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Data de lançamento
23 Abril 1958Duração
Ao investigar um assassinato, Ramon Miguel Vargas (Charlton Heston), um chefe de polícia mexicano em lua-de-mel em uma pequena cidade da fronteira dos Estados Unidos com o México, entra em choque com Hank Quinlan (Orson Welles), um corrupto detetive americano que utiliza qualquer meio para deter o poder.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Suspense noir com direção do Orson Welles interpretando um policial corrupto, com Charlton Heston como um mexicano rs e Janet Leigh novamente em perigo num hotel de beira de estrada, o filme começa com um plano sequência bem legal, depois se arrasta um pouco até chegar nos momentos finais, o filme aborda vários temas interessantes se tratando dos anos 50, corrupção policial, drogas, imigração e xenofobia.
Eu acho muito engraçadas as muitas racialidades de Charlton Heston no cinema. Aqui ele é mexicano rs. O que é engraçado, pois ele começa a vida de ativista político dele sendo contra a segregação racial e apoiando o controle de armas, pra mais tarde na vida virar a casaca.
Charlton à parte, "A Marca da Maldade" é um filmaço. Muito se fala de "Cidadão Kane", que já tinha suas lições e implicações políticas, mas aqui, além de construir um excelente suspense noir, costurando uma narrativa tensa e instigante, Orson Welles também já faz críticas lá no final dos anos 50 que, infelizmente, permanecem relevantes para os dias atuais. Ele subverte os papeis estereotípicos da época aqui de maneira magistral para denunciar a realidade do racismo, da violência e corrupção policial e da xenofobia.
Que filme bem fotografado, bem montado, bem escrito e bem atuado, viu!
Uma obra prima do suspense.
Um pouco de touch of evil e touch of dumb
Como aquela mulher fica sozinha naquele hotel no meio do nada? coisa mais burra. não entendo pq o vilão tem que ser sagaz e o mocinho meio tonto
No momento em que escrevo esta resenha, ainda estou desbravando a cinematografia de Orson Welles, empreitada que, a cada filme, tem se mostrado cada vez mais prazerosa. O texto contém alguns spoilers, mas nenhum que cause impacto negativo na experiência de assistir a produção, creio eu.
De início, fiquei surpreendido com o desenvolvimento de certa temática de “Touch of Evil” (traduzido no Brasil como “A Marca da Maldade”). O filme é um noir, protagonizado por Charlton Heston (Miguel Vargas) e Janet Leigh (Susan Vargas) e antagonizado por Orson Welles (Hank Quinlan) – aqui também na direção –, e tem como um dos fios condutores, ainda que nas entrelinhas, a questão da xenofobia.
É surpreendente que uma produção da década de 1950, época em que perdurava a tensão geopolítica da Guerra Fria, tente abordar, e de forma crítica, essa temática. Claro, tratando-se de Orson Welles, multi-artista que sempre ousou desafiar as convenções do modo de se fazer cinema, eu não deveria estar impressionado, mas confesso que o fiquei. O personagem Miguel Vargas, mexicano, é um jovem promotor de justiça e grande defensor de um sistema de justiça mais eficaz. Lado outro, tem-se o detetive Hank Quinlan, norte-americano e veterano da polícia local (fronteira entre México e EUA) cuja perspectiva sobre a justiça e a lei são, no mínimo, controversas. Ocorre que Quinlan, ao longo da trama, vai revelando o sentimento anti-mexicano que nutre por Vargas, e em seu discurso xenófobo, demonstra que esse grave problema de violação aos direitos humanos, infelizmente, ainda é muito atual – impossível não se recordar, por exemplo, da política anti-imigração que vem ganhando força nos Estados Unidos, onde a xenofobia tem raízes estruturais.
Outrossim, a escolha do diretor pelo romance entre uma mulher norte-americana e um homem mexicano foi acertada. Fica nítido o preconceito de certos personagens ao surpreenderem-se com esse relacionamento. O casal, porém, não se intimida e, os atores, de quebra, tem uma química interessante.
Como um bom filme noir, evidente que não poderiam faltar as contumazes críticas ao sistema de inquérito policial. Simulando uma esfera de degradação moral, a corrupção dos agentes policiais é retratada de forma soberba. Destacam-se a parcialidade da polícia, as situações de flagrância forjadas, bem como a violação aos princípios do contraditório e ampla defesa. Quanto a esse último, despertou a minha atenção o fato de, numa determinada cena do filme, o direito ao silêncio ter sido negado somente a um investigado mexicano, o que dialoga, inevitavelmente, com a xenofobia.
Outro fator de destaque são as atuações. Embora o diretor não tenha priorizado a escalação de atores naturais do México para todos os personagens mexicanos, o que poderia ser mais um diferencial da obra, o elenco brilha em tela. Por exemplo, Charlton Heston, na pele de Vargas, interpreta de forma enérgica um promotor de justiça por excelência. Na incansável luta pela efetivação da justiça, ele sabe que, num Estado Democrático de Direito, todos os cidadãos devem ter os seus direitos protegidos, independentemente de sua posição na sistema criminal, se ofendido ou ofensor. Eis uma de suas falas mais pungentes: “Num país livre, os policiais devem representar a lei, e a lei também protege os criminosos”. Orson Welles atua de forma magistral. Atuando com a naturalidade que lhe era habitual, através de reações expressivas e diálogos ácidos, Welles se entrega ao papel de Quinlan, um personagem complexo que cai numa espiral de degradação moral à medida que a trama se desenrola, e precisa confrontar os seus próprios demônios. O filme ainda nos brinda com a participação especial de Marlene Dietrich, que - como de praxe -, mesmo em poucos momentos de cena, demonstra a maestria de sua performance, que a consagrou como uma das maiores estrelas de Hollywood.
Não pretendo esgotar a análise. Portanto, concluo: “Touch of Evil” é definitivamente um dos melhores filmes da carreira do Welles e, ouso dizer, da história cinematográfica. Uma aula de como fazer cinema.
Não me pegou em quase todo filme, só no final que ficou interessante.