Jim Arnaud é um policial do Texas que está tentando criar sua filha na melhor maneira possível. É um retrato tragicômico de uma figura autoritária americana que está falhando tanto no cenário pessoal quanto profissional.
Um velho conto: o do diretor-ator-roteirista-editor-compositor que descamba pra autofelação.
O Jim Cummings até tem um puta esmero em construir um personagem diferenciado — o policial psicótico que ele tem arrastado consigo nos últimos dois longas —, mas há uma atenção tão exacerbada à tal figura (e, consequentemente, a si mesmo) que isto só gera uma encenação absolutamente ridícula.
A cena inicial de 12 minutos de plano-sequência, sendo destes, 10 minutos inteiros de monólogo do ator, diz muito — e, talvez, o fato de justamente essa parte do filme ser uma reencenação do seu curta-metragem, de mesma minutagem, diga mais ainda. É tudo sobre pintar a pele do Cummings de neon e ainda gritar para prestarem atenção em cada um de seus esticamentos musculares.
Vira uma pseudoencenação parecida com aquela moda do Oscar de fazer “filme-teatro” que nem Ma Rainey’s Black Bottom, em que não existe mais qualquer noção de ritmo e nem história em si, mas apenas um esvaziamento da atuação, virtuosismo da capacidade de metamorfose facial. Algo que ele realiza através de um falso adorno da “câmera minimalista indie” que faz umas coberturas mais ascéticas e econômicas. Mas não nos enganemos, o zoom do velório é uma perfumaria fútil para que a câmera se concentre nessa obsessão vazia da performance autotélica.
Aqui, Cummings parece ter errado ainda mais do que no filme de 2020. Se, por um lado, essa idiossincrasia das hiperperformances nunca consegue ser transmitida para qualquer ator além dele mesmo (uma destoação absurda), por outro, consegue malograr até seu pseudotrunfo: ele próprio.
Apesar de achar os últimos minutos desse filme estragam uma experiência que até então tinha sido bastante positiva, Thunder Road consegue ficar em uma linha tênue entre a tragédia e a comédia e se apoia em um roteiro extremamente bem escrito por Jim Cummings pra isso.
Eu gosto de como o filme vai apresentando situações absurdas apenas para entregar as falhas do personagem principal, falhas que devem ser o tempo todo escondidas até que chegam em um ápice. Jim Cummings sem dúvida se mostra nesse filme um nome para se prestar atenção ao longo dos próximos anos.
Tragicômico no talo, gostei muito apesar de achar o personagem meio chato, e desconfiar que ele tem um lapso cognitivo , mas o filme é ótimo.
14.01.25
Jim Arnaud será um personagem que eu nunca mais esquecerei, disso eu tenho certeza.
Um velho conto: o do diretor-ator-roteirista-editor-compositor que descamba pra autofelação.
O Jim Cummings até tem um puta esmero em construir um personagem diferenciado — o policial psicótico que ele tem arrastado consigo nos últimos dois longas —, mas há uma atenção tão exacerbada à tal figura (e, consequentemente, a si mesmo) que isto só gera uma encenação absolutamente ridícula.
A cena inicial de 12 minutos de plano-sequência, sendo destes, 10 minutos inteiros de monólogo do ator, diz muito — e, talvez, o fato de justamente essa parte do filme ser uma reencenação do seu curta-metragem, de mesma minutagem, diga mais ainda. É tudo sobre pintar a pele do Cummings de neon e ainda gritar para prestarem atenção em cada um de seus esticamentos musculares.
Vira uma pseudoencenação parecida com aquela moda do Oscar de fazer “filme-teatro” que nem Ma Rainey’s Black Bottom, em que não existe mais qualquer noção de ritmo e nem história em si, mas apenas um esvaziamento da atuação, virtuosismo da capacidade de metamorfose facial. Algo que ele realiza através de um falso adorno da “câmera minimalista indie” que faz umas coberturas mais ascéticas e econômicas. Mas não nos enganemos, o zoom do velório é uma perfumaria fútil para que a câmera se concentre nessa obsessão vazia da performance autotélica.
Aqui, Cummings parece ter errado ainda mais do que no filme de 2020. Se, por um lado, essa idiossincrasia das hiperperformances nunca consegue ser transmitida para qualquer ator além dele mesmo (uma destoação absurda), por outro, consegue malograr até seu pseudotrunfo: ele próprio.
Apesar de achar os últimos minutos desse filme estragam uma experiência que até então tinha sido bastante positiva, Thunder Road consegue ficar em uma linha tênue entre a tragédia e a comédia e se apoia em um roteiro extremamente bem escrito por Jim Cummings pra isso.
Eu gosto de como o filme vai apresentando situações absurdas apenas para entregar as falhas do personagem principal, falhas que devem ser o tempo todo escondidas até que chegam em um ápice. Jim Cummings sem dúvida se mostra nesse filme um nome para se prestar atenção ao longo dos próximos anos.