a história é muito bem amarrada e conduzida pelo diretor. O conflito do carcereiro pode não ter o mesmo peso para algumas pessoas, digo que essas pessoas estão bem distantes do que significa ser um ser humano. Condenar um homem que você sabe ser inocente à morte em prol da sua carreira deve ser uma das piores coisas da vida, e a cultura iraniana ainda se coloca bastante no lugar do outro, coisa que vem se perdendo gradualmente com o passar do tempo, mas ainda assim é mais forte do que a nossa sociedade ocidentalizada. Este foi o primeiro filme iraniano a utilizar algumas técnicas de filmes americanos, mas não vemos em nenhum momento a perda de identidade iraniana nele. Única coisa que me incomodou é que parece que não existe um título em farsi com o nosso alfabeto para o filme e ele foi lançado com o título original em inglês mesmo. A cena em que a fumaça do gás lacrimogênio invade o presídio é arte pura.
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Este é um filme diferente dos habituais dramas existenciais iranianos que nos acostumamos a ver. Realmente quiseram dar um ar mais comercial ao filme e a produção ficou caprichada. A história é de um presídio que está prestes a ser desativado, pois ali será construído um aeroporto. Com a mudança dos prisioneiros sendo feita com sucesso, o carcereiro do título (que está mais para diretor responsável do presídio) receberá uma bem vinda promoção, só que acontece algo que poderá atrapalhar suas pretensões. Um prisioneiro desapareceu e ele tem pouco tempo pra encontrá-lo. Começa então uma busca com muita tensão e a trama se dá ao luxo de ter até pitadas de romance e de um discreto humor, ou seja, tudo muito original e envolvente. Gostei da ousadia do diretor. Detalhe: achei que o bom protagonista lembra vagamente Andy Garcia e a beleza e charme da atriz que fez a assistente social também chamou a atenção.
Engraçado como algumas surpresas acontecem quando selecionamos um filme por seu país. O cinema iraniano atravessa uma ótima fase e por isso escolhi este O Carcereiro de sinopse atraente àqueles que adoram um filme de prisão.
Década de 60, uma prisão está prestes a ser evacuada para um projeto de expansão de um aeroporto. Jahed, o carcereiro do local, está encarregado de transferir todos os presos para as novas instalações, mas um preso sentenciado à morte desaparece. Jahed terá de solucionar o caso o quanto antes para que não perca uma promoção nem a própria vida.
Logo de início é possível notar como este é um projeto de grande porte que não tem como base as discussões religiosas, políticas e opressivas típicas do cinema iraniano. Durante os créditos iniciais a câmera passeia por variadas divisões da enorme prisão, com uma trilha emocionante ao fundo. Este aspecto de superprodução comercial parece escolhido para levar grandes massas aos cinemas e nessa proposta O Carcereiro até se sai bem. Só incomoda o fato da roupa dos presos ser tão limpa, este aspecto mais "clean" já é um cartão de visitas para a proposta do filme, algo bem ameno, mesmo que se passe em uma prisão.
Dadas essas limitações que o diretor Nima Javidi atribui à produção, não há nada aqui que fuja do que já vimos centenas de vezes no cinema americano, de Um Sonho de Liberdade a Papillon, com a diferença de que aqui acompanhamos a história pela perspectiva do chefe da prisão e não do fugitivo, com isso, nunca sabemos se de fato alguém fugiu e menos ainda para onde foi, a dúvida e a obsessão de Jahed por seu prisioneiro acaba sendo também a nossa, não sabemos se devemos torcer para que alguém condenado à morte seja capturado ou escape ou para que o carcereiro consiga, enfim, cumprir com sua obrigação de entregar a prisão conforme lhe foi solicitado, e em se tratando do Irã, sabemos que, caso ele falhe, a punição será severa e ele será o provável condenado no lugar do desaparecido.
Cabe espaço até para um romance, outro elemento típico do cinema norte-americano, não chega a enfraquecer o filme, mas mostra como até mesmo o Irã, um país tão fechado para o imperialismo americano, já está cedendo a alguns de seus clichês.