Três Marcas da Existência

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Três Marcas da Existência (2012)
นมัสเตอินเดีย ส่งเกรียนไปเรียนพุทธ Outros títulos
Média do filme: 4.0 de 5 — baseado em 9 votos
MÉDIAFILMOW
4.0
9 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Data de lançamento 13 Dez. 2012 Outras datas
País de origem Tailândia 🇹🇭
Duração 114 min (1h54)
Classificação indicativa de Três Marcas da Existência: L - Livre para todos os públicos

Data de lançamento

13 Dez. 2012

Duração

114 minutos Classificação indicativa de Três Marcas da Existência: L - Livre para todos os públicos
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Sinopse

Desejando mudar o rumo da sua vida, o jovem M. parte para a Índia em peregrinação pelos quatro principais locais sagrados do budismo: Lumbini, onde Buda nasceu; Sarnath, onde ele pronunciou seu primeiro ensinamento; Bodh Gaya, onde ele atingiu a iluminação, e Kusinara, onde Buda alcançou o nirvana. Mas para atingir o que deseja, M. terá que enfrentar uma outra longa e difícil viagem, esta de autoconhecimento, no interior da sua própria mente.

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A Bola Preta

Comentários 0
amigos querem ver
lauralfernandes
Laura Fernandes
6 anos atrás

Assistindo ao filme me recordei de um texto do Lama Padma Samten, intitulado como Ande Devagar. Especialmente do seguinte trecho: "Andar devagar, porque o andar rápido já faz parte da perturbação interior".
Acompanhando a jornada de M., percebemos que sua ânsia em alcançar a iluminação através da peregrinação pelos lugares onde Buda esteve outrora não rende os resultados que o garoto esperava. Uma boa lição sobre motivação correta, dando ênfase à ideia de que podemos nos iluminar sob as nossas condições e que não há necessidade de fugir da própria realidade para gerar méritos.
Entretanto, é legal de se observar os questionamentos que ficam em sua cabeça no fim da viagem: ainda que ele não compreenda claramente, teve experiências de impermanência e não-dualidade.

Um bom filme para ser assistido num grupo de estudos budistas! Muito assunto para ser explorado e discutido.

tiagocarioca
Tiago
11 anos atrás

Preciso avisar antes de tudo que, talvez, seja necessário um conhecimento mínimo sobre o budismo para compreender esse filme. Ou, pelo menos, assistir com quem tem algum conhecimento e possa explicar algumas coisas para quem não está familiarizado com a filosofia budista. É claro que uma pessoa muito atenta pode entender o clímax do filme (a parte em que o protagonista medida e passa por uma espécie de insight), mas nem todo mundo vai conseguir captar a poderosa mensagem sem o mínimo de conhecimento prévio. Vou tentar explicar:

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Buda pregou que todas as coisas são impermanentes e que o sofrimento provém da ilusão de acreditar num Eu independente e imutável. Essas são as três marcas da existência (impermanência, sofrimento e o Não-Eu). Por acreditar na impermanência e na constante mudança, o budismo rejeita o maniqueísmo das religiões abrâmicas e de parte do hinduísmo, ou seja, ele rejeita a dicotomia Bem X Mal. Para Buda, depositar a fé numa guerra cósmica entre o Bem e o Mal é ilusão, pois tanto os Devas (deuses) quanto os demônios, fazem parte do mesmo jogo de ilusão, da mesma Samsara. O Budismo é constantemente chamado de religião ateísta. Isso não é bem verdade, Buda nunca negou os deuses, ele fez algo ainda mais herético e revolucionário do que isso, ele negou que os deuses possam salvar as pessoas. Buda não é um deus, mas um guia espiritual. Ele afirma que descobriu um caminho para o Despertar, mas afirma também que cada um tem que seguir esse caminho por si só! Não adianta rezar ou orar para deuses (e isso inclui o Deus Cristão, ou o Alá muçulmano e o Braman hindu), pois eles não podem nos salvar. O máximo que seres divinos podem fazer é nos dar bênçãos (como curar uma doença), mas a salvação (ou Despertar, como Buda afirmava) é pessoal e exige disciplina mental e ética para consigo e para com todos os outros seres. A cena em que o protagonista encontra o Deus Criador é uma crítica à ilusão das religiões monoteístas. No fundo ele descobre que a felicidade, o bem, o Deus Criador, fazem parte da ilusão do maniqueísmo Bem x Mal. Ele enxerga a verdade ao ver que o Bem e o Mal banqueteiam juntos, enquanto ele continua cego servindo aos dois. Portanto, a guerra cósmica entre um Deus Criador Todo Poderoso e um Diabo são ilusões que nos afastam do caminho de libertação. Para Buda, um Criador Salvador e um Diabo são invenções do Eu, do Ego. O Eu, sendo uma ilusão da imutabilidade, precisa criar a ideia de que há Um Bem Imutável e Um Mal Imutável para manter a própria ilusão de que um Eu existe. Por isso precisamos, segundo Buda, abandonar o Eu e suas ilusões e rejeitarmos o maniqueísmo essencialista que ele pressupõe. Lembrem-se que o personagem está preso nesta dualidade o tempo todo. Ele está sempre decidindo entre o Bem e o Mal, entre o Sim e o Não, e acha que é livre por causa dessas escolhas, mas ele descobre que não é. Se só existem duas escolhas já dadas (Sim ou Não), então não há escolha de fato, mas uma prisão dicotômica. Para eliminar o sofrimento, portanto, temos que deixar de lado a ideia de um Eu autônomo e eterno e suas ilusões, que incluem o maniqueísmo ontológico e a fé na salvação dada por algum deus. Se, por um lado, Buda não nega a existência dos Devas (deuses), ele rejeitava a ideia de um Deus Criador Absoluto, como existe no Cristianismo e no Islamismo. Buda não dava muita importância a questões metafísicas. O mais importante é o caminho ético que ele propunha e não questões de origem da universo. Mesmo assim, no Aganna Sutra, Buda dá sua versão para a origem do Universo, que se parece bastante com a ideia do Big Bang, onde há expansão e contração e o universo não tem começo ou fim.

A da luta do Bem x Mal é substituída, no budismo, pela oposição entre a sabedoria e a ignorância. A partir da meditação, ao final deste filme, que o protagonista começa a adquirir a sabedoria para eliminar a ignorância que tem. Neste caso, ele não entendia que sua visão de Deus x Diabo (Bem x Mal) era ignorância, ilusão. Portanto, é o cultivo da sabedoria (através da prática da meditação e da ética) e não dá fé em divindades que nos tira da ignorância e nos faz progredir espiritualmente.

O filme, portanto, procura demonstrar como um jovem tailandês vai numa busca espiritual e como ele descobre as verdades do budismo através da experiência e da meditação e não através de algum deus ou do pagamento de promessas. O protagonista tinha a vã esperança de que ao peregrinar, receberia bênçãos de volta que fariam sua vida melhorar. O monge do templo afirma que fazer méritos (como se chama o ato de fazer boas ações no budismo) é algo bom, mas que isso não é o tema central dos ensinamentos do Buda. A partir daí, o monge explica para ele sobre as três marcas da existência a que eu já me referi (impermanência, sofrimento e Não-Eu), e o protagonista passa a viver na pele o que significam esses conceitos. Ele entende a impermanência ao ouvir que a Yuiko vai morrer. Só ali ele entende que ela nunca foi "dele", como ele pensava. Ninguém é de ninguém, no sentido de que ninguém possui outra pessoa. Mesmo as pessoas a quem amamos, nossos maridos, esposas, filhos e amigos não nos pertencem de fato. Amanhã eles vão embora ou morrem. Acreditar que eles são "nossos" é a ilusão do "Eu" e do "Meu". E é isso que leva ao sofrimento. Temos que aceitar a impermanência da vida e quebrar o Ego e viver o Anatta, ou seja, o Não-Eu. É isso que o protagonista faz no final através da meditação. Para os budistas, meditar é tão importante quanto orar para um cristão. O budista medita para entender as ilusões da mente e atingir sabedoria e, quiçá, o Despertar. O protagonista tem seu embate com a ilusão Deus x Diabo que o atormentava desde o início, desmascarando o "complô" do Bem e do Mal que sua própria mente criara para manter seu Ego funcionando. Ali, ao experienciar o sofrimento dos outros personagens ao "viver" suas vidas e perceber que não é só ele que sofre, mas todos, o rapaz compreende a sabedoria do Ensinamento das Três Marcas da Existência e começa a sedimentar o caminho para o Despertar. Em suma, ele descobre que o importante é a busca de sabedoria espiritual e a prática advinda dela e abandona as dualidades como felicidade X tristeza, Bem X Mal, Céu x Inferno, Certo e Errado, etc. Isso não quer dizer que o budismo não entenda que certas ações sejam boas e outras não, mas sim que Buda rejeita o maniqueísmo (tal qual existe em religiões como o cristianismo) como apego da mente. Ele propões, portanto, novas formas de lidar com os conceitos de bem e mal.

Há outros aspectos e detalhes do filme que deixei passar, mas a mensagem ficou um pouco grande e não quero mais me alongar. Eu super indico para quem quer conhecer o budismo. O filme sintetiza muito bem alguns ensinamentos dessa antiga tradição indiana e tem um clímax belíssimo. Vale muito a pena!

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Elenco de Três Marcas da Existência

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(M.)
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