Tora-san retorna à Shibamata no dia em que a irmã Sakura e o marido Hiroshi estão aguardando a professora Masako (Fumi Dan) na casa da família Kuruma para conversar sobre o comportamento do filho Mitsuo. Como ela é jovem e bela, Tora-san intromete na reunião sem ter sido convidado. A família inteira fica decepcionada e ele vai embora orgulhoso. Quando decide voltar, apaixona-se pela mãe da professora (Machiko Kyō).
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Dezoito filmes de Tora-san tentando alegrar a vida dos outros e fazê-los sorrir, este pareceu mais um melodrama com toque de humor. A presença teatral de Machiko Kyo (grande atriz dos clássicos Rashomon, Jigokumon, Ugetsu Monogatari) pode não agradar a todos com sua eloquência dramática, porém a tragédia da personagem também remete ao declínio da era de ouro do cinema japonês, à morte de grandes estrelas da época e ao fim dos estúdios.
Foi a penúltima aparição no cinema desta atriz lendária e amada pelo público japonês antes de se aposentar. Em contrapartida, a sua filha no filme interpretada com muita delicadeza por Fumi Dan aposta em dobro no jogo sutil. Parecia mais um rosto bonito no início, mas revela outras camadas ao longo do filme. Mãe e filha, as duas personagens se envolvem ♥ ♥ ♥ ~ afetivamente com Tora-san de formas bem diferentes e o filme aborda a questão do etarismo.
Após a invasão rude e egocêntrica de Tora-san na reunião escolar do sobrinho, fazendo ainda por cima o tristonho que vai embora sofrido, o nosso protagonista recebe verdadeiramente o tapa na cara do etarismo, merecido ou não. Teve que ouvir que era velho demais para a professora e que tinha a idade para ser o pai dela. A piada da cena ocorre quando Sakura diz que a mãe dela é quem deveria estar próxima à idade dele. Resultado, a mãe entra cena.
Por falar na Sakura, impossível imaginar a série sem a irmã de Tora-san interpretada pela magnífica e soberba Chieko Baisho. Uma atriz iluminada pela inteligência do jogo mínimo e do olhar misterioso que merece sempre ser louvado. Quando ela entra em cena, o negócio vira uma aula de atuação. Algo que não pode ser dito de todos, vide a trupe de teatro na primeira parte do filme com alguns excessos e até um ator descrito por Tora-san como "bicha" (!)
O episódio da vez tem várias cenas tristes e até alguns diálogos divertidos, mas fica subestimado perto do filme anterior considerado o melhor Tora-san já feito. Apesar dos altos e baixos, destaca-se em seu olhar sensível do luto e pela poesia que os japoneses atribuem à simplicidade das coisas. Como é bonito vê-los em situações banais como uma despedida na estação ou uma conversa no jantar, a beleza dos momentos onde nada acontece.