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Data de lançamento
2 Março 1992Duração
A história de Zoran, um menino de dez anos de idade que, como a maioria das crianças na Iugoslávia dos anos cinquenta, dificilmente poderia imaginar a sua vida sem o grande líder nacional, Marechal Tito. Em sua escola, ele ganha o concurso de melhor redação sobre Tito, na qual afirma que o ama mais que aos seus pais, o que os deixa desesperados. Como prêmio, ele ganha uma viagem junto a um grupo de crianças, é a "Marcha Pela Terra Natal de Tito". Mas a trajetória de Zoran pelas estradas e trilhas não será fácil. Prejudicado por sua estatura, seu apetite desenfreado e assaduras que começam a surgir entre suas pernas, ele tem dificuldade de acompanhar o grupo, perde-se na floresta e sofre perseguição constante de seu professor stalinista. Mas nada disso afetará por muito tempo o nosso herói, que, diante de todas as adversidades, agindo de forma completamente ingênua, acaba sempre se dando bem no final, e eis que, mérito de um brilhante roteiro, ele passa a representar, inocentemente e por força das circunstâncias nas quais se vê envolvido, o símbolo da resistência ao poder e à tirania, representados, também simbolicamente, por seu guia e professor, o Camarada Raja.
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Com personagens e linguagem característica do cinema iugoslavo, vemos aqui uma história simples, sobre infância, sobre crescimento, vontades, virtudes, enfim, a formação de Zoran, um menino gordinho que vive numa casa sempre em conflito, seja por ideais ou simplesmente por nada. Há um paralelo claro com a figura mais evidente da Iugoslávia, não li muita coisa sobre a vida dele mas é possível que seja um fragmento da vida do próprio Tito. Bom filme.
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Todas as ditaduras e regimes assemelhados se parecem e usam as crianças - ou os pobres, ou os negros, ou os analfabetos, etc. - para martelar em suas cabeças as mentiras de seus líderes. Em Tito e eu, mais do que a parte ficcional do filme - que não é tão estupenda assim - impressionam as cenas em p&b dos filmetes em que o ditador iugoslavo aparecia. As multidões compareciam em peso a todas as aparições públicas, ele era adorado pelas massas mas certamente, como em todas as ditaduras, tinha gente que ia contra a vontade, para não ser delatado pelos puxa-sacos do regime. Acontecia na antiga Iugoslávia, e coisas semelhantes ou piores acontecem na Coreia do Norte, em Cuba, na Venezuela, etc. A parte documental me pareceu superior à história do menino Zoran, embora o final do filme seja redentor.